Depois de uma demissão, três dicas para reinventar sua carreira

28/03/2023 10:49

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As demissões sem causa justa muitas vezes pegam as pessoas de surpresa. Mesmo os melhores funcionários podem acabar desempregados devido a mudanças radicais no setor onde atuam, à necessidade da empresa de ter que fazer cortes no grupo funcional ou à mudança nas prioridades da empresa.

Assim, o que se deve fazer depois do choque inicial? Cair de cabeça em busca de outro emprego?

“Para muitas pessoas, o instinto inicial resulta em uma enxurrada de atividades”, diz Ellen Taaffe, professora assistente clínica de administração e organizações e diretora de programas de liderança feminina da Kellogg School.

Entretanto, esse excesso de atividade pode ser contraproducente e roubar a chance de avaliar o que realmente deseja em sua carreira—e o que se precisa fazer para chegar lá. Mesmo o desgastado conselho de dedicar o mesmo tempo na busca de emprego do que em um emprego em tempo integral pode sair pela culatra, adverte Taaffe, uma vez que pode criar pressão indevida para aceitar a primeira oportunidade que apareça, independe de ser o melhor para você.

Taaffe criou três passos para superar uma demissão involuntária e se preparar para a próxima etapa na sua carreira.

1. Dê um tempo para ganhar perspectiva

Imediatamente após a demissão, são muitas as emoções. É possível que se sinta uma combinação de descrença, raiva, traição e constrangimento, mesmo que o seu desligamento faça parte de uma grande onda de demissões.

É importante reconhecer a demissão como um grande evento da vida, diz Taaffe. Entregar-se ao desejo de passar por cima da situação pode significar que não se aprendeu muito com a experiência.

“Dar tempo para refletir, fazer exercícios, passar um tempo na natureza ou voltar aos hobbies pode ajudá-lo(a) a ganhar perspectiva e recuperar o seu equilíbrio”, diz Taaffe. “Mesmo se for só um fim de semana com pessoas que te conhecem e se preocupam com você pode ajudar a posicioná-lo(a) melhor e dar um espaço para respirar”.

Obviamente, nem todo mundo está em posição financeira para sobreviver por muito tempo sem renda.

Mas, muitas vezes, há mais tempo para se dar um tempo do que se pode achar no início da época desempregado(a). Taaffe recomenda dedicar um tempo para descansar e refletir na busca de emprego, conforme a situação financeira permitir.

“Conversar com outras pessoas que passaram pela mesma situação pode ajudá-lo(a) a evitar enxergar tudo como uma catástrofe”, acrescenta Taaffe. Com o tempo, verá que a experiência será apenas um pontinho no currículo, mesmo que seja dolorosa naquele preciso momento. Isso pode abrir novas oportunidades e levar a algo que você sempre quis fazer”.

2. Recalibre as prioridades

A próxima busca de emprego deve começar com uma avaliação. Faça uma análise do que mais gostou no cargo que ocupou anteriormente e pense no que é o mais importante para você agora. Taaffe recomenda a criação de uma lista das 10 prioridades para o próximo emprego. Por exemplo, seu interesse pode ser um tipo específico de trabalho, ou talvez em um trajeto mais curto de ida e volta do trabalho, ou a oportunidade de desenvolver novas habilidades.

Esta lista lhe dará uma maneira de avaliar possíveis novos empregos, comparando seus recursos com as prioridades na lista. Este exercício faz com que se lembre que você tem um certo grau de controle sobre o processo e que nenhum emprego é perfeito, mas alguns são mais adequados às suas prioridades do que outros.

“Nenhum emprego será 100% ideal e a maioria não será mais do que 80% a 90% adequado a você. No entanto, com este exercício, você poderá reconhecer que determinados aspectos do emprego são fatores decisivos na sua decisão”, diz Taaffe.

Depois que o cargo de gestão de marca de Taaffe na Whirlpool foi eliminado durante a crise financeira de 2008–09, e ao avaliar empregos semelhantes em outros setores, ela percebeu que estava cansada de apresentar slides e sentar-se em reuniões o dia todo.

“O que eu queria fazer era trabalhar com pessoas boas e inteligentes para promover marcas e insights do consumidor”, diz ela. “Eu sempre quis experimentar fazer algo mais empreendedor”.

Depois de 25 anos trabalhando em empresas corporativas americanas, ela entrou em uma empresa de pesquisa de mercado e estratégia de marca de pequeno porte, onde liderou uma microempresa com uma cultura incrível, diversificou o portfólio de produtos e serviços e fez mais o tipo de trabalho que amava, que era coaching e criação de negócios.

Porém, entender bem quais oportunidades específicas correspondem às suas prioridades exige tempo e esforço. Assumir um projeto de consultoria é uma maneira útil de aprender como os membros da equipe interagem entre si e trabalham. Taaffe liderou uma sessão de engajamento estratégico antes de aceitar o novo desafio de trabalhar para a nova empresa, uma vez que isso permitiu que acreditasse que a função ideal seria o próximo passo.

Sem acesso ao funcionamento interno da empresa onde se trabalhava pode ser difícil ver além dos títulos dos cargos e da remuneração para de fato avaliar o seu interesse na estrutura do trabalho, na cultura da empresa e nas oportunidades de crescimento dentro de um novo local. Durante as entrevistas, Taaffe recomenda perguntar aos funcionários atuais como eles descreveriam a cultura e quais tipos de pessoas são bem-sucedidas na organização, bem como o que acontece quando algo dá errado.

“Algumas empresas acreditam que se não falham em algo todos os anos, não são inovadoras o suficiente”, diz ela. “Para outras empresas, se o lançamento do produto falhar, todos na equipe perdem o emprego. Trata-se de entender como lidam com o risco. O mais importante é se perguntar: essa empresa representa uma cultura onde poderei aprender e prosperar?”

3. Confie na sua rede

Um aspecto potencialmente constrangedor quanto se entra novamente no mercado de trabalho é ativar a rede que cultivou ao longo da carreira. Embora Taaffe aconselhe seus alunos a permanecerem conectados com a rede que montaram de uma forma consistente—de forma que não entrem em contato apenas quando precisam de algo—nem sempre é fácil criar coragem e tempo para tal.

“Depois de ter passado por uma demissão, a tendência é não deixar a rede ficar dormente novamente”, diz Taaffe. “Mas quando isso acontece pela primeira vez, pode ser necessário fazer um esforço para reativar esses relacionamentos”.

Taaffe tem algumas regras simples para entrar em contato com pessoas com quem não se conversa há tempo: reconheça o período no qual perderam contato e explique que gostaria de se reconectar. Em seguida, diga que foi demitido e que gostaria de ouvir como a história e mudanças de carreira do seu contato podem ser úteis para ajudar você a descobrir os próximos passos a tomar na sua profissão.

Algumas pessoas que passam por demissões acham mais fácil pular o contato pessoal e procurar conselhos de forma mais aberta. Um dos ex-alunos de Taaffe compartilhou recentemente que havia perdido o emprego na LinkedIn e pediu ajuda à sua rede.

Alguns podem achar que a vergonha persistente, embora infundada, faz com que hesitem em procurar ajuda. É preciso não esquecer que uma demissão involuntária faz parte de muitas, se não da maioria das carreiras, e não é algo que se deva levar para o lado pessoal. Caso se sinta isolado(a), diz Taaffe, comece conversando com as pessoas em quem mais confia sobre como falar sobre sua situação e expandir o círculo.

Ao fazer networking, no entanto, Taaffe recomenda sempre começar com um pedido específico para as pessoas que contata.

“Evite usar a temida pergunta: ‘Posso abusar do seu conhecimento?’” diz Taaffe. Isso sinaliza que você não dedicou nenhum tempo para se conhecer melhor. É preciso fazer com que fique fácil para pessoas ocupadas saber como ajudá-lo(a)”.

Será mais produtivo pedir a uma pessoa da sua rede uma reunião de 30 minutos para ouvir sobre a transição dela do setor de vendas para marketing—e como você pode aprender com essa informação—do que usar esses encontros para remoer tudo o que deu errado no seu último emprego.

“O que aconteceu no passado deve ser cerca de 10% da conversa”, diz Taaffe, “os outros 90% deve ser sobre o que fazer agora, o que busca aprender e como gostaria de causar um impacto”.

 

Este artigo foi anterirmente publicado na Kellogg Insight. Repostado com permissão da Kellogg School of Management.

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Foto de Maël BALLAND  

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