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OPEP

Opep mantém política de não intervenção no mercado

03/06/2016 | 13h45

A Opep encerrou sua reunião de ontem sem ter chegado a um acordo sobre a produção, dando continuidade a uma política de não intervenção que, segundo seus integrantes, pode testar a relevância do grupo de uma nova forma: com uma escassez de oferta.

Depois de os preços terem subido quase 80% nos últimos meses, desde uma mínima de 13 anos atingida em fevereiro, havia pouca pressão para que os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo tomassem alguma medida significativa para reduzir o enorme excesso na oferta global de petróleo, disseram os ministros de Energia dos países, após a reunião.

Os preços do petróleo avançaram 0,3% ontem, uma vez que os investidores enxergaram além da decisão da Opep e negociaram o produto com base em novos dados mostrando queda na produção de petróleo dos Estados Unidos.

Os preços do petróleo já haviam subido na quarta-feira diante das declarações de alguns membros da Opep, que aventaram a ideia de reintroduzir coletivamente limites de produção. Isso serviria como um sinal para o mercado de que o grupo pode ser disciplinado. Até dezembro do ano passado, a Opep tinha um limite de produção de 30 milhões de barris por dia, marca que ela frequentemente ultrapassava em mais de 2 milhões de barris diários.

Ontem, porém, os membros decidiram contra o retorno desse tipo de teto, afirmando várias vezes que o mercado está se reequilibrando e citando o aumento da demanda nos EUA, na Índia e em outros grandes consumidores como fator determinante para a decisão.

Eles também destacaram a produção em queda nos EUA, onde a extração em formações de xisto recuou em face da pressão do colapso dos preços.

Mas tensões geopolíticas também ajudaram a minar o acordo, com o Irã tendo se posicionado firmemente, na quarta-feira, contra qualquer movimento que limitasse sua própria produção, já que busca se reerguer economicamente após o fim das sanções do Ocidente, em janeiro.

Agora, em meio a críticas de que a organização não é capaz de adotar uma ação coordenada e está cada vez mais irrelevante, alguns ministros afirmam que seu principal papel é simplesmente garantir um fornecimento constante de petróleo. Eles sinalizaram a possibilidade de uma escassez do produto causada por uma redução histórica nos investimentos globais do setor, uma lacuna que o grupo, responsável por cerca de 40% do petróleo mundial, afirma poder acabar preenchendo.

"Nossa preocupação é com a estabilidade do mercado no longo prazo, um fornecimento abundante e o atendimento da demanda crescente", disse o novo ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, antes da sua primeira reunião na Opep. "Não queremos que choques de petróleo contribuam de forma alguma para a desaceleração [da economia global]."

Falar sobre atender a uma escassez no fornecimento é uma reviravolta para a Opep.

Quando os preços caem, o grupo não reduz mais a produção para tentar equilibrar o mercado. Seu novo papel, afirmam os ministros, está configurado como um enorme participante do mercado que pode produzir mais quando a produção em qualquer outro lugar cai e os preços começam a subir.

A consultoria norueguesa Rystad Energy estima que, pela primeira vez desde os anos 80, a indústria global do petróleo vai vivenciar dois anos consecutivos de queda nos investimentos de capital. No ano passado, o investimento caiu em US$ 126 bilhões, ou 25%, entre todos os produtores. A previsão é que os gastos recuem pelo menos mais 20% neste ano, segundo a Rystad.

O Barclays estima que a produção fora da Opep vai diminuir em 900 mil barris por dia neste ano e em outros 400 mil em 2017. Isso poderia levar a um choque de oferta entre 2018 e 2020, prevê o banco britânico.

Para a Opep, a tendência pode significar uma recuperação do seu poder no mercado, diz Helima Croft, líder de estratégia de commodities do banco de investimento canadense RBC Capital Markets. "Em algum momento haverá um acerto de contas", disse Croft, nos bastidores da reunião da Opep.

Mas o novo papel da Opep vem cheio de riscos.

Há questões iminentes sobre a capacidade técnica da Opep de elevar significativamente a produção. Este ano, a capacidade ociosa da Opep — a produção que ela pode adicionar em 30 dias e manter por pelo menos 90 — vai estar no seu menor nível desde 2008, segundo estimativa da Agência de Informação sobre Energia dos EUA. O órgão prevê que a capacidade extra da Opep vai cair mais de 22% no trimestre atual em relação ao anterior.

Uma escassez de petróleo que a Opep não pudesse amenizar levaria a uma forte alta dos preços, dizem altos representantes da Opep.

Sem investimentos, "vamos voltar ao nível de US$ 147 o barril", disse o ministro do Petróleo da Nigéria, Emmanuel Ibe Kachikwu, em entrevista ao The Wall Street Journal. "Se novas reservas não forem desenvolvidas, é para aí que vamos." Isso, por sua vez, afetaria negativamente a demanda por petróleo, dizem analistas.

"Se o petróleo voltar a US$ 100, aí a demanda some pelo ralo", disse Abhishek Deshpande, analista do setor de petróleo no banco francês Natixis. "A Opep deveria estar preocupada."

Preços mais altos podem levar a um novo período de exuberância para as petrolíferas americanas de xisto, que exploraram novas reservas em campos do Texas até Dakota do Norte quando os preços giravam em torno de US$ 100 o barril, entre 2011 to 2014.

Falih, o ministro de Energia saudita, disse que o barril a US$ 100 não é um preço que a Opep queira ver de novo.

"Posso dizer que descobrimos que entre US$ 100 e US$ 110 era alto demais", disse ele em entrevista ao WSJ, após a reunião da Opep. "[Esse preço] trouxe investimento demais, oferta demais [...] e criou o desequilíbrio que temos visto."

A Opep não tem muita alternativa a não ser produzir o máximo petróleo que puder, já que as tensões geopolíticas entre a Arábia Saudita e o Irã dificultaram a possibilidade de um acordo quanto à produção.

O cartel também concordou em permitir que o Gabão volte a fazer parte da Opep, 20 anos depois de o país africano ter deixado o grupo. Com uma produção de 240 mil barris por dia, o Gabão será o menor produtor da Opep e seu 14%2 integrante.



Fonte: The Wall Street Journal - 03/06/2016
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