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A descarbonização e a redução da pegada de carbono na América Latina, por Marcus Silva

Redação TN Petróleo/Assessoria
11/01/2023 12:58
A descarbonização e a redução da pegada de carbono na América Latina, por Marcus Silva Imagem: Divulgação Visualizações: 1934

A COP27 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) traz ao debate as medidas efetivas tomadas pelos países, que se comprometeram a fortalecê-las para 2030. Dados do Climate Action Tracker (CAT), de junho de 2022, apontam que, se as metas de redução de emissões estabelecidas até agora forem implementadas, o mundo aqueceria 2,4°C até 2100, mesmo com os líderes globais concordando com o Acordo de Paris para manutenção do nível de aquecimento abaixo de 2°C.

O tema não é novo, já que desde 1992 a ONU debate o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. Porém, a COP26 foi decisiva, pois contou com um forte posicionamento do setor empresarial, reunindo 119 CEOs e 14 instituições do setor privado, além da sociedade civil, ambientalistas, indígenas, entre outros.

Além disso, a situação geopolítica atual, ao mesmo tempo que trouxe de volta a necessidade do uso do carvão em alguns países da Europa, com a elevação do preço do petróleo e do gás natural, fez também com que decolassem vários modelos financeiros para projetos de energia renovável e hidrogênio verde. Que os projetos existem é fato, mas como tirá-los do papel? Que países estão realmente cumprindo suas promessas?

Com relação à América Latina, os governos devem focar em planos diretores nos quais a sustentabilidade venha a ser um assunto de Estado e não de Governo, para que tenha uma continuidade na passagem entre líderes. As iniciativas estão ainda muito isoladas. É possível e necessário que os países da América Latina trabalhem juntos e usem as suas experiências para avançar mais rapidamente.

Na geração de energia elétrica o Brasil, por exemplo, está bem avançado, já que 84% de seu parque é renovável. O país publicou um decreto em 2022 sobre a utilização do biometano e metas de descarbonização. É preciso ir adiante com esta normativa. A Argentina pretende utilizar ainda por algum tempo suas reservas de gás natural, mas capturando uma parte do CO2 gerado, seja mecanicamente ou através de projetos de reflorestamento, e trabalha em legislação sobre hidrogênio verde.  Já o Chile avança em seu modelo de transição energética, sendo um dos primeiros países a sair com uma política clara para produção de hidrogênio verde. Enquanto isso, alguns dos demais países da América Latina, por diferentes razões, não vivenciam a mesma situação, ficando mais expostos ao gás natural e a outros combustíveis fósseis.

O trabalho na América Latina vai evoluir ainda mais a partir da normatização e de ações governamentais claras, além de disponibilização de tecnologia, parcerias entre Estado e Indústria, em especial com foco em exportação de energia limpa.

As empresas, em sua maioria, têm estipulado suas metas de pegada zero e tomado ações, como a compra de energia renovável. Outras ações importantes, sob o ponto de vista da indústria, é o alinhamento na cadeia de suprimentos, com renovação de frotas para a movimentação a biometano ou veículos a célula de combustível a hidrogênio, neste caso mais a longo prazo. Cito o biometano, porque ele tem um potencial de aquecimento 80 vezes maior que o CO2 e uma maneira de reduzir as suas emissões é usá-lo como combustível, mesmo gerando CO2, que é recapturado nos ciclos biológicos associados às diferentes culturas.

Além disso, é preciso um trabalho global de conscientização sobre como as pessoas podem contribuir no dia a dia para a diminuição das emissões de gás carbônico. Algumas alternativas são evitar o consumo de combustíveis fósseis, por meio da manutenção do trabalho híbrido, com menos viagens, deslocamentos e uso dos veículos, uma vez que hoje temos suporte dos meios digitais para comunicação, troca de eletrodomésticos por novos mais eficientes energeticamente e substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas a LED.  

Se cada um focar em cumprir seus compromissos com o planeta, os efeitos climáticos, hoje tão perceptíveis, tendem a ser melhor controlados e todos poderão usufruir de uma melhor qualidade de vida. Fica a lição de casa para todos os países, empresas e cidadãos.

Sobre o autor: Marcus Silva é Gerente Geral da Air Products Brasil e Argentina, empresa que tem como um dos focos reduzir as emissões de CO2 por meio de aplicações de novas tecnologias voltadas à eficiência energética, captura e sequestro de carbono

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