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Política Energética / Belo M

Por Belo Monte, até argentino é brasileiro

23/06/2010 | 09h32

Pouco importa a rivalidade no futebol, tem até argentino vestindo a camisa do Brasil para ganhar o contrato de cerca de R$ 6 bilhões em fornecimento de equipamentos para a hidrelétrica de Belo Monte. A estratégia adotada pelos argentinos da Impsa foi deixar a parceria direta que tinham com os chineses da Harbin, formada antes do leilão, e garantir que até 80% da produção das turbinas e geradores seja feita no Brasil, na fábrica que a empresa possui em Pernambuco e que está sendo ampliada. Os chineses podem até fornecer parte dos equipamentos, mas o diretor-geral da empresa, Luís Pescarmona, garante que a Impsa é brasileira e a proposta apresentada ao consórcio Norte Energia é 100% Impsa.

Brasileiros também são os franceses da Alstom, como diz o diretor de energia da empresa no Brasil, Marcos Costa. "Nossa empresa é brasileira com origem europeia", diz Costa. "E sem Belo Monte nossas fábricas em Taubaté e em Rondônia certamente ficarão ociosas por alguns anos." Ao reforçar que fazem parte da indústria nacional e ambos dizem que pretendem produzir 80% dos equipamentos no país, o que Alstom - que lidera um consórcio formado por outros brasileiros de origem europeia - e também a Impsa querem é mostrar ao consórcio que terão como viabilizar o financiamento em reais do BNDES e ainda incentivar o crescimento da indústria brasileira.

Na segunda-feira, as duas empresas apresentaram novas propostas, a pedido da Eletrobras e Eletronorte. Dessa vez, a exigência foi por um orçamento detalhado que mostre até mesmo como os impostos foram considerados nas propostas apresentadas. Os russos da Inter Rao não tiveram esse trabalho. Segundo o parceiro local dos russos, Hélio Costa, da Energ Power, mesmo antes do leilão a empresa apresentou uma proposta com mil páginas. "Tem até especificação de custo de parafuso", diz o diretor da Energ Power.

A Inter Rao ainda tem interesse em entrar na formação do consórcio. Mas ser fornecedor de pelo menos parte da obra seria uma condição importante para a viabilização da sociedade. De qualquer forma, segundo fontes próximo ao consórcio, a sociedade está mesmo fechada com empresas dos fundos de pensão, faltando apenas definir percentuais de participações. Na parte dos autoprodutores é que ainda existem negociações.

Na questão de fornecimento de equipamentos todos os concorrentes ainda estão no páreo. Os chineses da Dongfang e os japoneses da Toshiba também podem levar o contrato bilionário. Mas a Eletrobras está mais propensa a prestigiar a indústria nacional, desde que os preços se adequem ao apertado orçamento.

Marcos Costa, da Alstom, diz que a proposta que apresentaram foi bastante competitiva, mas ele sabe que não tem preço melhor que os outros competidores. "Temos nosso know how e nossa assistência técnica e somos os únicos com fábrica já construída para atender a demanda de Belo Monte", diz o diretor da Alstom. "No mundo já fizemos 50 projetos similares".

A fábrica da Impsa em Pernambuco está sendo ampliada com investimentos de R$ 250 milhões. "A primeira máquina inclusive já está sendo instalada, e a ampliação será feita independentemente de Belo Monte pois queremos mostrar nosso compromisso com o Brasil". O dono da Impsa, o argentino Enrique Pescarmona, diz que nos próximos três anos os investimentos no Brasil vão ser da ordem de R$ 1,8 bilhão. A empresa já forneceu turbinas que somam 30 mil megawatts (MW).

Os US$ 20 milhões que serão investidos no laboratório hidráulico são também um chamariz da Impsa, que quer com isso mostrar que vai trazer tecnologia ao país. Enquanto isso, os argentinos da família Pescarmona, pai e filho, literalmente vestem a camisa do Brasil. O filho, Luís, faz questão de mostrar a foto com a camisa da seleção no jogo do Brasil com a Coréia do Norte, que assistiu na África do Sul. "O que não se faz para ganhar Belo Monte, hein?", é provocado Luís. Ao que ele garante: "Nós realmente torcemos pelo Brasil."
 

 

Por  Josette Goulart, de São Paulo



Fonte: Valor Econômico
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