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Internacional

Usada na exploração de gás de xisto, areia também vive um boom nos EUA

04/12/2013 | 10h05

 

A corrida para explorar petróleo e gás nos Estados Unidos está criando outro boom - o da areia, um ingrediente crítico do fraturamento hidráulico.
As empresas de petróleo devem usar este ano estimados 25,4 bilhões de quilos de areia, que serão bombeados em poços de petróleo e gás natural para fraturar as rochas de xisto e permitir a extração dos combustíveis. O uso de areia subiu 25% desde 2011, segundo a consultoria PacWest, que projeta um novo aumento de 20% nos próximos dois anos.
As autoridades do Estado americano de Wisconsin, que tem a areia branca ideal para o fraturamento hidráulico, estimam terem concedido licenças para mais de cem depósitos de areia e instalações de processamento, comparado a apenas cinco depósitos em 2010.
Não por acaso, as ações das empresas de areia subiram na bolsa. Os papéis da Hi-Crush Partners LP, de Houston, saltaram 59% desde que começaram a ser negociados, em agosto de 2012. Já os da U.S. Silica Holdings Inc., de Frederick, Maryland, dobraram desde que ela abriu seu capital em 2012, dando-lhe um valor de mercado de US$ 1,9 bilhão.
Há menos de dez anos, a U.S. Silica se concentrava em areia para fins industriais e de consumo, como painéis de vidro para janelas e, mais recentemente, telas para iPhones e iPads. Agora, essas aplicações respondem só por metade da areia cavada pela firma e por uma fatia menor ainda da receita.
Durante os primeiros nove meses deste ano, os mais de US$ 245 milhões em areia que vendeu a empresas de petróleo representaram 62% das vendas da U.S. Silica, ante 53% no mesmo período de 2012 e 33% nos primeiros nove meses de 2011.
O fraturamento hidráulico, ou "fracking", é uma técnica que consiste em bombear dentro do poço uma mistura de água, areia e químicos a altas pressões para quebrar, ou "fraturar", formações rochosas compactas. A areia usada no processo ajuda a abrir pequenos canais na rocha, liberando o petróleo e o gás aprisionados para que eles possam fluir até a superfície.
Transportadoras ferroviárias estão carregando vagões cheios de areia para os campos de xisto, incluindo a Bacia Permiana, que se estende pelo oeste do Texas e o Novo México, a formação Bakken, em Dakota do Norte, e a Marcellus Shale, na Pensilvânia.
Embora alguns desses lugares pareçam ter areia em abundância, muitos empresas de fraturamento preferem a areia branca de Wisconsin, cujos grãos maiores e mais redondos conseguem abrir fraturas mais largas nas rochas.
A Union Pacific Railroad transportou 94.000 vagões de areia para fraturamento no primeiro semestre do ano, um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2012. A Canadian National Railway Co. vai gastar US$ 68 milhões durante três anos para modernizar e restaurar mais de cem quilômetros de trilhos em Wisconsin e, assim, poder aumentar os carregamentos de areia para fora do Estado.
A U.S. Silica e a BNSF Railroad estão construindo um centro de distribuição no sul de San Antonio, no Texas, na borda da formação de xisto de Eagle Ford, rica em petróleo. A U.S. Silica vai despachar mais de 450.000 toneladas de areia retirada de Ottawa, uma cidade do Estado de llinois a 137 quilômetros de Chicago, e de Sparta, em Wisconsin, cerca de 400 quilômetros ao norte.
"São necessários cerca de 25 vagões de areia, na média, para fraturar um poço", calcula Bryan Shinn, diretor-presidente da U.S. Silica.
As empresas estão experimentando o uso de ainda mais areia. Bombear 3.600 toneladas de areia em vez das típicas 1.800 toneladas pode acrescentar cerca de US$ 600.000 ao custo de um poço de petróleo, mas, em alguns casos, também dobrar a produção, diz o analista Matt Conlan, do banco Wells Fargo.
A demanda por areia estava tão alta no ano passado que os preços atingiram uma média de US$ 75 por tonelada. O novo boom da mineração de areia em Wisconsin ajudou a derrubar os preços para cerca de US$ 50 na fonte, segundo a PacWest.
Empresas de serviços de petróleo que fazem fraturamento hidráulico repassam os custos com o transporte da areia para o preço final, o que pode triplicar o preço da areia pago pelas petrolíferas.
Isso tem levado companhias que exploram petróleo e gás de xisto, como a EOG Resources Inc., a se especializar também na produção de areia, como forma de manter os custos por poço sob controle. No fim de 2011, a empresa abriu uma unidade em Chippewa Falls, no Wisconsin, para processar areia das minas que opera.
A preparação da areia usada no fraturamento inclui peneirá-la para obter cristais no tamanho certo, remover as impurezas e então lavar e secar a areia.
Mas o boom da areia tem gerado preocupações ligadas à segurança do trabalho. Populações locais também reclamam das nuvens de poeira causadas pelos pesados caminhões que transportam a areia das minas para as unidades de processamento e os depósitos ferroviários.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA chama os finos grânulos desencadeados pela mineração da areia de sílica cristalina respirável - ou poeira de sílica - e afirma que ela está relacionada à silicose e ao câncer de pulmão.
"Há uma tendência a dizer que é apenas poeira e que as pessoas sempre estiveram expostas a poeira", disse David Kriebel, epidemiologista da Universidade de Massachusetts. "A sílica cristalina é uma substância extremamente prejudicial à saúde. Cada pequena partícula de sílica cristalina que atinge os pulmões causa arranhões."
Trempealeau, um condado do Wisconsin onde foram abertas várias minas de areia, impôs uma moratória de um ano na concessão de novas licenças.
Mesmo assim, alguns políticos do Estado ressaltam a importância do setor como gerador de empregos.
"Sempre pagamos para os Estados produtores de petróleo", disse o senador Tom Tiffany. "Ter esses Estados nos pagando por nossos recursos naturais é uma coisa boa."

A corrida para explorar petróleo e gás nos Estados Unidos está criando outro boom - o da areia, um ingrediente crítico do fraturamento hidráulico.

As empresas de petróleo devem usar este ano estimados 25,4 bilhões de quilos de areia, que serão bombeados em poços de petróleo e gás natural para fraturar as rochas de xisto e permitir a extração dos combustíveis. O uso de areia subiu 25% desde 2011, segundo a consultoria PacWest, que projeta um novo aumento de 20% nos próximos dois anos.

As autoridades do Estado americano de Wisconsin, que tem a areia branca ideal para o fraturamento hidráulico, estimam terem concedido licenças para mais de cem depósitos de areia e instalações de processamento, comparado a apenas cinco depósitos em 2010.

Não por acaso, as ações das empresas de areia subiram na bolsa. Os papéis da Hi-Crush Partners LP, de Houston, saltaram 59% desde que começaram a ser negociados, em agosto de 2012. Já os da U.S. Silica Holdings Inc., de Frederick, Maryland, dobraram desde que ela abriu seu capital em 2012, dando-lhe um valor de mercado de US$ 1,9 bilhão.

Há menos de dez anos, a U.S. Silica se concentrava em areia para fins industriais e de consumo, como painéis de vidro para janelas e, mais recentemente, telas para iPhones e iPads. Agora, essas aplicações respondem só por metade da areia cavada pela firma e por uma fatia menor ainda da receita.

Durante os primeiros nove meses deste ano, os mais de US$ 245 milhões em areia que vendeu a empresas de petróleo representaram 62% das vendas da U.S. Silica, ante 53% no mesmo período de 2012 e 33% nos primeiros nove meses de 2011.

O fraturamento hidráulico, ou "fracking", é uma técnica que consiste em bombear dentro do poço uma mistura de água, areia e químicos a altas pressões para quebrar, ou "fraturar", formações rochosas compactas. A areia usada no processo ajuda a abrir pequenos canais na rocha, liberando o petróleo e o gás aprisionados para que eles possam fluir até a superfície.

Transportadoras ferroviárias estão carregando vagões cheios de areia para os campos de xisto, incluindo a Bacia Permiana, que se estende pelo oeste do Texas e o Novo México, a formação Bakken, em Dakota do Norte, e a Marcellus Shale, na Pensilvânia.

Embora alguns desses lugares pareçam ter areia em abundância, muitos empresas de fraturamento preferem a areia branca de Wisconsin, cujos grãos maiores e mais redondos conseguem abrir fraturas mais largas nas rochas.

A Union Pacific Railroad transportou 94.000 vagões de areia para fraturamento no primeiro semestre do ano, um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2012. A Canadian National Railway Co. vai gastar US$ 68 milhões durante três anos para modernizar e restaurar mais de cem quilômetros de trilhos em Wisconsin e, assim, poder aumentar os carregamentos de areia para fora do Estado.

A U.S. Silica e a BNSF Railroad estão construindo um centro de distribuição no sul de San Antonio, no Texas, na borda da formação de xisto de Eagle Ford, rica em petróleo. A U.S. Silica vai despachar mais de 450.000 toneladas de areia retirada de Ottawa, uma cidade do Estado de llinois a 137 quilômetros de Chicago, e de Sparta, em Wisconsin, cerca de 400 quilômetros ao norte.

"São necessários cerca de 25 vagões de areia, na média, para fraturar um poço", calcula Bryan Shinn, diretor-presidente da U.S. Silica.

As empresas estão experimentando o uso de ainda mais areia. Bombear 3.600 toneladas de areia em vez das típicas 1.800 toneladas pode acrescentar cerca de US$ 600.000 ao custo de um poço de petróleo, mas, em alguns casos, também dobrar a produção, diz o analista Matt Conlan, do banco Wells Fargo.

A demanda por areia estava tão alta no ano passado que os preços atingiram uma média de US$ 75 por tonelada. O novo boom da mineração de areia em Wisconsin ajudou a derrubar os preços para cerca de US$ 50 na fonte, segundo a PacWest.

Empresas de serviços de petróleo que fazem fraturamento hidráulico repassam os custos com o transporte da areia para o preço final, o que pode triplicar o preço da areia pago pelas petrolíferas.

Isso tem levado companhias que exploram petróleo e gás de xisto, como a EOG Resources Inc., a se especializar também na produção de areia, como forma de manter os custos por poço sob controle. No fim de 2011, a empresa abriu uma unidade em Chippewa Falls, no Wisconsin, para processar areia das minas que opera.

A preparação da areia usada no fraturamento inclui peneirá-la para obter cristais no tamanho certo, remover as impurezas e então lavar e secar a areia.

Mas o boom da areia tem gerado preocupações ligadas à segurança do trabalho. Populações locais também reclamam das nuvens de poeira causadas pelos pesados caminhões que transportam a areia das minas para as unidades de processamento e os depósitos ferroviários.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA chama os finos grânulos desencadeados pela mineração da areia de sílica cristalina respirável - ou poeira de sílica - e afirma que ela está relacionada à silicose e ao câncer de pulmão.

"Há uma tendência a dizer que é apenas poeira e que as pessoas sempre estiveram expostas a poeira", disse David Kriebel, epidemiologista da Universidade de Massachusetts. "A sílica cristalina é uma substância extremamente prejudicial à saúde. Cada pequena partícula de sílica cristalina que atinge os pulmões causa arranhões."

Trempealeau, um condado do Wisconsin onde foram abertas várias minas de areia, impôs uma moratória de um ano na concessão de novas licenças.

Mesmo assim, alguns políticos do Estado ressaltam a importância do setor como gerador de empregos.

"Sempre pagamos para os Estados produtores de petróleo", disse o senador Tom Tiffany. "Ter esses Estados nos pagando por nossos recursos naturais é uma coisa boa."

 



Fonte: Valor Econômico
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