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Internacional

Argentina pune a YPF e eleva pressão sobre setor

16/02/2012 | 16h36
O aumento da pressão do governo argentino sobre a petroleira YPF, controlada pela espanhola Repsol, derrubou ontem (15) as ações da empresa nas bolsas de Buenos Aires e Madri, horas depois da divulgação de uma autuação fiscal da Afip, a receita argentina. Nos dois países as cotações da YPF puxaram para baixo o mercado de capitais. Na Espanha, a queda dos papéis da empresa foi de 1,29%, enquanto o índice IBEX35 foi negativo em 0,35%. Na Argentina, a ação da YPF caiu 4,06% e o índice Merval recuou apenas 0,01%.

A empresa ficou com as suas operações externas na Argentina suspensas até o pagamento de uma multa de US$ 8 milhões, segundo a agência governamental Telam. De acordo com a agência, a YPF é uma entre 300 empresas que estão sendo punidas pela Afip nos últimos dias.

A punição de ontem em si foi vista como pouco relevante por analistas, mas indicativa de uma ofensiva contra a companhia. "Para uma empresa como a Repsol, esta é uma autuação muito baixa, de pouco impacto operacional. O que fica claro é que o governo admite a existência de um problema concreto da Argentina na área energética e busca nas empresas um bode expiatório", afirmou o consultor Daniel Montamat, que foi presidente da YPF entre 1988 e 1989, quando a empresa ainda era estatal. A YPF foi privatizada em 1992.

O governo pressiona a YPF para que amplie seus investimentos na exploração do campo de petróleo e gás não convencional de Vaca Muerta, na Província de Neuquén, na Patagônia argentina. Segundo fato relevante divulgado pela própria YPF nas bolsas de Madri e de Buenos Aires na semana passada, a reserva potencial de Vaca Muerta é equivalente a 22,8 bilhões de barris de petróleo, sendo 13,5 bilhões na área da concessão explorada pela empresa. É a terceira maior reserva não convencional do mundo, e no comunicado a YPF a compara ao pré-sal brasileiro em termos de impacto na economia. A empresa calculou um dispêndio de US$ 28 bilhões para perfurar 2.000 poços e aumentar em 50% a produção de petróleo do país, mas não fixou o tempo para realizar a despesa. Mencionou apenas que ela seria feita "nos próximos anos".

Com um déficit comercial na conta de energia previsto para US$ 6 bilhões neste ano, caso o PIB do país cresça apenas 2%, o governo da presidente Cristina Kirchner tem pressa em tentar reverter a queda de reservas e acena com a possibilidade de encampar as áreas de exploração. Na semana passada, os governadores das Províncias produtoras de petróleo deram um ultimato a todas as petroleiras do país (universo em que a YPF detém 60% do mercado) para que estabeleçam metas de produção para as áreas de exploração. Na Argentina, o poder de concessão cabe aos governos regionais, e não ao nacional, mas a ação dos governadores contou com a orientação do ministro do Planejamento, Julio de Vido.

"O governo usa as Províncias para acenar com o fantasma da expropriação, mas o que busca na realidade é que a YPF mude a sua política estratégica de uso dos lucros", opinou um executivo de uma empresa do setor.

A YPF mudou a sua composição acionária em 2008, quando um sócio argentino, o grupo Petersen, adquiriu em dois momentos 25% do capital da empresa. Por um acordo de acionistas, o novo sócio paga a aquisição aos vendedores usando os dividendos sobre os lucros da empresa, o que reduz a capacidade de investimento da YPF. No entanto, a empresa enviou um fato relevante às duas bolsas em que cotiza, anunciando ter investindo em 2011 13,3 bilhões de pesos argentinos no país, o que equivale a cerca de US$ 3 bilhões.

O governo intensificou também a pressão sobre a YPF na área de distribuição de combustíveis. Em janeiro, o vice-presidente Amado Boudou acusou as cinco empresas que dividem o mercado argentino de prática de cartel nas vendas de óleo diesel no mercado atacadista, um segmento em que a YPF é amplamente a empresa dominante. Ao responder, alguns dias depois, a YPF divulgou uma nota em que rechaçava a acusação do governo. Procurada por este jornal, a assessoria de imprensa da YPF informou que a empresa não iria se pronunciar no dia de ontem.


Fonte: Valor Econômico
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