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Volatilidade de preços e gerenciamento do capital de giro nos postos de combustíveis e serviços, por Renato Rocha

Redação TN Petróleo/Assessoria
09/08/2021 17:12
Volatilidade de preços e gerenciamento do capital de giro nos postos de combustíveis e serviços, por Renato Rocha Imagem: Divulgação Visualizações: 1330

O mercado internacional de petróleo vive altos e baixos em meio à pandemia de Covid-19. O valor do recurso, por ser uma commodity, sofre variações constantes, o que impacta diretamente nos derivados, como o preço dos combustíveis. Como efeito desse cenário, os revendedores de combustíveis precisam fazer todo um ajuste contábil. Essa volatilidade vem preocupando os empresários do setor e pode ter impacto direto em um dos principais ativos que existem dentro do posto, o capital de giro, e a administração exige ainda mais cuidados.

O capital de giro é basicamente o dinheiro que faz o negócio "girar", ou seja, a base financeira para sustentar qualquer empresa e financiar suas atividades. Com o valor certo em caixa, a empresa tem "giro" suficiente para manter seu funcionamento e cobrir os custos até a entrada das receitas. Porém, quando há essa volatilidade de preços, principalmente no caso do mercado de combustíveis, pode haver um desequilíbrio nessa conta entre comprar por um valor mais alto e conseguir repassar esse aumento na revenda. Isso faz com que o revendedor tenha que colocar mais dinheiro para o que chamamos de "custo de reposição". Cada variação de preço faz com que a necessidade de capital de giro aumente.

Se o gestor não tem essa reserva para incluir no capital de giro e garantir a liquidez do negócio, acaba precisando buscar recursos de terceiros ou, muitas vezes, tem que tirar do próprio bolso. É por isso que o segredo de uma boa gestão financeira inclui calcular o capital de giro do negócio e gerenciá-lo continuamente. A técnica para calculá-lo é relativamente simples, principalmente se isso já for automatizado por um sistema ou planilha. No entanto, o ponto principal é que ele esteja na rotina dos empresários. Mais do que entender o cálculo, é preciso ter a clareza diária na gestão desse recurso.

Para reduzir essa exposição do capital de giro, é preciso melhorar o ciclo financeiro da empresa. Isso significa encontrar meios para reduzir o período entre o pagamento do combustível até o recebimento pela venda do produto: seja negociando o prazo de pagamento com a distribuidora ou reestruturando o recebimento por meio de uma política de crédito bem definida, por exemplo. Outro ponto é a gestão dos estoques. É preciso olhar para o negócio como um todo e estar atento não somente ao estoque de combustível, mas às informações de mercado e previsibilidade, entendendo quais os melhores momentos para a compra. Além disso, é necessário dar atenção à logística tanto no momento da compra quanto da venda.

Tudo isso terá impacto no capital de giro, mas, claro, não se resume a isso. O ponto de partida, que vai além dessa revisão cultural, é justamente melhorar a saúde financeira do capital de giro. Isso só pode ser feito por meio de uma gestão financeira eficiente. A relação entre fluxo de caixa e o giro, por exemplo, é muito próxima, visto que o último é calculado a partir das receitas e despesas. A base de sustentação de todo o negócio é o controle financeiro: fluxo de caixa, plano de vendas, orçamento das despesas, painel de indicadores de performance. Esses devem ser o “livro de cabeceira” do revendedor. São pontos de apoio para validar todas as questões de controle financeiro e ajudar na gestão como um todo.

O revendedor deve também sempre se manter atento às oscilações de mercado. Muitas dessas antecipações podem ser mais facilmente gerenciadas se o posto é bandeirado. Existe uma relação de parceria muito forte, principalmente no que diz respeito ao suporte ao revendedor. Ele vai contar com uma assessoria para inteligência de mercado e tem mais abertura para negociação, principalmente em momentos de turbulência como o atual.

Sobre o autor: Renato Rocha é diretor comercial da ALE Combustíveis

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