Recursos Humanos

Setor de petróleo continuará importando mão-de-obra

Valor Econômico
08/09/2004 00:00
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A mão-de-obra especializada no setor de petróleo e gás é escassa no Brasil. Mesmo com o apoio do governo, que em 1999 implementou um programa que concede bolsas de estudos, ainda não há oferta suficiente de profissionais. Por isso, o Brasil, provavelmente, continuará a "importar" profissionais para implementar os investimentos programados pela indústria.
A necessidade de importar empregados é "preocupante", diz o coordenador geral do núcleo de desenvolvimento tecnológico da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Raimar Van Den Bylaardt.
Segundo ele, mesmo com o apoio da agência - que fornece bolsas de estudos e firmou acordo com vários centros educacionais para a introdução de matérias sobre o segmento em disciplinas como engenharia e direito - apenas 7% da demanda por profissionais especializados com curso superior será atendida nos próximos cinco anos. Se forem considerados os alunos que não têm bolsa, a oferta de mão-de-obra especializada aumentaria, mas ainda assim, só atenderia de 10% a 11% do necessário. "Apesar dos nossos bons resultados, ainda falta muita mão-de-obra", diz Bylaardt.
As previsões da ANP foram feitas levando em conta apenas os 185 mil empregos diretos que a Petrobras prevê gerar a partir dos investimentos de US$ 53,6 bilhões previstos em seu plano estratégico até 2010. Oficialmente, o número que vem sendo mais utilizado é o de 200 mil empregos. Além de financiar bolsas para cursos de nível médio, graduação, mestrados e doutorados, a ANP também firmou convênio com o Ministério de Ciência e Tecnologia, que financia o programa com recursos do CTPetro. Este é um fundo setorial para onde é destinada parte da receita obtida com a cobrança de royalties sobre a produção de petróleo.
Segundo o diretor geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Elói Fernandez, o aumento dos negócios no Brasil a partir de 1999 empurrou a contratação de pessoal em toda a cadeia de petróleo, incluindo a construção naval. Ele cita como exemplo as encomendas de chapas de aço para as plataformas da Petrobras que começarão a ser construídas, como a P-51, P-52 e a PRA-1, essa última uma gigantesca plataforma de rebombeio de petróleo. Isso sem contar os investimentos da estatal para modernizar e aumentar a capacidade de suas refinarias.
A Petrobras, em seus 50 anos de atividade, sempre assumiu a formação do seu pessoal. Com a abertura do mercado de petróleo, a partir de 1997, o país se viu sem mão-de-obra especializada fora dos quadros da estatal. Isso preocupou empresas estrangeiras e o governo; e levou a ANP a firmar convênios com universidades para formação de cursos de capacitação em áreas como geologia, engenharia de petróleo, química, geofísica e direito.
Entre 1999 e 2003, a ANP concedeu 2.709 bolsas de estudo para formação de técnicos e profissionais de nível superior. Investiu R$ 55,18 milhões até o ano passado. Este ano já concedeu 585 bolsas, o que eleva para 3.294 o número de alunos apoiados desde a criação do programa. Além de financiar os bolsistas, a ANP encomendou 18 cursos de formação de técnicos aos Centros Federais de Educação Tecnológica próximos às principais regiões produtoras de petróleo, tendo encerrado 2003 com 44 programas funcionando.

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