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Cana de açúcar

Vendas de usinas 'travam' na resistência dos compradores

29/08/2012 | 12h51

 

Com muitos dispostos a vender e poucos animados a comprar, o segmento sucroalcooleiro começa a padecer de uma espécie de encalhe de usinas. A estimativa é de que neste momento estejam à venda, com assessoria de butiques ou bancos de investimento, em torno de uma dezena de unidades industriais no Centro-Sul, com capacidade conjunta de moagem de cerca de 35 milhões de toneladas de cana por safra.
Há, ainda, muitas que desistiram da venda, como é o caso do grupo paulista Clealco, com condição de moer 10 milhões de toneladas e que não encontrou comprador interessado a pagar o valor pedido. Também não fazem parte desse universo unidades de menor porte, cujos proprietários querem negociar e que, em alguns casos, até suspenderam a moagem por falta de capital para investir no plantio de cana. Considerando-se também esse grupo, são dezenas de unidades à venda, com capacidade conjunta de moagem de pelo menos 75 milhões de toneladas.
Na lista de quem tem assessoria de butiques ou bancos de investimento a seu serviço estão as unidades da Renuka do Brasil, que tenta vender uma participação a um sócio estratégico, a Usinas Itamarati, de Mato Grosso e a espanhola Abengoa e a própria Biosev. Mesmo a francesa Louis Dreyfus tentou vender até 20% de sua controlada Biosev numa oferta inicial de ações na BM&FBovespa e suspendeu a operação sob a alegação de que o mercado não vive bom momento.
Algumas dessas empresas fizeram a partir de 2009 aquisições de outros grupos altamente endividados, foram surpreendidos com três safras de severas intempéries climáticos e tiveram pouca bagagem técnica para minimizar os problemas da área agrícola, que responde por 70% dos custos de produção do etanol e do açúcar.
A baixa rentabilidade do etanol - produto que motivou todos os investimentos desde 2006 - entrou na lista de problemas que deprimiram os que já tinham investido e afastou aqueles que avaliavam a possibilidade de fazer apostas. O resultado é que, de forma geral, os potenciais "players consolidadores" estão neste momento preocupados em resolver os problemas que têm dentro de casa antes de botar a cara na janela. Alguns saíram ao mercado, mas não para comprar, e sim para vender.
É o caso da empreiteira espanhola Abengoa, que em 2007 comprou as duas usinas da Dedini Agro por US$ 600 milhões, teve menos cana disponível do que previa e vem apresentando performance abaixo da esperada. Em fevereiro, colocou à venda suas usinas, que somam moagem de 6 milhões de toneladas, mas por enquanto não achou comprador.
Segundo cálculos do mercado, a Abengoa pagou pelas usinas o equivalente a US$ 140 por tonelada de capacidade de moagem instalada, número só menor que os US$ 150 por tonelada que a BP Biocombustíveis pagou no ano passado pelas usinas da CNAA (Companhia Nacional de Açúcar e Álcool) - valor mais elevado já pago por uma usina no Brasil. Hoje, os compradores até sentariam à mesa, mas por entre US$ 60 e US$ 80, segundo afirmou recentemente um grande empresário do segmento.
A baixa rentabilidade do etanol continua a ser a razão principal do desinteresse dos investidores pelo negócio sucroalcooleiro no Brasil. A competição direta do etanol (hidratado) com os preços artificialmente estáveis da gasolina limita os ganhos das usinas, muitas vezes não pagam os custos de produção e muito menos remuneram os elevados investimentos necessários no negócio, intensivo de capital.
A própria Petrobras Biocombustível (PBio), outro potencial players consolidador, já afirmou que pisou no freio e que fará apenas os investimentos já anunciados. "Estamos cumprindo com aportes os previstos anteriormente, mas não vamos investir recursos adicionais. A orientação do conselho de administração da companhia é que todos os investimentos devem ser feitos quando há retorno financeiro", disse o presidente da PBio, Miguel Rossetto, em entrevista ao "Valor" em julho.
Os prejuízos sucessivos de algumas companhias do segmento - aprofundados por problemas climáticos nos canaviais - também vêm afugentando novos investidores. De acordo com analistas, o fator pesou para a suspensão da oferta inicial de ações da Biosev, que tem 40 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana-de-açúcar.
Esse cenário pode mudar se vier o esperado aumento dos preços da gasolina, defende o sócio da consultoria da FG Agro, Luiz Gustavo Corrêa. "Nos nossos cálculos, um reajuste de 5% no preço do etanol implicará em aumento de 30% a 40% no valor dos ativos de etanol. Se eu fosse vendedor, não venderia agora", afirma.

Com muitos dispostos a vender e poucos animados a comprar, o segmento sucroalcooleiro começa a padecer de uma espécie de encalhe de usinas. A estimativa é de que neste momento estejam à venda, com assessoria de butiques ou bancos de investimento, em torno de uma dezena de unidades industriais no Centro-Sul, com capacidade conjunta de moagem de cerca de 35 milhões de toneladas de cana por safra.


Há, ainda, muitas que desistiram da venda, como é o caso do grupo paulista Clealco, com condição de moer 10 milhões de toneladas e que não encontrou comprador interessado a pagar o valor pedido. Também não fazem parte desse universo unidades de menor porte, cujos proprietários querem negociar e que, em alguns casos, até suspenderam a moagem por falta de capital para investir no plantio de cana. Considerando-se também esse grupo, são dezenas de unidades à venda, com capacidade conjunta de moagem de pelo menos 75 milhões de toneladas.


Na lista de quem tem assessoria de butiques ou bancos de investimento a seu serviço estão as unidades da Renuka do Brasil, que tenta vender uma participação a um sócio estratégico, a Usinas Itamarati, de Mato Grosso e a espanhola Abengoa e a própria Biosev. Mesmo a francesa Louis Dreyfus tentou vender até 20% de sua controlada Biosev numa oferta inicial de ações na BM&FBovespa e suspendeu a operação sob a alegação de que o mercado não vive bom momento.


Algumas dessas empresas fizeram a partir de 2009 aquisições de outros grupos altamente endividados, foram surpreendidos com três safras de severas intempéries climáticos e tiveram pouca bagagem técnica para minimizar os problemas da área agrícola, que responde por 70% dos custos de produção do etanol e do açúcar.


A baixa rentabilidade do etanol - produto que motivou todos os investimentos desde 2006 - entrou na lista de problemas que deprimiram os que já tinham investido e afastou aqueles que avaliavam a possibilidade de fazer apostas. O resultado é que, de forma geral, os potenciais "players consolidadores" estão neste momento preocupados em resolver os problemas que têm dentro de casa antes de botar a cara na janela. Alguns saíram ao mercado, mas não para comprar, e sim para vender.


É o caso da empreiteira espanhola Abengoa, que em 2007 comprou as duas usinas da Dedini Agro por US$ 600 milhões, teve menos cana disponível do que previa e vem apresentando performance abaixo da esperada. Em fevereiro, colocou à venda suas usinas, que somam moagem de 6 milhões de toneladas, mas por enquanto não achou comprador.


Segundo cálculos do mercado, a Abengoa pagou pelas usinas o equivalente a US$ 140 por tonelada de capacidade de moagem instalada, número só menor que os US$ 150 por tonelada que a BP Biocombustíveis pagou no ano passado pelas usinas da CNAA (Companhia Nacional de Açúcar e Álcool) - valor mais elevado já pago por uma usina no Brasil. Hoje, os compradores até sentariam à mesa, mas por entre US$ 60 e US$ 80, segundo afirmou recentemente um grande empresário do segmento.


A baixa rentabilidade do etanol continua a ser a razão principal do desinteresse dos investidores pelo negócio sucroalcooleiro no Brasil. A competição direta do etanol (hidratado) com os preços artificialmente estáveis da gasolina limita os ganhos das usinas, muitas vezes não pagam os custos de produção e muito menos remuneram os elevados investimentos necessários no negócio, intensivo de capital.


A própria Petrobras Biocombustível (PBio), outro potencial players consolidador, já afirmou que pisou no freio e que fará apenas os investimentos já anunciados. "Estamos cumprindo com aportes os previstos anteriormente, mas não vamos investir recursos adicionais. A orientação do conselho de administração da companhia é que todos os investimentos devem ser feitos quando há retorno financeiro", disse o presidente da PBio, Miguel Rossetto, em entrevista ao "Valor" em julho.


Os prejuízos sucessivos de algumas companhias do segmento - aprofundados por problemas climáticos nos canaviais - também vêm afugentando novos investidores. De acordo com analistas, o fator pesou para a suspensão da oferta inicial de ações da Biosev, que tem 40 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana-de-açúcar.


Esse cenário pode mudar se vier o esperado aumento dos preços da gasolina, defende o sócio da consultoria da FG Agro, Luiz Gustavo Corrêa. "Nos nossos cálculos, um reajuste de 5% no preço do etanol implicará em aumento de 30% a 40% no valor dos ativos de etanol. Se eu fosse vendedor, não venderia agora", afirma.

 



Fonte: Valor Econômico
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