Energia Elétrica

Brasil deve voltar a importar energia da Venezuela após mais de 4 anos

Reuters, 12/12/2023
12/12/2023 07:21
Visualizações: 1801

O Brasil deve voltar em breve a importar energia elétrica da Venezuela depois de mais de quatro anos de interrupção, em medida que deverá reduzir os custos para atendimento dos consumidores em Roraima não conectados à rede elétrica nacional, defenderam nesta segunda-feira (11) o Ministério de Minas e Energia e a Âmbar, empresa do grupo J&F que foi habilitada para a operação.

A comercializadora de energia da Âmbar foi habilitada pelo governo no fim de novembro a atuar na importação de energia gerada pela usina hidrelétrica de Guri, na Venezuela, em processo que deve começar “em breve”, segundo a empresa.

A autorização dada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para a importação vale até janeiro de 2024.

O Brasil deixou de comprar energia do país vizinho em março de 2019, após uma piora das relações bilaterais entre os países.

A interrupção das importações fez com que os consumidores do Estado de Roraima passassem a ser totalmente atendidos por geração local a partir de usinas termelétricas movidas a diesel, mais caras.

Roraima é o único Estado do país que não está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), dependendo de geração local. O combustível usado por essas termelétricas é subsidiado pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), principal encargo cobrado na conta de luz de todos os consumidores.

Somente em 2023, o orçamento da CCC alcançou R$ 12 bilhões.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o retorno da importação de energia da Venezuela ajudará a reduzir os custos com geração a óleo diesel para Roraima, que hoje chegam a R$ 1.700 o megawatt-hora (MWh).

“A energia está sendo ofertada pela Âmbar a um custo médio 50% inferior ao preço atualmente pago pelos consumidores para abastecer o estado de Roraima”, disse a Âmbar, em nota.

Segundo ata de reunião do CMSE que autorizou a importação, os preços para a operação propostos pela empresa são de R$ 1.080,00/MWh para importação de até 30 MW de energia e de R$ 900 /MWh para volumes entre 31 e 60 MW.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira apontou que os valores previstos para a importação da energia venezuelana agora são muito superiores aos do contrato vigente entre os países até 2019, que ficavam em até 28 dólares/MWh.

Na época, a operação ocorria por meio da Eletrobras, que ainda era controlada pela União e, até 2018, era responsável pela distribuição de energia em Roraima.

Uma fonte com conhecimento do assunto, que pediu para não ser identificada, afirmou que os preços atuais de importação são mais elevados por serem negociados em contrato de curto prazo, com três meses, enquanto o acordo anterior era de longo prazo e válido por 20 anos.

A fonte disse ainda que a Venezuela embutiu, no preço negociado com a Âmbar, os custos com a reforma e modernização da linha de transmissão que chega ao Brasil.

Em nota respondendo à matéria da Folha, o Ministério de Minas e Energia afirmou que a decisão de retomar a importação da Venezuela é “exclusivamente técnica” e não passa pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“O processo de importação de energia elétrica ocorrerá de maneira estritamente criteriosa, contemplando a análise de risco quanto ao atendimento do Estado de Roraima (coordenado pelo ONS), e à economia na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC)”, disse a pasta, em nota.

O ministério afirmou ainda que o modelo de importação adotado para a interligação com a Venezuela segue o mesmo praticado com Uruguai e Argentina, no qual qualquer interessado pode pleitear autorização para importação, não havendo exclusividade para a Âmbar.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Conteúdo Local
ANP abre consulta prévia sobre regras de preferência a f...
15/05/26
Etanol
Alteração de normas sobre comercialização de etanol anid...
15/05/26
Descomissionamento
ANP aprova realização de consulta e audiência públicas p...
15/05/26
Resultado
Vallourec registra alta eficiência operacional no Brasil...
15/05/26
Energia Elétrica
Encontro das Indústrias do Setor Elétrico reúne mais de ...
15/05/26
Apoio Marítimo
Wilson Sons lança novo rebocador para operar no Porto de...
14/05/26
Hidrogênio
ANP e OCDE realizam wokshop sobre gerenciamento de risco...
14/05/26
Pré-Sal
Campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, recebe tec...
13/05/26
Resultado
No primeiro trimestre de 2026 Petrobras registra lucro l...
13/05/26
Biometano
CNPE fixa meta inicial de 0,5% para biometano no gás nat...
13/05/26
Mão de Obra
Setor de Óleo & Gás enfrenta apagão de talentos diante d...
13/05/26
Evento
"Mato Grosso vai se tornar a Califórnia brasileira", diz...
13/05/26
Evento
Tauil & Chequer Advogados associado a Mayer Brown realiz...
13/05/26
Combustíveis
ANP fará consulta e audiência públicas sobre serviço de ...
12/05/26
Evento
IBP promove evento em São Paulo para debater futuro da e...
12/05/26
Internacional
Nos Estados Unidos, Firjan participa do Brasil-U.S. Indu...
12/05/26
Pessoas
MODEC anuncia Yosuke Kosugi como novo CEO no Brasil
11/05/26
BOGE 2026
John Crane oferece manutenção preditiva por meio de solu...
11/05/26
Gás Natural
Compass realiza IPO na B3
11/05/26
Crise
Estreito de Ormuz, sustentabilidade e arbitragem serão d...
11/05/26
Indústria Naval
Ghenova lidera engenharia dos navios gaseiros da Ecovix ...
11/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23