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Espaços corporativos: 3 estratégias arquitetônicas para o contexto atual e futuro, por Giselle Dziura


12/06/2020 14:14
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O contexto atual em função da pandemia da Covid-19 está levando muitas empresas a repensarem os negócios. Felizmente, muitos aspectos que antes ainda não eram fatores primordiais para muitas organizações começaram a fazer sentido de modo mais intenso, principalmente relacionados com a saúde, segurança do trabalho, sustentabilidade do negócio e do espaço físico (arquitetura).

A saúde foi o pivô deste movimento de mudança, que já era um caminho sem volta, pois fatores como estresse, ansiedade, transtornos mentais, psíquicos e comportamentais já assolavam os espaços de trabalho antes do advento da pandemia. E aliado à saúde, o edifício se relaciona diretamente, pois é a conexão direta com estímulos que o espaço provoca, seja pelo ar que respiramos, pelos materiais empregados, pela iluminação e ventilação, sistemas de resíduos, ruídos, e outros tantos aspectos que influenciam a vida dos colaboradores. Entendo que os espaços arquitetônicos são o cenário onde as empresas atuam, as pessoas realizam as atividades, as máquinas e equipamentos estão instalados, os fluxos operacionais acontecem, os recursos são atribuídos, entre outros.

Divulgação

Em virtude da necessidade de enfrentar este momento ímpar, apresento três estratégias que podem ajudar as empresas e incrementar os espaços físicos.

Espaços de trabalho inteligentes (Smart Workplaces)

1 - Os Smart Workplaces são espaços flexíveis, híbridos e interativos. Abrir a possibilidade de trabalhar 3x2 ou 4x1, por exemplo, possibilita que sejam liberados espaços físicos abertos, favorecendo o distanciamento das pessoas. Trabalhar três dias em casa e dois dias no escritório, por exemplo, é uma das possibilidades que o trabalho remoto permite, desde que a tecnologia e a segurança remota atendam às necessidades. Espaços de coworking deixam de ser somente destinados para startups e adentram as empresas. Mobiliários ativos e despersonalizados ganham força.

Layouts que favorecem a circulação e movimento corporal são estratégias significativas. Assim, os projetos arquitetônicos dos espaços físicos devem ter projeto especial para considerar as necessidades de acordo com a cultura e política organizacionais, seja no ambiente corporativo, seja no home office.

2 - Espaços de trabalho saudáveis [Health Workspaces]

Rever e adaptar todos os espaços arquitetônicos para que atendam às questões sanitárias é uma das premissas. E para isso, devem ser consideradas questões como distanciamento social, escolha e adequação de materiais, considerações sobre a ventilação, iluminação, conforto higrotérmico, acústico, visual e olfativo.

Conforme pesquisa do International Stress Management Association, o estresse representou 45% de todos os dias de trabalho perdidos por problemas de saúde. E, consequentemente, essa condição acaba impactando na sua produtividade. Somada à questão de mudanças atuais devido à pandemia, os espaços arquitetônicos requerem um funcionamento cada vez mais saudável.

3 - Espaços corporativos sustentáveis (Sustainable Workplaces)

Os recursos ambientais utilizados em uma empresa referem-se à minimização do uso energético, a preservação dos recursos como água, à redução de resíduos, entre outros. Sobre a gestão patrimonial busca-se a durabilidade, facilidade de manutenção, flexibilidade, adaptabilidade e redução de custos com limpeza e manutenção. Por conforto, saúde e bem-estar, os espaços corporativos devem otimizar os insumos solares, vento e umidade para garantir condições de qualidade para os usuários em períodos frios e quentes, estudo de viabilidade de equipamentos e sistemas, biofilia, e outras estratégias, a fim de atender às premissas da arquitetura bioblimática. Além disso, os espaços devem ser sensíveis aos ruídos internos e externos, permitir acesso à luz do dia e vista ao exterior, dispor de um nível de iluminação artificial conforme NBR ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013, garantir uma ventilação eficaz sem odores prejudiciais, entre outros.

À medida que o trabalho for retornando, é preciso que as empresas melhorem a capacidade de combater o vírus, assim como a qualidade dos espaços físicos.

Pensando em tudo que estamos vivendo, encorajar e engajar o cuidado integral com a saúde do colaborador deve fazer parte de um plano entre colaborador e gestor.

A arquitetura e o design de interiores ganham cada vez mais importância não somente porque aumentou o tele trabalho ou home office, mas também porque há uma necessidade em solucionar questões sobre saúde, segurança, tecnologias nos espaços corporativos como um todo. E, portanto, se pensa arquitetura integrada à gestão.

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Somar a interatividade, a internet e as tecnologias pode aumentar a inteligência das coisas, favorecendo a dinâmica dos espaços e sistemas mais saudáveis.

E você, está preparado para a nova realidade dos espaços corporativos saudáveis?

Sobre a autora: Giselle Dziura é arquiteta e urbanista, doutora em Arquitetura e coordenadora dos cursos de pós-graduação em Arquitetura do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

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