Petróleo e Gás

Falta de mão de obra afeta construção de plataformas

A falta de mão de obra e até os ventos comprometem o ritmo de montagem de três plataformas em Rio Grande. As P-55, P-58 e P-63 integram o pacote de estruturas da Petrobras para a exploração da camada do pré-sal. O gestor executivo de operações d

Jornal do Commercio
06/09/2012 08:15
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A falta de mão de obra e até os ventos comprometem o ritmo de montagem de três plataformas em Rio Grande. As P-55, P-58 e P-63 integram o pacote de estruturas da Petrobras para a exploração da camada do pré-sal. O gestor executivo de operações da Quip, José Simão Filho, admitiu, na quarta-feira (5), em Porto Alegre, que a carência de pessoal em funções mais qualificadas e a maior velocidade dos ventos entre agosto e outubro reduzem a produtividade a níveis muito baixos. A empresa ganhou a concorrência para montar os três equipamentos com prazo de entrega até fim de 2013 e investimento em cada unidade entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões.

O executivo, que não chegou a dar uma dimensão de quanto seria a queda da velocidade de execução dos projetos, garantiu que a Quip não atrasará a entrega das encomendas devido aos entraves. Simões confirmou que a estatal tem feito cobrança sobre o cumprimento de cronogramas.

“Temos de fazer com que sejam cumpridos, mesmo esbarrando nessas dificuldades”, ponderou o gestor, indicando que a estratégia tem sido executar outras frentes da montagem quando não são preenchidas vagas em segmentos como soldadores. “Posso até colocar mil pessoas para trabalhar, mas elas não têm experiência e a execução no sangue. Temos de treiná-las na obra. Isso gera produtividade menor”, atribuiu o interlocutor.

Se agora há limitações, para 2013 poderá piorar. A demanda por mão de obra deve aumentar, o que gera preocupação sobre a capacidade da região em ofertar mais profissionais. A Quip disputa, neste momento, concorrências da estatal para mais duas plataformas.

“Hoje mobilizamos cerca de 6,5 mil trabalhadores. Se vencermos mais uma, precisaremos de mais 1,5 mil a 2 mil pessoas”, antecipou Simões. Do total, 80% seriam profissionais com origem no Rio Grande do Sul, e o restante de outros estados. A concorrência de outras empresas por mão de obra também agravará a atual carência. “O volume de serviços daqui para a frente será tão grande que gerará mais dificuldade para fazer um polo naval aqui”, preveniu Simões, e avisou: “O problema é geral”. O gestor se referiu à falta de trabalhadores também em polos como Pernambuco e Rio de Janeiro.

Já a interferência dos ventos afeta os trabalhos no dique do Estaleiro Rio Grande. O representante da empresa, que detalhou a operação no porto para a plateia do Tá na Mesa, da Federasul, esclareceu que há um bloqueio automático quando a velocidade ultrapassa determinado patamar. “Agosto foi péssimo”, qualificou Simões. No dique, está sendo finalizada a montagem da P-55, cuja integração deverá ser finalizada até a metade do próximo ano.

A Petrobras espera colocar a plataforma em produção em setembro de 2013. As outras duas estruturas estão sendo construídas no cais da Quip, que tem edificações para manter os trabalhos independentemente do clima. A conclusão será entre a metade e o fim de 2013. A empresa já investiu R$ 280 milhões em 220 metros de extensão do berço do seu estaleiro e espera a licença de instalação das obras em mais 110 metros, com aportes de R$ 100 milhões. “A Fepam pediu para começarmos as obras após a safra do camarão na lagoa. Mas precisaremos dessa estrutura em 2013, caso arrematemos mais uma plataforma”, associou.
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