Bioincrustação
Redação TN Petróleo/Assessoria BioRen
O transporte marítimo movimenta cerca de 80% do comércio global e enfrenta uma pressão crescente para reduzir emissões, aumentar eficiência operacional e cumprir metas ambientais cada vez mais rigorosas. Nesse contexto, as indústrias naval e offshore precisam, cada vez mais, de alternativas que garantam o cumprimento de suas metas de sustentabilidade e, ao mesmo tempo, representem baixo custo. Um dos desafios a ser enfrentado nesse cenário é o da bioincrustração.
O fenômeno da bioincrustração ocorre com o acúmulo de algas, bactérias, moluscos, corais e outros organismos em superfícies submersas. Embora seja um processo natural, seus impactos econômicos e ambientais são significativos. Além de comprometer a performance de embarcações, afeta sistemas de resfriamento, caixas de mar e equipamentos críticos, gerando paradas não programadas, aumento da manutenção e perda de produtividade. Estimativas do setor apontam que os prejuízos globais associados ao problema cheguem a impressionantes US$ 100 bilhões.
Reconhecida pela Organização Marítima Internacional (IMO) como uma das principais vias de disseminação de espécies invasoras entre ecossistemas marinhos, ao lado da água de lastro, a bioincrustração é uma ameaça crescente à biodiversidade e à chamada economia azul, que depende da preservação dos recursos oceânicos para sustentar atividades como transporte, energia, pesca e turismo.
Segundo a IMO, até mesmo uma fina camada de organismos aderidos ao casco pode causar perda relevante de eficiência, sendo que em situações mais severas, com bioincrustações calcáreas esse aumento pode chegar a 90%, dependendo das características do navio e das condições de operação. Como efeito, as emissões aumentam proporcionalmente através do consumo maior de combustível e os custos operacionais ficam maiores, enquanto a eficiência energética é reduzida.
No Brasil, um dos casos mais emblemáticos é o avanço do coral-sol, espécie invasora originária da Ásia. Introduzido por estruturas e embarcações marítimas, o organismo se espalhou por diferentes regiões da costa brasileira, competindo com espécies nativas e alterando ecossistemas marinhos. Para operadores offshore, o problema também representa custos adicionais, uma vez que a remoção do coral frequentemente exige intervenções subaquáticas complexas e a mobilização de equipes especializadas de mergulhadores.
Historicamente, o enfrentamento à bioincrustração foi conduzido de forma reativa, quando os impactos já haviam se tornado evidentes. Grande parte das soluções disponíveis baseia-se no uso de tintas anti-incrustantes com biocidas e metais, como cobre e zinco, que podem gerar efeitos ambientais indesejados devido à liberação contínua dessas substâncias no ambiente marinho.
Esse modelo, porém, começa a ser questionado. A busca por maior eficiência energética, associada às metas de descarbonização e aos compromissos ESG assumidos por empresas e investidores, tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias capazes de prevenir a formação de bioincrustações sem recorrer a produtos químicos.
Entre essas iniciativas está a tecnologia que utiliza campos eletromagnéticos patenteados para impedir a fixação e o desenvolvimento de organismos marinhos em cascos, caixas de mar, filtros e sistemas de resfriamento, sem o uso de biocidas, como o desenvolvido pela BioRen.
Os resultados observados em campo reforçam o potencial dessas novas abordagens, com registros de redução superior a 90% no crescimento da espécie invasora em comparação a casos semelhantes sem a utilização da tecnologia BioRen para combater esses micro-organismos.
Mais recentemente, a Petrobras iniciou testes da solução em um navio-sonda que opera na costa brasileira. O projeto vem sendo acompanhado ao longo de um ano para avaliar sua eficácia na prevenção em condições operacionais reais.
A bioincrustração é um desafio antigo e sua relevância tende a crescer nos próximos anos. No entanto, a evolução tecnológica demonstra que crescimento econômico e responsabilidade ambiental não precisam seguir caminhos opostos. O avanço de soluções inovadoras para o controle da proliferação desses organismos mostra que é possível aumentar a eficiência operacional, reduzir emissões e proteger a biodiversidade marinha ao mesmo tempo.
Esse é o tipo de inovação que a indústria marítima precisará escalar para se tornar mais competitiva nos próximos anos.
Sobre o autor: Luiz Gustavo Cidade, CEO da BioRen.
Fale Conosco
25