Gas Summit Latin America 2015

A rede de distribuição de gás no Brasil é insuficiente compromete expansão da indústria

Redação / Assessoria
09/06/2015 10:30
A rede de distribuição de gás no Brasil é insuficiente compromete expansão da indústria Imagem: Agência Petrobras Visualizações: 539

Teve início na manhã desta segunda-feira, 08, no Rio de Janeiro (RJ) a 12ª edição do Gas Summit Latin America, um dos mais tradicionais fóruns de discussões do continente sobre o mercado de gás. Autoridades, representantes de grandes empresas e entidades puderam conferir a participação do diretor da Wood Mackenzie, Eric Eyberg, que abriu os trabalhos da manhã do primeiro dia e ofereceu aos participantes sua visão sobre o cenário energético internacional de gás, no médio e longo prazo. “Quando vemos os fluxos e as nuances de energia, percebemos que a América do Norte passou a ser exportadora também. Percebemos também os países da América do Sul intensificando as exportações de energia no futuro de longo prazo, incluindo o Brasil”.

O especialista afirmou que no futuro haverá predominância dos hidrocarbonetos. “O gás deve crescer mais que 2,5% ao ano, nos próximos 15 anos”, avalia. Com relação a outras fontes alternativas de energia, a consultoria projeta que a fonte eólica continuará a ser incorporada, mas a energia solar deve ganhar mais relevância no mundo inteiro, em particular na Europa.
 
Sobre a variação no mercado do petróleo, Eyberg prevê também que o preço do barril deve recuperar-se até 2017, chegando a US$ 80. “Teremos anos muito difíceis, mas também percebemos uma curva para cima no futuro. Obviamente, tudo depende da estratégia da Arábia Saudita, de expansão de market share, o que pode retardar a recuperação dos preços”, diz.
 
Quanto à indústria brasileira de gás, a Wood Mackenzie defende que o país está em um momento de inflexão com os desafios de abastecimento, exploração e infraestrutura que viabilizem a monetização do gás. “Nossa dúvida é quanto ao impacto na demanda do gás em relação a uma possível normalização dos níveis dos reservatórios. Os preços devem convergir no longo prazo com os preços globais”, disse.

Brasil - No país os maiores responsáveis pelo consumo de GNL são a industria (38%), as termelétricas (42%) e as refinarias e fábricas de fertilizantes da Petrobras (12%). “Essa divisão é preocupante porque indica a sobrecarga das terméletricas na composição da demanda, o que dá uma volatilidade importante a este mercado”, afirmou o gerente de projeto da PSR, Bernardo Bezerra, na sua apresentação sobre o cenário brasileiro do gás, ainda na manhã do primeiro dia do Gas Summit.

Outro desafio, segundo Bezerra, é desenvolver a rede de gaseodutos. “A rede não é madura e compromete a estratégia de expansão da indústria do gás. Diferente da rede de energia elétrica, que pode expandir com muito mais agilidade”.

O executivo da PSR enfatizou a importância de existir o livre acesso às redes de gás. Para ele, a lei do gás -- que institui normas para a exploração das atividades econômicas de transporte de gás natural por meio de condutos e da importação e exportação de gás natural -- não garante que haverá competição no mercado porque garante o acesso livre apenas a partir de 2021. Com isso os produtores menores não conseguem precificar com competitividade. “A indústria do gás tem sim potencial para se transformar em um mercado de gás nos próximos 10 anos. Mas o que é imediatamente necessário é ter uma rede de gás mais desenvolvida com acesso livre total, uma política racional para preços do gás e uma política energética para o gás”, concluiu.

Precificação - Na parte da tarde, o Gas Summit aprofundou-se na questão da precificação do gás. Na visão do Diretor Comercial da Gasmig, Sérgio da Luz Moreira, o tema de fato é complexo. "Mundialmente, as formas de correção do preço do gás se dão pelo preço do petróleo (17%), pela modalidade gas to gas (43%),  por negociações monopolistas (4%), entre outras formas. No Brasil a precificação se baseia no petróleo e é relativamente alta em relação ao praticado no mundo” explicou.

Moreira fez uma correlação da necessidade de importação no mercado brasileiro de gás e a situação do agronegócio brasileiro, altamente dependente das compras internacionais de fertilizantes, que importa 75% do volume aplicado pelos agricultores em todo país.
 
Ao encerrar o primeiro dia de trabalhos no Gas Summit, o diretor da TNSLatam, Fernando Meiter, argumentou que, de forma geral, a “falta de planejamento é uma constante em todos os países da América do Sul”. Segundo ele, não há necessidade de inventar mais nada em termos de regulação energética, apenas concretizar o que está planificado. “Este é um momento em que os investidores estão analisando os custos de exploração em diversos mercados e a América do Sul é vantajosa. É preciso que as autoridades garantam a estabilidade para que os investimentos aconteçam”.

Meiter alertou que o momento é de mudanças de preços do petróleo, o que terá impacto no segmento de gás. “A incerteza marca está época. Fundamental é que os países cumpram os acordos e os preços assumidos. Além disso, os preços dos hidrocarbonetos devem ser coerentes”, finalizou.

Segundo dia -
Amanhã, dia 09, todo o período da manhã será dedicado para que os palestrantes internacionais destaquem questões da indústria de gás natural em seus respectivos países. Já o período da tarde será dedicado a questões de regulação e infraestrutura.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Construçao Naval
Usiminas fornece aço para fragatas da Marinha do Brasil
22/04/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 182 mil barris por ...
17/04/26
Apoio Marítimo
Mesmo com tensões globais, setor marítimo avança e refor...
17/04/26
PPSA
Petrochina arremata carga da União de Bacalhau em leilão...
17/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Indústria Naval
Fundo da Marinha Mercante aprova R$ 136,9 milhões para a...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Resultado
Porto do Açu garante R$ 237 milhões em royalties retroat...
07/04/26
BRANDED CONTENT
Intercabos® lança novo site e concretiza presença no mer...
07/04/26
PPSA
União recebe R$ 917,32 milhões por redeterminação de Tupi
07/04/26
Logística
Vast realiza primeira operação de transbordo de petróleo...
01/04/26
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23