Queda

A redução de preço do aço ocorre, mas poucos foram beneficiados

Valor Econômico
18/05/2009 03:59
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A queda na atividade econômica trouxe para o setor siderúrgico uma prática que havia sido esquecida nos últimos anos: o desconto. Alguns clientes, os que consomem volumes maiores, já obtiveram até 20% de redução no preço de determinados tipos de aço ao longo do ano. No caso dos compradores de pequenas ou médias quantidades, as negociações estão em curso. E, enquanto não são atendidos, eles buscam alternativas no mercado externo ou na dilatação dos prazos de pagamentos.

 


Na quinta-feira, o diretor comercial da CSN, Luiz Martinez, informou durante teleconferência de resultados que as siderúrgicas de aços planos baixaram seus preços em até 15% no primeiro trimestre. No caso da CSN, variou entre 11% a 15% para laminados a quente, a frio e zincados, em linha com as concorrentes, Usiminas e ArcelorMittal. Já para as folhas metálicas (aço estanhado), usado em embalagens, os preços ficaram estáveis.

 


Neste trimestre, informou Martinez, “as concorrentes anunciaram redução de 10% a 12% e a CSN está prevendo entre 7% a 8%”. Segundo ele, a empresa está negociando caso a caso e estudando condições de prazos para pagamento. Folha metálica também terá reajuste.

 


A justificativa, tanto das siderúrgicas ao concederem os descontos, como dos clientes ao pleitearem a redução, tem como base a diminuição dos custos de insumos para a produção do aço, como minério de ferro, zinco e carvão. Até então, os produtores de aço alegavam fortes pressões de custos do minério de ferro (que subiram mais de 70% no ano passado) e do carvão (que subiu 210%). A partir de abril, o preço do carvão, por exemplo, já vem caindo cerca da metade, para a faixa da US$ 145 a tonelada. Outro fator foi a queda dos preços das commodities, como zinco, estanho e alumínio, que são usadas para alguns tipos de aço, como os galvanizados e os estanhados e pré-pintados. A CSN, segundo o diretor da usina de Volta Redonda, já obteve cortes da ordem de 25% nos custos.

 


A queda nos custos, na visão de alguns compradores, ainda tem espaço para ser maior ao longo do segundo trimestre. Incluído no rol dos grandes clientes, Vicente Abate, diretor de relações corporativas da Amsted Maxion, informa que, dado o cenário atual, a companhia espera ao menos amortizar os reajustes do ano passado. “Tanto o minério de ferro, quanto o carvão, tiveram reduções expressivas nos últimos meses. Por isso, caso esta situação de mercado persista, esperamos novas reduções”, disse.

 


De acordo com ele, a companhia já obteve 10% de desconto em janeiro, e em abril outros 7%. “Tem ocorrido um recuo de custos em diversos insumos e nós também teremos de repassar isto aos nossos clientes”, acrescentou Abate, ao comentar como estão ocorrendo as negociações com as siderúrgicas e clientes da Amsted Maxion.

 


Também pressionado para baixar preços por conta do acirramento da concorrência, Nei Sakamoto, diretor administrativo da fabricante de equipamentos para construção civil Komatsu, ressalta a melhora no tom das negociações entre as partes. “Agora, estamos ao menos conversando sobre a possibilidade de reduzir os preços. No ano passado não tinha diálogo”, afirmou. O diretor da Komatsu optou por não revelar qual foi o pleito feito à Usiminas para não comprometer o andamento das conversas.

 


Em comunicado, a Usiminas informou que “a precificação dos produtos é feita considerando as especificidades de cada demanda, a oferta de valor da empresa e as negociações com cada cliente”, deixando claro que não há uma redução comum em vigor.

 


Já na ponta dos distribuidores de aço, responsáveis pela comercialização de 3,72 milhões toneladas no ano passado, os descontos podem ultrapassar a marca dos 20% em 2009. Segundo fonte do setor consultada pelo Valor, o fato de contar com um número alto de participantes faz com que a guerra de preço esteja muito mais acirrada no mercado spot. “A distribuição está repassando descontos muito maiores que as usinas, pois os estoques ainda estão elevados”, afirmou. Para este executivo, o comprador de chapas de aço pode buscar, em média, 20% de desconto na comparação com o patamar de preço de setembro de 2008.

 


Mas nem sempre o desconto que chega ao fabricante é o mesmo dado por usinas e distribuidores. A Dynapac, especializada em máquinas compactadoras, por exemplo, informa que nas compras de peças e componentes de aço, a redução verificada neste ano varia entre 2% e 8%. O presidente da companhia, Paulo de Almeida Barros, ressalta que a empresa não compra direto nas siderúrgicas.

 


Em outros casos, nem na distribuição os descontos foram dados, restringindo a visão de que as reduções chegaram para todo o mercado. Mario Henrique Buttino, presidente no Brasil da Dura Automotive, diz que para a empresa por enquanto só houve flexibilização nos prazos de pagamento, que passaram de 28 dias para até 40 dias. Resta agora, sentar à mesa e negociar o desconto merecido.

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