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Artigo Exclusivo

Entendendo os ciclos de alta e baixa do valor do petróleo, por Bruno Epiro Gruenbaum

14/01/2019 | 08h02
Entendendo os ciclos de alta e baixa do valor do petróleo, por Bruno Epiro Gruenbaum
Divulgação Divulgação

O fundamento econômico da Oferta e Demanda é o principal influenciador do preço de toda e qualquer mercadoria. A lógica é a seguinte: quanto mais difícil de se obter e quanto mais pessoas estiverem dispostas a pagar por um produto, mais caro ele será. Em contrapartida, quanto mais fácil de obter e quanto menos pessoas estiverem dispostas a pagar, menor valor o produto terá. E o petróleo não foge à regra, sendo essencialmente uma mercadoria negociada conforme o modelo de oferta e procura. A diferença está na importância global que este produto possui, sendo primordial para a segurança energética de todo e qualquer país.

Podemos afirmar que o petróleo é um dos motores que fazem a economia girar. Afinal, ele é fundamental para locomoção, geração de energia e calor e até mesmo como matéria prima para inúmeros produtos tão distintos como asfalto e batom.

O problema é que a distribuição natural dessa commodity é bastante desigual. Enquanto a vasta maioria dos países não possui quantidade satisfatória de petróleo em seu território, outros poucos como Arábia Saudita, Irã, Rússia, Venezuela, Noruega e Nigéria têm mais do que o suficiente para suprir sua necessidade econômica interna. Estas nações podem (ou teoricamente poderiam) exportar este excedente aos que não foram favorecidos pela natureza, mas que também são dependentes do hidrocarboneto para ter sua economia girando.

O preço do “ouro negro” é o resultado desta negociação entre os agentes dos países que exportam e dos que precisam importar. Seu valor é função do quanto é ofertado e do quanto é demandado.

Os últimos 10 anos

De 2007 até meados de 2008 o mundo estava em euforia. O motivo principal era o salto econômico de alguns países em desenvolvimento encabeçados pelos chamados BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Como a economia mundial cresceu, mais energia foi demandada. Nessa época tivemos o preço recorde do barril (Brent) que alcançou USD 140.

A euforia durou pouco e rapidamente veio a ressaca. Afetado principalmente pela bolha dos subprimes dos bancos americanos, o mundo entrou na sua maior recessão em mais de meio século. A economia de diversos países retraiu levando milhões de pessoas em vários cantos do planeta a perderem o emprego e deixarem de consumir. A queda do preço foi brusca. Em apenas 6 meses o valor do barril despencou para USD 35.

Pouco a pouco a economia começou a se estabilizar e o preço da commodity retornou a um valor médio entre USD 70 e USD 90. No entanto, ao final de 2010, teve início uma nova onda de tensão no Oriente Médio - região historicamente turbulenta, mas que supre quase um terço de todo óleo do mundo. Como desdobramento, em 2011 eclodiram uma série de protestos e manifestações em diversos países da região. Essa série de revoltas, conhecida como “Primavera Árabe”, levou aos mercados o temor de que a oferta seria reduzida. Em razão disso, o preço do hidrocarboneto subiu e alcançou USD 120 o barril.

Durante cerca de 10 anos, China e Índia tiveram um crescimento econômico extraordinário batendo recordes de PIB ano após ano. Ambos são os mais populosos do planeta que somados totalizam cerca de 3 bilhões de pessoas, quase a metade da população da Terra. Por conta de sua magnitude, os dois países est desaceleraram, saindo de uma média de crescimento de 10% ao ano para 6%. Tal fato gerou um enorme baque econômico. Era o fim do “Boom das Commodities”.

Enquanto isso, nos Estados Unidos as técnicas de fraturamento hidráulico (fracking) estavam se aprimorando. O que se pensava como impossível há 25 anos, vem se provando como uma nova realidade. Mais de 4 milhões de barris de óleo equivalente (metade da produção americana) estavam sendo retirados diariamente do solo pelo método do fracking.

Nessa época, a produção foi muito maior que o consumo. A explosão da técnica, somada à desaceleração da Índia e da China, foi a causa da queda da cotação do Brent para USD 30 o barril no início de 2016.

O presente

Em junho de 2016, pensando em reverter o ciclo de baixa, os países membros da Opep junto à Rússia cortaram a produção e oferta mundial do hidrocarboneto em mais de 1 milhão de barris por dia, elevando gradualmente seu valor de mercado.

Do final de 2017 até o fim do terceiro trimestre do ano passado, algumas notícias geopolíticas elevaram ainda mais a cotação da commodity devido à potencial dificuldade de obtê-lo. Dentre as principais, merecem destaque:

• Queda constante de produção na Líbia que caiu pela metade nos últimos anos, para menos de 600 mil barris/dia.

• A queda bruta de fornecimento da Venezuela. País que chegou um dia a fornecer 3,3 milhões de barris/dia, hoje extrai menos de 1,2 milhão de barris.

• O temor do mercado ao alto endividamento dos produtores americanos de fracking, e à dificuldade de escoar uma produção que cresce e carece de dutos.

• A sanção imposta pelos EUA ao Irã que tem a terceira maior reserva petrolífera do mundo e supre países como Índia, China e Japão.

Essas notícias fizeram grande parte da indústria entrar novamente em euforia. Chegou-se a especular que ao fim de 2018, o valor do barril (Brent) passaria de USD 100, talvez até chegando a USD 150 em meados de 2019. Em setembro do ano passado, o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump chegou a pedir para que a Opep aumentasse a produção para que não houvesse disparada nos preços. Nem precisava.

As perspectivas do mercado internacional arrefeceram logo no início de outubro. A economia global entrou mais uma vez em um viés negativo que resultou numa menor demanda por hidrocarbonetos. O mau humor foi gerado pelos seguintes fatores:

• Falta de acordo formal e perspectiva da Inglaterra e da Europa em relação ao Brexit.

• Guerra comercial entre China e Estados Unidos.

• Aperto monetário pelo Banco Central americano (Fed).

• Economia chinesa cada vez mais estagnada.

• Valor recorde da dívida pública dos países. Enquanto isso, pelo lado da oferta:

• A produção americana de shale oil não para de crescer. Estimativas da IEA (Agência Internacional de Energia) apontam que graças ao óleo não convencional, os EUA produzem mais de 11 milhões de barris diários e possui estoque alto de combustíveis.

• A Rússia, hoje a segunda maior produtora do mundo, terminou o ano com uma produção recorde de cerca de 11 milhões de barris/dia.

• A sanção ao Irã aparentemente não surtiu muito efeito, visto que Índia e outros países continuam a comprar de lá, mesmo que em menor quantidade.

O barril de petróleo que alcançou USD 86 no dia 04 de outubro, despencou para USD 50 no dia anterior ao Natal. Porém, como sempre acontece, a economia já começou a se estabilizar. Pouco a pouco a moral do mercado parece voltar ao normal, com a Opep e a Rússia admitindo um novo corte nas suas produções e um certo otimismo quanto ao fim da guerra comercial entre China e EUA.

Em suma, o valor da commodity petróleo é bastante cíclico e volátil. Períodos de alta e de baixa sempre ocorreram no passado e ainda ocorrerão muitas vezes no futuro.

As empresas que sobreviverão aos períodos de instabilidade são as que estiverem preparadas; acompanhando os acontecimentos no mundo e antevendo as mudanças que cada ciclo gera. Para resistir em meio a tantas incertezas é preciso planejamento e visão de longo prazo. Não se pode prever precisamente quando teremos um novo grande ciclo econômico do petróleo, quais serão as causas ou quanto tempo vai durar. Mas, como a história prova, decerto ocorrerá.

Sobre o autor: Bruno Epiro Gruenbaum, é administrador, pós-graduado em Finanças e Marketing com especialização em Inteligência Competitiva, Estratégia Empresarial e análise Macroeconômica. Atua no setor de Óleo & Gás à 11 anos. Há 2, criou a BrMax, companhia voltada a prover Inteligência de Mercado e Análise Competitiva para médias e pequenas empresas que operam no mercado de energia.



Fonte: Bruno Epiro Gruenbaum
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