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Petrobras

Sérgio Machado deve deixar Transpetro neste mês

10/05/2012 | 12h54
O ciclo do ex-senador cearense Sérgio Machado à frente da Transpetro, a subsidiária de logística e transporte da Petrobras, parece estar chegando ao fim depois de quase uma década. Ele é um dos poucos remanescentes da antiga diretoria da Petrobras ainda no cargo. Ligado ao PMDB e com bom trânsito entre os líderes do partido no Senado, Machado pode ser destituído ainda neste mês logo após a entrega do navio João Cândido pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), prevista para 25 de maio, segundo apurou o jornal 'Valor'.

A possibilidade de saída do executivo em um curto prazo ganhou força depois que a presidente da Petrobras, Graça Foster, mudou quase toda a diretoria da estatal. Ela manteve Almir Barbassa na diretoria financeira e ainda falta indicar um nome para substituir o diretor da área internacional, Jorge Zelada, que é uma indicação do PMDB, assim como Machado. Oficialmente, Zelada está de férias.

Há no meio político, porém, quem avalie que Machado pode ganhar sobrevida na Transpetro em função da necessidade do governo de manter a base aliada unida com o início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados.
Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, repetiu três vezes a palavra "não" ao responder a um jornalista que perguntou se a Petrobras ia mudar o presidente da Transpetro. Na ocasião Lobão deu a entender que a Petrobras iria trocar o diretor financeiro, Almir Barbassa, mas terminou desmentido pela Petrobras.

Machado vai completar nove anos como presidente da Transpetro em 17 de junho. Se sair antes dessa data, dificilmente o PMDB conseguirá manter o cargo, na avaliação de políticos da própria base aliada do governo. Desde que assumiu, há quase três meses, Graça Foster vem escolhendo, com carta branca da presidente Dilma Rousseff, pessoas com perfil técnico para os cargos-chave na estatal e a tendência é de que a lógica seja mantida no caso da Transpetro.

As mudanças na diretoria da Petrobras desagradaram os caciques dos partidos aliados em Brasília e o mesmo vale para a provável substituição na Transpetro. Uma alta fonte no Senado reconheceu que é difícil para qualquer partido, no momento, bater de frente, pela indicação de um cargo, com um governo cuja presidente tem os índices de aprovação registrados por Dilma.

A influência do PMDB e do PP na Petrobras já foi esvaziada com a saída do diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, que era apoiado pelos dois partidos. PMDB e PP terão que "dividir" agora a indicação do novo diretor internacional da Petrobras, área que perdeu importância e que tem as decisões cada vez mais concentradas na presidência da empresa. Um dos nomes que já foi comentado para suceder Machado na Transpetro foi o de Richard Olm, que terminou indicado para diretor de engenharia, tecnologia e materiais, no lugar de Renato Duque, sempre identificado como indicação do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Procurada, a Transpetro não se pronuncia sobre o assunto. O apetite dos partidos pela empresa se justifica. A principal carteira de projetos da Transpetro hoje, a construção de navios do programa para a renovação da frota (Promef), soma R$ 10 bilhões. A construção naval é um setor que emprega muita mão de obra, o que ajuda a puxar votos e é um ótimo palanque. Mas essa carteira bilionária mostrou-se também um problema para a gestão de Machado. Ele foi a ponta-de-lança do governo do ex-presidente Lula na recuperação do setor naval do país, que estava abandonado depois de planos anteriores, desde o governo de Juscelino Kubitschek, na década de 1950.

Sérgio Machado construiu uma boa relação com trabalhadores e entidades empresariais do setor. O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, é considerado a estrela da indústria naval nascente mas enfrenta problemas e dívidas. Só com o EAS a Transpetro tem uma carteira de construção de 22 navios petroleiros que somam mais de R$ 7 bilhões em investimentos, dos quais 90% financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Até hoje nenhum navio da Transpetro foi entregue. O primeiro deles, o João Cândido, tem entrega prevista para o dia 25 deste mês, com mais de dois anos de atraso e um custo de cerca de R$ 350 milhões, mais de 23% sobre a média do contrato original. No meio empresarial, o receio é que Machado seja trocado por outro político, hipótese que parece improvável, uma vez que qualquer mudança na Petrobras pode significar incertezas para empresas prestadoras de serviços da estatal.

De acordo com dados fornecidos pela assessoria da Transpetro, a receita da empresa no ano passado, de R$ 5,758 bilhões, foi 15% superior à de 2010, e o lucro líquido, de R$ 629,5 milhões, subiu 14%.


Fonte: Valor Econômico
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