Internacional

Crise de energia na Europa atinge uso de fertilizantes

Bloomberg, 18/08/2022
18/08/2022 09:53
Visualizações: 1384

A crise de energia que afeta a produção de fertilizantes da Europa ameaça forçar agricultores ao redor do mundo a usar ainda menos nutrientes cruciais para o cultivo de alimentos.

O aumento dos preços do gás, um insumo essencial, já reduziu 25% da capacidade de fertilizantes nitrogenados da Europa, estima o CRU Group. Agora, aumenta a expectativa de piora da crise.

Para a Europa, isso pode significar produção ainda menor e mais dependência das importações de amônia, da qual são feitos os produtos nitrogenados.

Isso também terá impacto indireto em outros segmentos. Diante de preços mais altos e oferta mais apertada, agricultores podem reduzir o uso global de fertilizantes em até 7% na próxima temporada, a maior queda desde 2008, alerta a Associação Internacional de Fertilizantes (IFA).

Como consequência, também há o risco de colheitas menores em meio ao aumento do custo de vida e agravamento da fome.

"Se agricultores europeus importarem mais produtos de outros exportadores, então para mercados agrícolas mais frágeis da África subsaariana, sul da Ásia e partes da América Latina, isso tornará o mercado global apertado", disse Laura Cross, diretora de inteligência de mercado da IFA.

A maior queda no uso de fertilizantes na próxima temporada deve ser vista na África Subsaariana, com um declínio de até 23%, segundo a IFA.

Depois do alívio nos meses anteriores, os preços dos fertilizantes começaram a subir novamente, puxados pelo rali do gás por conta da redução da oferta da Rússia e das ondas de calor na Europa que elevaram a demanda.

Fabricantes de fertilizantes europeus foram os mais atingidos pelos altos preços do gás.

O setor global também enfrentou sanções dos EUA e da União Europeia sobre as vendas de potássio da Bielorrússia e a decisão da China de limitar os embarques.

Além disso, o comércio de nutrientes russos sofreu com autossanções impostas por muitos transportadores, bancos e seguradoras e dificuldades em atender as exportações russas.

Atualmente, é muito mais barato importar do que produzir amônia na Europa, de acordo com o CRU.

"Não vejo como alguém continua a produzir na Europa, fora aqueles que fizeram hedge" dos custos do gás, disse Chris Lawson, chefe de fertilizantes do CRU. "Prevemos que os preços da amônia continuem a subir."

A Europa -- que produz cerca de 20 milhões de toneladas de amônia anualmente -- precisa importar outras 200 mil toneladas por mês para amenizar a crise, de acordo com Lawson. Algum alívio pode vir de embarques da região do Mar Negro nos próximos meses, disse.

Com o aumento dos preços do gás desde junho, "redução e paralisações estão acontecendo novamente", disse Lukas Pasterski, porta-voz da Fertilizers Europe. "Em princípio, isso levaria a maiores importações, mas muito depende da disponibilidade e do preço dos fertilizantes no mercado global."

Por enquanto, o mercado de nitrogênio vai permanecer muito apertado, disse na semana passada Bert Frost, vice-presidente sênior de vendas da CF Industries Holdings, uma grande produtora. Com a oferta limitada, deve haver alguma escassez de alimentos no final deste ano e em 2023, prevê.

A crise paralisou ou cortou a produção em 10 das fábricas de fertilizantes da Europa apenas em julho, e as coisas podem piorar daqui em diante.

Segundo o CRU, o nível de capacidade de nitrogênio da região que foi reduzido -- atualmente pelo menos 25% -- provavelmente aumentará.

Os fabricantes de fertilizantes Yara International, K+S, Borealis e Fertiglobe também alertaram recentemente sobre novas restrições de produção em toda a Europa.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
John Crane lança Performance Plus™ para otimizar manuten...
25/05/26
BOGE 2026
Começa nesta quarta (27) o maior evento de petróleo e gá...
25/05/26
BOGE 2026
Com produção em alta, independentes lideram debates na B...
25/05/26
Combustível
Etanol fecha a semana em recuperação moderada, mas merca...
25/05/26
ANP
Workshop debate dinamização da exploração de petróleo e ...
22/05/26
BOGE 2026
ANP participa do Bahia Oil & Gas Energy 2026, em Salvador
22/05/26
Etanol
Com aumento na oferta, preço do etanol acelera queda e a...
22/05/26
Negócio
NUCLEP celebra 46 anos com a assinatura de novo contrato...
22/05/26
Energia Elétrica
ANEEL homologa leilões de reserva de capacidade na forma...
22/05/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP abre 6º ciclo para concessão e 4º...
22/05/26
Saúde, Segurança e Meio Ambiente
IBP debate impactos da revisão da NR-1 sobre saúde menta...
21/05/26
Energia elétrica
TAESA anuncia a aquisição de cinco concessões de transmi...
21/05/26
Meio Ambiente
WCA completa primeiro ano ampliando debates sobre mercad...
21/05/26
Mato Grosso
Setor elétrico de MT avança e prepara nova fase para ate...
21/05/26
Fenasucro
Combustível do Futuro consolida pioneirismo brasileiro e...
20/05/26
Parceria
Radix fecha parceria com Repsol Sinopec Brasil e PUCRS p...
20/05/26
GLP
Prime Energy amplia parceria com Supergasbras no Mercado...
19/05/26
Comunicação
Os bastidores da história da comunicação e da publicidad...
19/05/26
Resultado
Produção total de petróleo em regime de partilha bate re...
19/05/26
Biometano
Naturgy debate cenário de gás natural e oportunidades co...
19/05/26
BOGE 2026
Impacto da geopolítica global no setor de petróleo loca...
19/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25