Artigo

O fomento e os desafios do uso do etanol no território brasileiro, por J.A.Puppio

Redação TN Petróleo/Assessoria
13/10/2022 13:23
O fomento e os desafios do uso do etanol no território brasileiro, por J.A.Puppio Imagem: Divulgação Visualizações: 1568

Muito se fala em sustentabilidade, na utilização de recursos limpos e renováveis, na preservação do meio ambiente. Pouco se faz, ainda, para que essas e outras atitudes sejam, de fato, aplicadas no cotidiano das pessoas. Aliás, o incentivo às práticas de consumo consciente deve-se “começar do começo”, ou seja, com leis específicas que visam implementar medidas para mudança de hábitos de consumo.

O carro à álcool surgiu de uma crise, a chamada Crise do Petróleo de 1973. O Brasil foi impactado da mesma forma que os grandes mercados internacionais, porém, para resolver esse entrave, o país criou um combustível alternativo.

Em 1951, no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), o professor e engenheiro Urbano Ernesto Stumpf deu início às pesquisas que culminaram no desenvolvimento do motor a álcool. Posteriormente, apresentou ao governo a tecnologia que permitiu aos automóveis rodarem com o álcool hidratado – o popular etanol.

Dessa forma, em novembro de 1975, foi criado no Brasil o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), criado por decreto governamental. Tal programa contribuiu para impulsionar a produção de bioenergia no país, conferindo uma das maiores realizações baseadas em ciência e tecnologia com selo 100% brasileiro.

Encostando nos anos 80 – mais precisamente em julho de 1979 – uma indústria automobilística lançou no mercado nacional o primeiro carro movido a álcool combustível. O Fiat 147 foi fabricado comercialmente com motor preparado para receber o combustível à base de cana-de-açúcar.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. O país poderia ser protagonista do uso do etanol, a fim de diminuir as emissões de gás carbônico (CO2). No entanto, essa cultura não vem sendo adotada, mesmo com a oferta do produto nas bombas, em tempos que às ações em prol da sustentabilidade deveriam ser palco das atenções em nível global.

Tanto o Brasil como os Estados Unidos se diferenciam em relação a muitos países por suas extensas áreas agricultáveis, facilitando o cultivo de cana-de-açúcar ou milho para a produção de combustível. Eis o fato que justifica a disseminação do uso do etanol no país. Porém, as estratégias das montadoras automobilísticas estão mais voltadas à eletrificação das frotas – tática a qual atende os principais mercados da Europa no quesito sustentabilidade.

No entanto, uma nova gasolina também vem para competir. Feita de CO2 captado da atmosfera, o resultado é um combustível limpo e renovável, e vem sendo a grande aposta de algumas empresas, como a Porsche, que está construindo uma fábrica desse tipo de combustível no Chile.

O questionamento, contudo, fica em torno do porquê não usar o etanol? Além de exigir adaptações nos motores, esse tipo de combustível é popular apenas no Brasil. Em tempos atuais, a indústria automobilística já tem a sustentabilidade conceituada, com projetos sólidos de renovação e substituição nas frotas por veículos menos poluentes e de zero emissão. No entanto, às culturas regionais devem se conscientizar em consumir uma energia limpa, pois tem a oferta, mas não se tem consciência.

Sobre o autor: J.A.Puppio é empresário, diretor-presidente da Air Safety e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Reconhecimento
ENGIE Brasil obtém nota máxima no CDP, entidade global q...
08/01/26
Ceará
Empresas cearenses lideram projeto H2MOVER-Pecém, seleci...
07/01/26
Apoio Marítimo
Ambipar realiza mais de 600 atendimentos no ano em respo...
06/01/26
Santos
Petrobras celebra 20 anos da Unidade da Bacia de Santos
06/01/26
Bacia de Pelotas
TGS disponibiliza aplicativo de segurança marítima para ...
06/01/26
Diesel
Petrobras e Vale avançam com parceria no fornecimento de...
05/01/26
ANP
Em novembro o Brasil produziu 4,921 milhões de barris boe/d
05/01/26
Negócio
KPMG: fusões e aquisições em petróleo têm recuo de quase...
05/01/26
Etanol
Anidro e hidratado iniciam o ano em alta pelo Indicador ...
05/01/26
Pré-Sal
Com a FPSO P-78, Petrobras inicia produção de Búzios 6
02/01/26
Pré-Sal
Seatrium conquista primeiro marco do escopo completo da ...
02/01/26
Biometano
Edge e Orizon obtêm autorização da ANP para comercializa...
02/01/26
Biodiesel
ANP prorroga suspensão da comercialização de biodiesel e...
30/12/25
Portos
Governo Federal aprova estudos finais para arrendamento ...
30/12/25
Petrobras
Brasil avança para atender demanda de combustível susten...
29/12/25
Leilão
Petrobras coloca em leilão online as plataformas P-26 e P-19
29/12/25
Automação
A capacitação da tripulação e a conectividade são os ver...
29/12/25
Royalties
Valores referentes à produção de outubro para contratos ...
24/12/25
PD&I
ANP aprimora documentos relativos a investimentos da Clá...
23/12/25
CBios
RenovaBio: prazo para aposentadoria de CBIOS por distrib...
23/12/25
GNV
Sindirepa aguarda redução no preço do GNV para o início ...
23/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.