Aço

Açometal, Domave e RCC unem operações

Gazeta Mercantil
09/12/2008 02:26
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A consolidação no setor de distribuição de aço fez a Açometal, a RCC Metais e a Domave decidirem se fundir, o que criará uma companhia de R$ 100 milhões de faturamento anual. Sediadas na zona sul da capital paulista, as três empresas trabalham com a compra, venda e processamento de aço e outros metais não-ferrosos, como alumínio, cobre e bronze. A nova companhia, fruto da consolidação das três empresas, vai se chamar GGD Metals e começa a operar em janeiro.

 

GGD é de Grupo Gonçalves Dias, uma homenagem ao fundador das três empresas, João Francisco Gonçalves Dias, que começou a vida profissional aos 14 anos, como contínuo, na Andino Metais, uma revenda de aço inoxidável, bronze, latão, cobre e alumínio. Após conquistar o cargo de vendedor e obter conhecimento de mercado, João Dias abriu o próprio negócio, a Açometal. Cerca de 15 anos depois, criou a Real Capacidade de Corte Aços e Metais (RCC) e anos mais tarde a Domave. Embora atuem no mesmo setor, cada uma possui área de atuação diferente e foi fundada já visando a sucessão. A RCC atende fabricantes de moldes, matrizes e a indústria automobilística; a Açometal é focada no setor aeronáutico e sucroacooleiro, e a Domave em construção mecânica, máquinas e equipamentos. Os herdeiros André, Eduardo e Fábio já estão cada um à frente de uma das empresas e passam ao conselho diretor da GGD.

 


O objetivo da família com a fusão é reduzir os custos e proteger o negócio de potenciais compradores. “Vínhamos sofrendo o assédio de multinacionais que têm intenção de entrar no País”, disse André Dias, até agora presidente da Açometal e que passa a ser membro do conselho diretor e porta-voz do grupo. Ele garantiu que a fusão não tem como objetivo vender a companhia. “A tendência do setor é de consolidação, essa reestruturação nos permite atuar com aquisições”, afirmou, sem descartar a possibilidade de um parceiro. “Não queremos perder o controle da operação.”

 

A empresa espera que as sinergias e economias de escala gerem uma redução de custos de aproximadamente 20%, principalmente devido à reorganização dos processos e a sistematização da operação. “As três empresas estavam crescendo exponencialmente, mas enfrentavam alguns gargalos que com a fusão devem ser resolvidos”, disse. Ele citou a área logística como uma das que deve registrar ganhos de sinergia, já que as entregas devem ser otimizadas. Além disso, a empresa investiu R$ 6 milhões na construção de um novo depósito para a armazenagem dos produtos, em localização próxima à das empresas. O depósito de uma das empresas, a RCC, funcionará como centro de serviços.

 

Todo o processo de fusão durou 14 meses, com especial cuidados para os aspectos fiscais, tributários e operacionais, além da criação da nova marca. No total, a empresa deve investir R$ 2 milhões no processo, principalmente na marca.

 

“A consolidação dá força para suportar a crise e manter a equipe motivada”, disse Dias. Segundo ele, o grupo está com boa situação financeira e não se sente pressionado pela queda na demanda de produtos siderúrgicos. “Na maxidesvalorização, tivemos de renegociar, então passamos a ter uma postura de comprar à vista e manter o nível de endividamento zero”, afirmou. “Hoje temos fluxo de caixa, o que nos encoraja a ampliar a nossa estrutura e nos prepararmos para quando o mercado reaquecer”, disse.

 

A GGD já se prepara para a expansão. Construirá em Valinhos (SP) um segundo galpão, de 20 mil m, o que triplicará a área de armazenagem para 30 mil . O investimento deve atingir R$ 10 milhões e será concluído até meados de 2010. É também quando a empresa pretende abrir as primeiras filiais, provavelmente em Joiville (SC) e depois em Caxias do Sul (RS), aproveitando a proximidade do terminal portuário e do pólo metal-mecânico. A ida para Caxias já vinha sendo estudada pela Açometal. A empresa também já avalia a atuação com importações. “Seria uma proteção natural às oscilações do câmbio”, disse Dias. Além disso, a companhia também já estuda a entrada nos mercados venezuelano - onde há tendência de crescimento do consumo de aço com a expansão da produção petrolífera -, paraguaio e uruguaio, nos quais o mercado é menor e existem apenas revendas.

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