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Relações externas

Nigéria e Venezuela estão entre os países que estudam misturar combustível à gasolina

09/09/2005 | 00h00

Álcool brasileiro ajuda exportador de petróleo a poupar reservas.

Países exportadores de petróleo - como Nigéria e Venezuela - estão interessados no programa brasileiro de mistura de álcool à gasolina. Para estes países, a implementação da mistura é uma forma de aumentar suas próprias reservas de petróleo para exportar mais. Já os Estados Unidos vêem o álcool como alternativa para reduzir sua dependência do petróleo.
A Petrobras e a Coimex Trading, maior exportadora de álcool do país, já estão negociando acordos com os potenciais importadores do álcool brasileiro. No final de julho, a estatal embarcou seu primeiro lote com 25 milhões de litros de álcool para a Venezuela e, neste mês, embarcará outros 25 milhões de litros, em um acordo fechado com a estatal petrolífera daquele país, a PDVSA, para que o programa de mistura de álcool seja testado naquele país.
"Esses países enxergam o álcool como um combustível limpo e renovável, mas também estão interessados nas vantagens econômicas que terão com a maior reserva do petróleo", avalia Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras. Ele disse que a companhia brasileira está aproveitando sua expertise no álcool para transmitir "segurança" aos potenciais importadores. "Há uma certa insegurança entre os países que querem implementar o programa de álcool em relação à garantia de abastecimento", disse.
Segundo Júlio Maria Martins, presidente da Job Economia e Planejamento, os exportadores de petróleo querem implementar a mistura de álcool anidro na gasolina para se beneficiarem mais do valor de suas reservas de petróleo no mercado internacional. O Brasil mantém esse programa há 30 anos, desde a criação do Proálcool.
Anyaoku Onochie Azubike, gerente geral da divisão de energia renovável da estatal petrolífera Nigerian National Petroleum Corportation (NNPC), confirmou a assinatura de um memorando de entendimento com Petrobras e Coimex para fazer um estudo sobre o mercado de álcool naquele país.
A Nigéria está entre os maiores exportadores de petróleo, mas é importador líquido de gasolina, pois sua capacidade de refino é menor que o consumo. Azubike disse que a empresa consome 30 milhões de litros diários de gasolina no país e quer implementar a mistura de 10% de álcool anidro no país. Com isso, o país economizaria 3 milhões de litros diários de gasolina. A Petrobras deverá ser encarregada da distribuição.
Moses Emeya, presidente da Ethanol Manufacturing Group, que representa os produtores de álcool da Nigéria, disse que o programa de álcool poderá fixar os fazendeiros no campo. O país produz cerca de 100 milhões de litros de álcool por ano, mas seu consumo está restrito às indústrias químicas, de bebidas e cosméticos.
Clayton Hygino de Miranda, presidente da Coimex, disse que a intenção da Nigéria é implementar a mistura a partir de outubro, mas reconhece que o prazo é apertado. A Coimex deverá dar assistência aos nigerianos para a produção de cana e industrialização da matéria-prima.
Azubike, da NNPC, disse que o país deverá ter condições de produzir álcool em escala nos próximos 24 meses e necessita de 1,1 bilhão de litros para efetuar o programa. O Brasil produz cerca de 16 bilhões de litros anuais. Até ter produção em escala, deverá importar o produto, sobretudo do Brasil. "Deveremos importar antes de janeiro", disse.
Emeya, que representa dos produtores, disse que a produção de álcool na Nigéria é feita a partir da cana-de-açúcar e da mandioca. O país não quer ser importador de álcool, mas incentivar a produção.
Nos Estados Unidos, a produção de álcool já atinge 12 bilhões de litros anuais. Michael McDougall, diretor da Fimat Futures, com sede em Nova York, disse que desde julho a produção de álcool nos Estados Unidos tem sido recorde, cerca de 249 mil galões (3,78 litros) por dia. A demanda está excedendo a oferta por conta dos altos preços da gasolina e a demanda diária por álcool está em torno de 277 mil galões de álcool. Com as recentes altas dos preços do petróleo, os EUA já consideram importar mais álcool brasileiro.
Para Martins Borges, da Job, o programa original de exportação de álcool do Brasil - priorizando o tipo hidratado, usado direto como combustível - deverá ser viabilizado a longo prazo. "A exportação de álcool anidro (misturado à gasolina) é mais prática para esses países", disse.
Durante a década de 90, o Brasil exportava em média 100 milhões de litros de álcool para fins industriais. No ano passado, a exportação alcançou 2,6 bilhões de litros. A expectativa é de que os embarques fiquem em 2,5 bilhões de litros neste ano. Apesar dos recentes aumentos do preço do petróleo, o que tem valorizado os preços do álcool no exterior, as exportações de açúcar remuneraram 30% mais que os embarques de álcool em agosto, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).



Fonte: Valor Econômico
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