As oportunidades socioeconômicas do metaverso em construção, por Miguel Bruno

26/05/2022 08:19

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O conceito de metaverso tem como objetivo expressar uma nova etapa do avanço das tecnologias da informação e da comunicação em que são combinadas redes sociais com realidade virtual em sistemas tridimensionais. A aplicabilidade deste irá muito além dos jogos e das possibilidades de lazer criadas pelos sistemas digitais, pois abrirá inúmeras oportunidades de negócios, provocando o surgimento de novas empresas e serviços antes inimagináveis. É um universo virtual onde usuários poderão interagir por meio de avatares digitais, isto é, representações virtuais personalizadas em imagens 3D de cada pessoa imersa nesse ambiente.
 

Para isso, o metaverso mobilizará diversas ferramentas tecnológicas como realidades virtual e aumentada, criptomoedas e conexões de banda larga. Uma espécie de internet 3D se constituirá, em que a comunicação, diversão e negócios existirão de forma imersiva e interoperável. Utilizando todos os recursos disponíveis e projetados das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), o metaverso poderá replicar a realidade com foco na interação social.
 

Tal transformação provocará uma revolução no marketing digital e no comércio pela internet, e-commerce. Através da imersão total em ambientes virtuais que simulam realidades como se fossem experiências vivenciadas concretamente pelos usuários, os consumidores terão acesso às melhores informações e estímulos para tomarem decisões seguras quanto à aquisição de bens e serviços. Paralelamente, as empresas serão capazes de exibir e ofertar produtos e serviços de um modo tão realisticamente próximo de clientes. Apesar de remoto, a diferença entre estar presente em uma loja ou em um ambiente virtual será praticamente mínima. Nesse sentido, o desenvolvimento e a difusão social serão a base da ampliação de mercados econômicos tanto em escala nacional quanto global.

 

Porém, para o pleno funcionamento do metaverso determinadas condições serão necessárias. Entre elas estão as seguintes: investimentos em infraestruturas de comunicação que permitam a inclusão digital plena da população, e em todos os níveis de educação e formação de força de trabalho compatível com as exigências de qualificação nos novos ambientes virtuais; habilidades específicas serão exigidas também de consumidores a fim de que possam usufruir plenamente de todas as funcionalidades do metaverso e dos sistemas digitais 3D de imersão; como um corolário, podemos prever que a tecnologia contribuirá para o surgimento de computadores, smartphones e sistemas digitais cada vez mais potentes e capazes de responder prontamente às demandas da realidade aumentada e da conexão em tempo real de consumidores, empresas e governos; softwares e hardwares serão então desenvolvidos em uma escala ampliada e em velocidades que surpreenderão seus usuários.

 

Se considerarmos que o desenvolvimento científico-tecnológico no campo das TIC é incessante e muito veloz, podemos esperar o surgimento de mais oportunidades de trabalho e emprego em um futuro não tão distante para as áreas de pesquisador de metaverso, regulador de ecossistemas, gerente de segurança, construtor de mundos, desenvolvedor de avatares, entre outros.
 

Em suma, com relação aos impactos econômicos, particularmente no que concerne aos futuros perfis profissionais e à geração de empregos, podemos lembrar do que disse o sociólogo do trabalho, Domenico De Masi. Para ele, o mundo caminha para uma nova etapa em que o tradicional conceito de "mão de obra", expressão derivada do paradigma tecnológico anterior focado na valorização da dimensão física dos seres humanos nos processos de trabalhos, será definitivamente substituído pelo conceito de "mente de obra". E o que isso significa? No novo paradigma que se configura, trata-se da dimensão cognitiva, da capacidade de raciocínio lógico aliada à dimensão criativa e intelectual da espécie humana, a característica decisiva mais demandada nos ambientes de trabalho e de produção interconectados pelo metaverso.

 

* Miguel Bruno é professor de ciências econômicas da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio. 

Fonte: Redação com assessoria

                                                                                                                                               

 

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