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Petrobras: investir no pré-sal é prioridade absoluta

15/01/2016 | 12h10
Petrobras: investir no pré-sal é prioridade absoluta
Cortesia BG Cortesia BG

Em revisão do plano de investimentos, fatia destinada à área de exploração e produção subiu, e o Comperj voltou ao orçamento

A Petrobras vai gastar, em média, US$ 18 bilhões por ano até 2019. No comunicado feito ao mercado no último dia 12, em que anunciou ajustes ao plano de negócios para o período de 2015 a 2019, a empresa reiterou a mensagem de austeridade – ao projetar corte de US$ 32 bilhões em quatro anos. Neste ano, porém, o investimento vai ser um pouco maior, de US$ 20 bilhões. Segundo fontes envolvidas na elaboração do plano, o orçamento de 2016 ficou US$ 1 bilhão mais caro do que se previa para que fossem inseridos projetos da “nova Petrobras”, idealizados no primeiro ano de gestão da equipe do presidente Aldemir Bendine.

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), parado após denúncias de corrupção e da crise financeira no caixa da empresa, vai voltar ao orçamento. A Petrobras dá como certa a atração de parceiros para concluir as obras de instalação da unidade de processamento do gás natural do pré-sal, além da infraestrutura de transporte da matéria-prima, do litoral até a refinaria, no município de Itaboraí (RJ). Há também projetos do pré-sal postergados para 2016.

Os investimentos na área de Exploração e Produção, onde estão alocados os projetos do pré-sal, ganharam um pouco mais de participação no orçamento da petroleira. Em vez de 80% dos US$ 98,4 bilhões a serem investidos até 2019, a diretoria vai ficar com 81% – ganho de US$ 1,3 bilhão. “Manteremos nossa prioridade absoluta no pré-sal. Atingimos tamanha excelência na extração em águas profundas que chegamos ao custo de US$ 8 por barril – quase a metade do desempenho das grandes petrolíferas”, afirmou Bendine, em carta distribuída aos funcionários.

Aos empregados, o presidente da Petrobras indicou preocupação com o atual cenário da indústria petroleira no mundo, numa tentativa de sensibilizá-los da necessidade de adequação da empresa à nova realidade de preços baixos do barril. Bendine quer cortar US$ 12 bilhões de gastos internos, do dia a dia da empresa, o equivalente a US$ 3 bilhões por ano.

A diretoria trava uma batalha com os funcionários em torno de uma série de benefícios que pretende cortar. Hoje, o embate está em torno do pagamento da participação nos lucros e resultados de 2015. A empresa tem até 20 de fevereiro para depositar o dinheiro, mas tem sido pressionada por sindicatos a pagar o benefício ainda em janeiro ou, no caso do resultado financeiro de 2015 ser muito ruim, compensar os funcionários com a antecipação da primeira parcela do 13.º salário.

O corte de gastos internos já esteve no foco da diretoria no ano passado, mas pouco se avançou. Num primeiro momento, a ideia era cortar US$ 30 bilhões. Em outubro, a meta foi revista para US$ 29 bilhões, valor que não chegou a ser revisto no novo plano.

A empresa admite que está sujeita a “diversos fatores de risco que podem causar impacto em suas projeções”. Além das dificuldades de negociação para reduzir o tamanho da empresa, e de não ter controle sobre os preços do petróleo e do câmbio – que influenciam diretamente o resultado financeiro –, o desempenho da empresa ainda está atrelado ao dos seus fornecedores.

O caso mais crítico é o da Sete Brasil, à qual encomendou sondas de perfuração do pré-sal, mas, diante da queda dos preços internacionais de afretamento dessas embarcações e também de denúncias de corrupção envolvendo a fornecedora, voltou atrás. As negociações estão em andamento e a Sete Brasil ameaça a petroleira de recorrer à Justiça para que o contrato seja cumprido.

Para o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Alberto Machado Neto, o corte nos investimentos pode representar o “ponto limite” para a indústria fornecedora.

 



Fonte: Abimaq
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