O presidente da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, considerou nesta terça-feira "vantajoso" o fato de a Petrobras ser a única operadora de todos os blocos na exploração das reservas brasileiras de petróleo abaixo da camada de sal.
"Num grande projeto de exploração e produção numa área nova como o pré-sal, há muita infraestrutura que é preciso construir. Um operador comum às várias parcerias permite a otimização da infraestrutura e da exploração dos reservatórios são comuns a vários blocos", destacou.
Ferreira de Oliveira falava aos jornalistas, em Brasília, após um encontro com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Na segunda-feira, Ferreira de Oliveira participou da cerimônia de lançamento pelo governo brasileiro do novo marco regulatório de exploração do petróleo na camada pré-sal.
Na avaliação do presidente da Galp, se houvesse mais que um operador dos blocos do pré-sal, seria necessário um "entendimento profundo" para que fosse alcançada uma otimização.
"Era quase absurdo estarmos a lançar no fundo do mar infra-estrutura duplicada, uma para cada operador. Eu vejo, sem dúvidas, vantagens em ter um operador comum a todos os blocos", assegurou.
Questionado pela Lusa sobre a participação mínima de 30% da Petrobras nos consórcios privados, podendo elevar esta fatia nos leilões, Ferreira de Oliveira foi diplomático.
"Nós somos um parceiro da Petrobras em tantas associações, e parceria significa que nos alegramos com o sucesso dos nossos parceiros. Portanto, se a Petrobras ficou satisfeita, nós também ficamos satisfeitos que o nosso parceiro tenha sucesso", disse.
Interesse no Brasil
O presidente da Galp reforçou o interesse da empresa em continuar a investir no Brasil. "Viemos expressar o nosso agradecimento à qualidade do trabalho que foi feito e entregue ao Congresso e manifestar o compromisso com a nossa presença aqui no Brasil", disse Ferreira de Oliveira.
O executivo elogiou o "princípio da santidade" dos contratos existentes e disse não ter dito dúvidas de que isto seria respeitado, após explicações de Lobão, meses atrás, em Lisboa, sobre o que regeria a nova proposta legislativa para o pré-sal.
As novas regras que preveem contratos de partilha de produção só valerão para 72% da chamada província do petróleo, uma vez que os outros 28% já foram entregues a empresas privadas, entre elas a Galp.
Dos 149 mil quilômetros quadrados da faixa do pré-sal no litoral brasileiro, 107 mil terão, portanto, o controle integral do Estado.
As novas regras da exploração da camada pré-sal no Brasil já eram previstas pela Galp. "Era natural que, depois da redução do risco exploratório no pré-sal, o enquadramento legislativo fosse alterado, e ficamos muito satisfeitos com o novo enquadramento jurídico. Vamos continuar a apostar no Brasil com a mesma postura do passado", declarou.
O presidente da Galp lembrou que os chamados acordos de partilha de produção, que passam a vigorar para as áreas do pré-sal ainda não concedidas, são práticas correntes em Angola, onde a petrolífera portuguesa atua há vários anos.
Exploração
Sobre a criação da Petro-Sal, nova estatal do petróleo que fiscalizará os consórcios e poderá vetar decisões das empresas do setor, Ferreira de Oliveira disse que "ela não atrapalhará".
"A Petro-Sal vai defender os interesses do Estado brasileiro na parte de produção que lhe toca por força dos contratos de partilha. Ela não vai atrapalhar", afirmou.
A Galp tem, atualmente, cerca de 50 blocos de exploração de petróleo no Brasil em parceria com a Petrobras, incluindo seis na área do pré-sal - campos de Tupi, Júpiter, Iara, Bem-Te-Vi, Caramba e Iracema.
Segundo Ferreira de Oliveira, a empresa pretende participar em todos os concursos futuros de blocos de pré-sal. "Estaremos presentes em todas as licitações, mas não podemos especular o que resultará desta presença", afirmou o presidente da Galp.