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Artigo

Visão estratégica do setor da bioenergia - Pensando o Futuro, por Antonio Cesar Salibe

03/06/2019 | 16h38

Antecipar-se a alguns eventos pode significar uma mudança total nos rumos futuros e no resultado esperado. Por vezes, vivemos imersos em nosso cotidiano sem conseguirmos avançar passos concretos em direção ao que almejamos. E a isso damos o nome de falta de planejamento.

Por décadas faltou ao Brasil uma política de Estado voltada para a garantia do suprimento de energia, insumo essencial para o desenvolvimento e crescimento em todos os aspectos. Hoje, com o RenovaBio - Política Nacional dos Biocombustíveis, vivemos um parágrafo da história que pode representar uma daquelas revoluções que ficarão gravadas por todo o futuro. Mas será?

Há tempos tenho me indagado sobre uma célebre frase: para quem não sabe onde quer ir, qualquer lugar está bom! É uma afirmação contundente, e, por vezes, desafiadora. Me pergunto constantemente se temos a real consciência de onde queremos chegar e convicção bastante para percorrer este caminho.

Com a entrada efetiva em vigor do RenovaBio a partir de 1º de janeiro de 2020, nosso setor terá pela frente o grande desafio de quase dobrar sua produção de etanol, dos atuais 28 bilhões de litros de etanol para cerca de 48 bilhões de litros, o que demandará num vultuoso investimento em pesquisa e tecnologia, ganhos de produtividade no campo e nas indústrias, diminuição de custos de produção e aumento eficaz dos ganhos energéticos com menor emissão de gases de efeito estufa, dentre outros desafios.

Antever qual será, ou quais serão, as rotas que nos conduzirão a este futuro é, no meu entender, nosso maior desafio, no momento em que continuamos fragilizados, ainda, com reflexos das políticas erráticas do passado que acabaram por minguar 1/3 do setor, deixando ainda, outro 1/3 em sérias condições de sobrevivência.

Como pensar em crescer no momento em que muitos querem mesmo é sobreviver? Parecem coisas antagônicas, mas devem ser, na verdade, complementares. Se não pensarmos o futuro com precisão, estamos fadados a engrossar o caldo daqueles que não sobreviveram às inúmeras intempéries que assolam nosso segmento por décadas, porque não dizer, séculos.

Justamente para pensar este futuro, e traçarmos uma rota única, a UDOP vem buscando inúmeras alternativas para consolidar uma visão futurística realista para nosso segmento, com base em três principais frentes: a busca incessante por novas tecnologias (o que envolve parcerias sólidas em P&D); a qualificação profissional de toda a cadeia do agronegócio da cana-de-açúcar (com os eventos promovidos por nossa entidade); e a representatividade de nossas associadas junto a organismos públicos e a sociedade civil de maneira geral.

E por acreditarmos ser possível que saiamos do limbo ao que nos encontramos hoje, estamos lançando em nosso maior evento anual, o 12º Congresso Nacional da Bioenergia, que realizaremos nos dias 31 de julho e 1º de agosto, no campus da UNIP, em Araçatuba, duas novas salas que terão como objetivo pensar o futuro de nosso setor para 10 ou 20 anos.

Na sala de Inteligência de Mercado, vamos reunir traders para a discussão do mercado futuro de etanol e de açúcar, além de discussões a cerca da visão de nosso setor para o mercado financeiro, com a participação de bancos e agentes financeiros, e a visão dos produtores de nosso setor para o mercado de etanol pós RenovaBio.

A programação desta sala termina com um amplo debate sobre as possíveis ameaças e oportunidades para o modelo açúcar, etanol e energia, onde queremos dissecar quais os riscos e quais as nossas oportunidades de crescimento.

Em outra sala, estaremos discutindo outro tema altamente nevrálgico com impacto direto em nosso segmento: O futuro da mobilidade veicular, trazendo para esta discussão a visão da academia (universidades e agência de fomento); a visão dos produtores e distribuidores de combustíveis; a visão dos órgãos governamentais; das montadoras de veículos leves de passeio e por fim a visão das montadoras de veículos pesados.

Temos plena convicção de que estas novas salas atrairão, uma vez mais, uma ampla discussão de temas cruciais para que possamos romper a inércia e estabelecermos metas claras para as próximas duas décadas de nosso setor, trazendo subsídios importantes para que diversos elos desta cadeia como empresários, consultorias, agentes financeiros, investidores, diretores das usinas, pesquisadores, políticos, enfim, uma enorme gama de executivos saia de nosso Congresso de Bioenergia com uma direção clara que garantirá o futuro de nosso setor.

Por vezes vivemos a história sem nos darmos conta do quão importante é o momento vivido. Concluo dizendo que hoje temos a oportunidade de nos tornar os protagonistas de uma nova era de nosso setor, o que só se tornará, efetivamente, concreto, com nosso empenho e visões compartilhadas neste mundo cada vez mais conectado e interdependente.

Sobre o autor: Antonio Cesar Salibe é presidente executivo da União dos Produtores de Bioenergia (UDOP)

 

 



Fonte: Antonio Cesar Salibe
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