Preços

Petróleo dispara e amplia pressão por reajuste da Petrobras, dizem analistas

Reuters, 28/09/2023
28/09/2023 07:28
Visualizações: 1884

Uma nova disparada dos preços do barril do petróleo no mercado internacional nesta quarta-feira elevou a defasagem dos valores dos combustíveis vendidos pela Petrobras no Brasil ante os praticados no exterior, ampliando pressão para um novo reajuste nas refinarias da petroleira estatal, disseram analistas.

O cenário ocorre em momento em que já havia uma avaliação de que a companhia precisaria reajustar o diesel em breve, uma vez que a Rússia -- atualmente a principal fornecedora externa do combustível ao Brasil -- decidiu restringir as exportações do produto, que vinha chegando ao país com preços mais baixos do que o praticado por outros fornecedores mais tradicionais.

"Como a nova política (de preços da Petrobras) não segue o PPI (preço de paridade de importação), fica sempre difícil analisar quando pode ter o aumento. Mas, sem dúvida, pressiona a companhia", disse à Reuters o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Pedro Rodrigues.

O petróleo Brent chegou a subir cerca de 3% nesta quarta-feira e fechou acima de 96 dólares por barril, em seu maior patamar desde novembro de 2022, após notícias sobre uma queda expressiva dos estoques de óleo bruto nos Estados Unidos.

Já o petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a 93,68 dólares por barril, máxima desde agosto de 2022.

O sócio-diretor da Raion Consultoria, Eduardo Oliveira de Melo, destacou que a disparada do barril do petróleo ocorreu ainda nesta quarta-feira junto com uma alta do dólar, que ficou acima de 5 reais pela primeira vez em mais de um mês.

"Realmente, combinação explosiva", comentou o especialista, pontuando que o diesel vendido pela Petrobras tem mais de 70 centavos de real por litro de defasagem ante a paridade de importação.

Entretanto, apesar de elevada, a defasagem ainda está atrás da atingida em agosto deste ano, de cerca de 1 real por litro, antes da petroleira realizar seu último reajuste, de 25,8% para o diesel e 16,3% para a gasolina, explicou.

Uma vez que o Brasil não é autossuficiente em derivados de petróleo, especialistas recomendam que os preços da Petrobras, principal fornecedora de combustíveis do Brasil, estejam em equilíbrio para não inviabilizar importações por terceiros.

Além de ser suprido pela Petrobras e por algumas refinarias privadas, o mercado brasileiro importa cerca de 25% do óleo diesel e 15% da gasolina.

Já nos cálculos da StoneX, os preços do diesel da Petrobras estariam também mais de 70 centavos de real por litro abaixo da paridade de importação, necessitando de um reajuste de cerca de 19% para igualar. A gasolina, por sua vez, estaria aproximadamente 30 centavos abaixo, necessitando de um aumento de quase 10%.

"Dessa vez, acredito que o câmbio tenha ajudado a piorar a conta. O mercado está ansioso por um ajuste da Petrobras", disse o Head na área Petróleo, Gás e Renováveis da consultoria Stonex, Smyllei Curcio.

Desde que anunciou uma nova estratégia comercial, em maio, a Petrobras deixou de ser obrigada a seguir preços de paridade de importação, passando a considerar outras variáveis na precificação de seus produtos, com a promessa de ser a melhor opção para seus clientes e fornecedores, mas garantindo sua rentabilidade.

A empresa tem ainda segurado por mais tempo a defasagem antes de subir seus preços, em busca de evitar volatilidades. O cenário causa algumas incertezas para importadores do produto.

Procurada, a Petrobras reiterou em nota que "sua estratégia comercial tem como premissa a prática de preços competitivos e em equilíbrio com os mercados nacional e internacional, se valendo de suas melhores condições de produção e logística, ao mesmo tempo em que evita o repasse da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa câmbio".

A petroleira disse ainda que o mercado brasileiro de diesel em 2023 tem apresentado crescimento quando comparado ao ano anterior e que a demanda vem sendo atendida tanto pela Petrobras quanto pelos demais produtores e importadores. A empresa também disse que não tem importado diesel nem gasolina da Rússia.

Sobre Rússia
Sobre a anunciada restrição russa -- cujas vendas representaram em agosto cerca de 70% das compras externas brasileiras --, os especialistas consideram que possa já ter havido até o momento algum impacto marginal em preços, mas que não foi registrado falta de produto no Brasil em função disso.

"O que a gente tem sentindo são alguns aumentos marginais já por conta dessa notícia da escassez envolvendo a restrição na Rússia, que é o primeiro efeito, já cria uma expectativa de restrição de oferta e eleva os preços, mas restrição de produto físico não", afirmou Melo, da Raion.

"Não está sobrando produto, tem algumas restrições, mas nada diferente por conta da notícia envolvendo a Rússia."

Curcio, da StoneX, foi na mesma linha. Disse que uma notícia como essa acaba gerando especulações que podem afetar preços, mas que não foi sentido até agora uma falta dos fluxos da Rússia.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Logística
Vast realiza primeira operação de transbordo de petróleo...
01/04/26
ANP
Audiência pública debate revisão de resolução sobre aqui...
01/04/26
Biocombustíveis
RenovaBio: ANP divulga metas definitivas para as distrib...
31/03/26
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Etanol
Produtor de cana avança com novas estratégias para reduz...
31/03/26
Firjan
Estado do Rio pode receber mais de R$ 526 bilhões em inv...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
iBEM26
No iBEM 2026, Pason destaca apostas da empresa em digita...
31/03/26
Pessoas
Bow-e anuncia Ciro Neto como CEO
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
IBEM26
Encontro internacional de energia vai abrir calendário m...
30/03/26
Biodiversidade
Maior projeto de biodiversidade marinha inicia na região...
30/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Combustíveis
Etanol recua no indicador semanal e fecha a sexta-feira ...
30/03/26
Diesel
ANP aprova medidas relativas à subvenção ao óleo diesel
29/03/26
Pessoas
Ocyan anuncia seu novo diretor Jurídico e de Governança
29/03/26
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
Biocombustíveis
Acelen Renováveis e Dia Mundial da Água: cultivo da maca...
29/03/26
iBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
iBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23