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Empresas

OGX perto de recuperação judicial

28/10/2013 | 08h26

 

OGX perto de recuperação judicial
O sonho acabou. A OGX, que prometia ser a maior empresa privada de petróleo, deve entrar com pedido de recuperação judicial nos próximos dias. Dificilmente há chance de a companhia encontrar uma solução, mesmo que só para o seu futuro de curto prazo, sem passar por essa etapa.
Até o fechamento desta edição, estava prevista para hoje a abertura dos detalhes dos últimos capítulos do fim deste sonho: as trocas de propostas com os principais credores da petroleira do empresário Eike Batista.
A divulgação das informações - conhecida no mercado financeiro pelo termo "blow out" - marcará o término definitivo das conversas com os detentores dos bônus internacionais emitidos pela empresa, que totalizam US$ 3,6 bilhões.
A publicidade dessas tratativas, caso confirmada ao longo do dia, significa ainda que só o pedido de recuperação judicial pode proteger a empresa das cobranças dos mais diversos tipos de credores, dos donos desses papéis de dívida aos fornecedores.
A empresa possui pendências da ordem de US$ 400 milhões com seus fornecedores. Desse volume, US$ 70 milhões são críticos para a continuidade das atividades e precisariam ser quitados à vista.
A expectativa é que, uma vez confirmado, este seja o maior processo de recuperação judicial já realizado na América Latina, da ordem de R$ 10 bilhões.
A OGX continua registrando recordes, mesmo após o fracasso de seu plano estratégico. Em junho de 2008, quando estreou no pregão da BM&FBovespa, marcou a realização da maior oferta inicial de ações de um projeto pré-operacional. Levantou R$ 6,7 bilhões, pouco mais de seis meses depois de ter obtido US$ 1,3 bilhão ainda como empresa fechada, junto a investidores como o Ontario Teachers Pension Plan - fundo de aposentadoria dos professores de Ontário - e às vésperas da crise financeira internacional se agravar com a quebra do Lehman Brothers.
A companhia tem valor negativo, atualmente. Conforme pessoas envolvidas com a reestruturação, a OGX tem valor presente líquido estimado em US$ 2,5 bilhões, para dívidas que somam US$ 4,1 bilhões. O resultado dessa equação só tem como mudar após uma renegociação dos vencimentos.
Os problemas da OGX - que terminaram por contaminar todo o grupo - resultam da incorreta estratégia de financiar uma atividade de elevado risco, como exploração de petróleo, com dívida e não capital. No mundo todo, companhias de petróleo têm baixa alavancagem, com exceção do Brasil. A Petrobras também tem dívidas elevadas para a média setorial.
No auge do entusiamo com suas descobertas, em meio aos comunicados sobre os hidrocarbonetos detectados, a OGX chegou a valer R$ 75 bilhões na bolsa, no início de novembro de 2010. Na sexta-feira, estava abaixo de R$ 1 bilhão - mas chegou a bater em R$ 650 milhões de capitalização, menos de 1% de seu maior valor já registrado.
Depois de pedir a recuperação à Justiça, a companhia terá 60 dias para apresentar um plano ao juiz e aos credores. O projeto, para ser conduzido, precisará ser aprovado por pelo menos 50% dos credores sem garantia, grupo em que estão incluídos os fornecedores e os detentores do bônus de dívida.
Desde 1º de outubro, quando deixou de pagar US$ 45 milhões em remuneração dos bônus, a OGX vem conversando com esses investidores em busca de uma solução extrajudicial, antes que seja declarada inadimplente.
O prazo para esse consenso termina em 3 de novembro. Enquanto não houver divulgação da troca de propostas, há alguma esperança de diálogo, ainda que pequena. Os bônus valem hoje no mercado cerca de 10% de seu valor de face, ou US$ 350 milhões.
Na semana passada, após os 'bondholders' aceitarem conversar sobre capitalizar a OGX com US$ 200 milhões, surgiu uma nova exigência. Esse grupo queria que o controlador, Eike Batista, encontrasse uma forma de transferir para a OGX a propriedade da plataforma OSX-3, que será usada na exploração do campo de Tubarão Martelo - e que pertence à OSX.
Foi nesse ponto que as conversas pararam. Pouco antes, a petroleira havia sinalizado que aceitaria uma diluição para 10% - fatia que seria dividida entre Eike e os minoritários. Os donos dos bônus, numa conversão parcial de seus créditos e com o dinheiro novo, teriam 90% do negócio.
A publicidade das informações - quando e se ocorrer - também deixará evidente a instabilidade do discurso dos administradores da OGX, que iniciaram o diálogo afirmando que a empresa necessitava de US$ 500 milhões. Essa volatilidade acabou por prejudicar as conversas com os donos desses títulos, que se sentiam manipulados pelo mesmo apetite voraz que levou a empresa a gastar bilhões ao longo de 2013, mesmo já diante de visíveis dificuldades.
A nova administração da empresa acredita que com US$ 75 milhões seria possível chegar ao fim deste ano e garantir a operação do campo de Tubarão Martelo.
Os 'bondholders' continuarão de grande importância, mesmo em um cenário de recuperação judicial. Afinal, a aprovação de qualquer plano passa pelo aval desses investidores. Porém, numa recuperação judicial quem ganharia mais força seria o controlador.
Na primeira quinzena deste mês, a Angra Partners assumiu a gestão da OGX, com a demissão dos principais executivos da antiga equipe. Conforme o Valor apurou, foi após a chegada dessa equipe que o valor dos recursos necessários foi cortado pela última vez.
Houve também um esforço de planejamento de redução de custos. Atualmente, a OGX é uma companhia com cerca de 180 funcionários. Os cortes nos gastos virão de medidas simples, necessárias e básicas para companhias que vivem uma delicada realidade como a OGX, como a mudança da sede de um prédio em que o custo do aluguel era de R$ 1 milhão ao mês para um de R$ 200 mil mensais.
A avaliação de quem acompanhou de perto os últimos meses da OGX é de que a companhia segue com gastos desnecessários. No início de 2013, tinha R$ 3 bilhões em caixa. Agora, tem menos de R$ 100 milhões e luta para manter em dia até o pagamento de salários. Daí a economia em todas as frentes.
A OGX também não encerrou o diálogo com potenciais novos investidores. Parte da nova administração embarcou ontem à noite para Nova York, mais uma vez, para conversas com interessados. Também estão previstos encontros com os 'bondholders', para manutenção de um diálogo cordial - mesmo que a negociação formal termine e ocorra o "blow out".
Aqueles que aportarem capital na iminência de uma recuperação sabem que teriam seus recursos protegidos, com prioridade na remuneração. Existem na mesa propostas para injeção de US$ 100 milhões que podem diluir os atuais acionistas entre 20% e 50%.
Outra frente é a busca por um acordo para vender à Eneva (antiga MPX) a participação que detém na OGX Maranhão, um campo de gás no Norte do país. De posse de recebíveis da E.On, empresa alemã controladora da Eneva, a OGX iria ao mercado descontar esses papéis, na expectativa de levantar R$ 130 milhões. Os recursos serviriam tanto para chegar a uma recuperação com maior folga de caixa, afastando a sombra de uma decretação imediata de falência, até um fortalecimento para o diálogo com os 'bondholders'.

O sonho acabou. A OGX, que prometia ser a maior empresa privada de petróleo, deve entrar com pedido de recuperação judicial nos próximos dias. Dificilmente há chance de a companhia encontrar uma solução, mesmo que só para o seu futuro de curto prazo, sem passar por essa etapa.


Até o fechamento desta edição, estava prevista para hoje a abertura dos detalhes dos últimos capítulos do fim deste sonho: as trocas de propostas com os principais credores da petroleira do empresário Eike Batista.

A divulgação das informações - conhecida no mercado financeiro pelo termo "blow out" - marcará o término definitivo das conversas com os detentores dos bônus internacionais emitidos pela empresa, que totalizam US$ 3,6 bilhões.


A publicidade dessas tratativas, caso confirmada ao longo do dia, significa ainda que só o pedido de recuperação judicial pode proteger a empresa das cobranças dos mais diversos tipos de credores, dos donos desses papéis de dívida aos fornecedores.


A empresa possui pendências da ordem de US$ 400 milhões com seus fornecedores. Desse volume, US$ 70 milhões são críticos para a continuidade das atividades e precisariam ser quitados à vista.


A expectativa é que, uma vez confirmado, este seja o maior processo de recuperação judicial já realizado na América Latina, da ordem de R$ 10 bilhões.


A OGX continua registrando recordes, mesmo após o fracasso de seu plano estratégico. Em junho de 2008, quando estreou no pregão da BM&FBovespa, marcou a realização da maior oferta inicial de ações de um projeto pré-operacional. Levantou R$ 6,7 bilhões, pouco mais de seis meses depois de ter obtido US$ 1,3 bilhão ainda como empresa fechada, junto a investidores como o Ontario Teachers Pension Plan - fundo de aposentadoria dos professores de Ontário - e às vésperas da crise financeira internacional se agravar com a quebra do Lehman Brothers.


A companhia tem valor negativo, atualmente. Conforme pessoas envolvidas com a reestruturação, a OGX tem valor presente líquido estimado em US$ 2,5 bilhões, para dívidas que somam US$ 4,1 bilhões. O resultado dessa equação só tem como mudar após uma renegociação dos vencimentos.


Os problemas da OGX - que terminaram por contaminar todo o grupo - resultam da incorreta estratégia de financiar uma atividade de elevado risco, como exploração de petróleo, com dívida e não capital. No mundo todo, companhias de petróleo têm baixa alavancagem, com exceção do Brasil. A Petrobras também tem dívidas elevadas para a média setorial.


No auge do entusiamo com suas descobertas, em meio aos comunicados sobre os hidrocarbonetos detectados, a OGX chegou a valer R$ 75 bilhões na bolsa, no início de novembro de 2010. Na sexta-feira, estava abaixo de R$ 1 bilhão - mas chegou a bater em R$ 650 milhões de capitalização, menos de 1% de seu maior valor já registrado.


Depois de pedir a recuperação à Justiça, a companhia terá 60 dias para apresentar um plano ao juiz e aos credores. O projeto, para ser conduzido, precisará ser aprovado por pelo menos 50% dos credores sem garantia, grupo em que estão incluídos os fornecedores e os detentores do bônus de dívida.


Desde 1º de outubro, quando deixou de pagar US$ 45 milhões em remuneração dos bônus, a OGX vem conversando com esses investidores em busca de uma solução extrajudicial, antes que seja declarada inadimplente.


O prazo para esse consenso termina em 3 de novembro. Enquanto não houver divulgação da troca de propostas, há alguma esperança de diálogo, ainda que pequena. Os bônus valem hoje no mercado cerca de 10% de seu valor de face, ou US$ 350 milhões.


Na semana passada, após os 'bondholders' aceitarem conversar sobre capitalizar a OGX com US$ 200 milhões, surgiu uma nova exigência. Esse grupo queria que o controlador, Eike Batista, encontrasse uma forma de transferir para a OGX a propriedade da plataforma OSX-3, que será usada na exploração do campo de Tubarão Martelo - e que pertence à OSX.


Foi nesse ponto que as conversas pararam. Pouco antes, a petroleira havia sinalizado que aceitaria uma diluição para 10% - fatia que seria dividida entre Eike e os minoritários. Os donos dos bônus, numa conversão parcial de seus créditos e com o dinheiro novo, teriam 90% do negócio.


A publicidade das informações - quando e se ocorrer - também deixará evidente a instabilidade do discurso dos administradores da OGX, que iniciaram o diálogo afirmando que a empresa necessitava de US$ 500 milhões. Essa volatilidade acabou por prejudicar as conversas com os donos desses títulos, que se sentiam manipulados pelo mesmo apetite voraz que levou a empresa a gastar bilhões ao longo de 2013, mesmo já diante de visíveis dificuldades.


A nova administração da empresa acredita que com US$ 75 milhões seria possível chegar ao fim deste ano e garantir a operação do campo de Tubarão Martelo.


Os 'bondholders' continuarão de grande importância, mesmo em um cenário de recuperação judicial. Afinal, a aprovação de qualquer plano passa pelo aval desses investidores. Porém, numa recuperação judicial quem ganharia mais força seria o controlador.


Na primeira quinzena deste mês, a Angra Partners assumiu a gestão da OGX, com a demissão dos principais executivos da antiga equipe. Conforme o Valor apurou, foi após a chegada dessa equipe que o valor dos recursos necessários foi cortado pela última vez.


Houve também um esforço de planejamento de redução de custos. Atualmente, a OGX é uma companhia com cerca de 180 funcionários. Os cortes nos gastos virão de medidas simples, necessárias e básicas para companhias que vivem uma delicada realidade como a OGX, como a mudança da sede de um prédio em que o custo do aluguel era de R$ 1 milhão ao mês para um de R$ 200 mil mensais.


A avaliação de quem acompanhou de perto os últimos meses da OGX é de que a companhia segue com gastos desnecessários. No início de 2013, tinha R$ 3 bilhões em caixa. Agora, tem menos de R$ 100 milhões e luta para manter em dia até o pagamento de salários. Daí a economia em todas as frentes.


A OGX também não encerrou o diálogo com potenciais novos investidores. Parte da nova administração embarcou ontem à noite para Nova York, mais uma vez, para conversas com interessados. Também estão previstos encontros com os 'bondholders', para manutenção de um diálogo cordial - mesmo que a negociação formal termine e ocorra o "blow out".


Aqueles que aportarem capital na iminência de uma recuperação sabem que teriam seus recursos protegidos, com prioridade na remuneração. Existem na mesa propostas para injeção de US$ 100 milhões que podem diluir os atuais acionistas entre 20% e 50%.


Outra frente é a busca por um acordo para vender à Eneva (antiga MPX) a participação que detém na OGX Maranhão, um campo de gás no Norte do país. De posse de recebíveis da E.On, empresa alemã controladora da Eneva, a OGX iria ao mercado descontar esses papéis, na expectativa de levantar R$ 130 milhões. Os recursos serviriam tanto para chegar a uma recuperação com maior folga de caixa, afastando a sombra de uma decretação imediata de falência, até um fortalecimento para o diálogo com os 'bondholders'.



Fonte: Valor Econômico
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