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Parceria entre universidade e empresas: por que ela se torna cada vez mais tão essencial para o avanço da ciência? por Gustavo Pagotto Simões

Redação TN Petróleo/Assessoria
27/09/2021 14:20
Parceria entre universidade e empresas: por que ela se torna cada vez mais tão essencial para o avanço da ciência? por Gustavo Pagotto Simões Imagem: Divulgação Visualizações: 1795

O mundo hoje vive às voltas com diversos desafios. Um deles, mais recente, e que ainda coloca em xeque uma série de questionamentos, é a Covid-19. O surgimento desse vírus voraz, que assolou economias e matou mais de 4,5 milhões de pessoas, mostrou um fato: a importância de se investir em pesquisa e inovação, e o quanto a universidade e o mundo empresarial devem andar de mãos dadas.
A chegada do SARS-CoV-2 pegou todo mundo desprevenido. O vírus não pediu licença para entrar, ele derrubou portas de nações, de empresas e da sociedade, fazendo um grande estrago. No entanto, quem já tinha o olhar voltado para a busca de inovação conseguiu rapidamente encontrar soluções para lidar com a pandemia e contribuir para a contenção do vírus.
E não existe pesquisa e desenvolvimento de fato, se não temos a colaboração do mundo acadêmico. Posso falar isso por conta própria, pois vivemos essa experiência na Nanox. Como já temos um DNA forte voltado para a pesquisa e inovação - pensamos nisso o tempo todo - e pudemos colocar em prática essa premissa para tentar reduzir a força da pandemia em nossos negócios, mas também fazer a nossa parte de contribuir com alguma solução que pudesse ajudar a barrar a ferocidade do SARS-CoV-2.
Nesse momento, aquela máxima que diz que "a união faz a força" nunca foi tão verdade. Demos as mãos para diversos pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e partimos para uma jornada de descobertas. Enquanto a universidade viabilizava possibilidades, nós nos encarregamos de fazer todas as testagens.
As investigações experimentais foram acompanhadas por cálculos e simulações, feitas por meio de métodos e técnicas avançadas de mecânica quântica, que permitiu a descoberta de tecnologia de prata que eram capazes de inativar o SARS-CoV-2 em poucos minutos, dependendo do material onde era aplicado.
Essa inovação possibilitou a criação da primeira máscara de proteção contra a Covid-19, com eficácia de mais de 99% de eliminação do novo coronavírus por contato. Fico pensando em quantas milhares de vidas essa inovação permitiu que fossem poupadas da morte ou da contaminação.
Graças à parceria entre iniciativa privada e universidade, conseguimos destinar essa inovação ao mercado em pouquíssimo tempo - poucos meses após o início da pandemia. A partir daí, um mundo de possibilidades se abriu para sua aplicação: das máscaras, passaram a fazer parte de roupas, uniformes, toalhas de mesa, roupa de cama, pisos, filmes plásticos, móveis, entre outros.
Até o momento, a tecnologia já foi empregada em três mil metros quadrados de tecidos por empresas como Delfim Tecidos e outras; em 500 milhões de toneladas de plásticos produzidos por várias empresas, como a AlpFilm, Polofilmes e Promaflex; 60 toneladas de papel fabricados pela indústria Irani; um milhão de metros quadrados de madeira pela Duratex e Guararapes; e em oito milhões de metros quadrados que saíram da fábrica da JBS Couros.
Além da prática, colocamos no papel toda essa experiência em um artigo científico, cujo título é "SIO2-Ag Composite as a Highly Virucidal Material: A Roadmap that Rapidly Eliminates Sars-Cov-2", que foi publicado em março deste ano na revista internacional Nanomaterials. O assunto despertou tanto a atenção da academia - foram feitos mais de 1.300 downloads do material até o momento - e o artigo foi considerado um "hot paper" pela editora.
O material foi escrito a várias mãos, por uma equipe multidisciplinar liderada pelos pesquisadores Elson Longo, professor do Departamento de Química da UFSCar e diretor do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF); Juan Andrés, professor do Departamento de Química Física e Analítica da Universitat Jaume, da Espanha; além de mim e Daniel Minozzi, fundadores e diretores da Nanox Tecnologia.
Além de possibilitar inovações que podem mudar o mundo, ter a chancela de uma universidade em produtos e soluções, se traduz em confiança sobre o resultado. Que as mãos da academia estejam sempre entrelaçadas com a iniciativa privada. Todos só têm a ganhar com essa união.
Sobre o autor: Gustavo Pagotto Simões é doutor em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), co-fundador e Diretor da Nanox.

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