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Equipamentos

Wärtsilä está pronta para fornecer motores de navios e para térmicas

24/02/2005 | 00h00

De olho no renascimento da indústria naval do país e prevendo novos gargalos no sistema elétrico a partir de 2008, a gigante finlandesa Wärtsilä está apostando firme na expansão de seus negócios no Brasil. Ainda descarta instalar em território brasileiro uma unidade industrial para fabricar seus motores movidos a óleo ou a gás para navios de grande porte e usinas térmicas, mas acredita em um crescimento das vendas nos próximos anos e já prepara o terreno para isso.
O presidente mundial da companhia, Ole Johansson, percorreu gabinetes de executivos da Petrobras no Rio e reuniu-se ontem com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Diz que entre os seus objetivos está o de "cumprimentar" o governo pelo novo marco regulatório do setor elétrico, mas ele não esconde as pretensões da empresa.
Faturando hoje 80 milhões de euros/ano no Brasil, onde tem escritórios e oficinas de manutenção, a Wärtsilä quer abocanhar contratos para fornecer motores e equipamentos aos 22 petroleiros que a Transpetro está licitando. E, para crescer na área de energia, conta com um cenário que dá arrepios na ministra Dilma: a perspectiva de déficit energético a partir de 2008. "O próprio ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) alerta para esse risco", afirma o diretor da Wärtsilä no Brasil, Robson Campos.
A subsidiária brasileira da companhia alcançou seu maior faturamento em 2002, em meio ao racionamento de energia que afetou o país, quando obteve receita anual de mais de 100 milhões de euros. Com a queda no preço da eletricidade e os problemas contratuais com usinas térmicas, a demanda pelos geradores da Wärtsilä também caiu.
"Essa é uma situação temporária", diz Johansson. Para ele, governo e empresários já começarão a se mexer em 2006 e 2007 para evitar uma nova crise. "O fato de os reservatórios estarem cheios agora não significa que haverá água de sobra em 2008. E a demanda por energia está crescendo de maneira forte e contínua. Haverá necessidade de novas usinas térmicas e isso gera oportunidades para nós."
No Brasil, a companhia finlandesa forneceu motores e equipamentos para 13 usinas, que totalizam mais de 500 megawatts (MW). Entre esses empreendimentos estão as termelétricas de Petrolina e do Recife, além dos geradores que atendem empresas como Kaiser, Coteminas e o parque gráfico do jornal "O Globo". "Podemos construir uma usina e entregá-la pronta em um ano, dependendo da encomenda", promete Johansson.
Na área naval, já tem a própria Transpetro e a Marinha do Brasil como antigos clientes. Na nova licitação da subsidiária da Petrobras, o interesse é fornecer não apenas os motores para os navios, mas uma série de componentes como hélices, selos, hastes e cabos. "Vemos com grande interesse o ressurgimento da indústria naval brasileira", diz Johansson.
Apesar das boas perspectivas no Brasil, o executivo diz que o país ainda tem uma demanda pequena para abrigar uma fábrica da empresa, que faturou 2,4 bilhões de euros em 2004. "Não faz sentido, os volumes não justificam esse tipo de investimento", descarta. Ele observa que o crescimento do comércio internacional e do consumo de petróleo tem elevado a demanda por navios e aumentado o preço dos fretes.
Mas as encomendas no país são muito pequenas comparadas aos cerca de 2.000 navios pedidos mundialmente em 2004. Nos últimos dez anos, a Wärtsilä fechou cinco unidades e concentrou toda a sua produção em duas fábricas. Fora da Europa, o único país com fábricas da companhia finlandesa é a China.
No Brasil, são 260 empregados e esse número deve aumentar 20% neste ano. Johansson aponta que, se não há investimentos para produção no país, não falta aplicação em recursos humanos e transferência de know-how, com projetos de desenhados nos escritórios nacionais.



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