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Gás natural

Velhos combustíveis tiram espaço do gás

22/02/2006 | 00h00

Lenha e carvão voltam a ser opções mais seguras e baratas para a indústria, apesar de mais poluentes.

A incerteza quanto à importação do gás natural boliviano e ao seu custo - que já provocou um aumento de 42% nos preços desde setembro - levou muitas empresas a mudar suas estratégias de abastecimento energético.

Ganham força combustíveis mais baratos, como a lenha e o carvão energético, mas também mais poluentes.

Setores muito dependentes do gás, como o de cerâmica branca (louças sanitárias, pisos e revestimentos) ou vermelha (telhas e tijolos), estão retornando tanto para o carvão como para a lenha, depois de passarem os últimos seis anos se adaptando ao uso do gás. Indústrias de tijolos do Rio Grande do Sul e de São Paulo aumentaram a participação da lenha em suas matrizes energéticas. O custo direto aproximado, por fornada, é em média de R$ 200 com lenha, podendo subir para R$ 400 com o gás natural, segundo especialistas.

A fabricante de cerâmica Cecrisa, por exemplo, desenvolve um gaseificador de turfa (estágio inicial do carvão), processo mais econômico de queima de combustível que o gás natural na indústria. A Karsten, têxtil com sede em Blumenau, vem ampliando sua reserva própria de eucalipto. A empresa, dona de 2,4 milhões de pés, está adquirindo mais áreas. Os investimentos são considerados estratégicos - a fabricante passou a usar lenha em praticamente 70% da sua produção, em 2002.

A Karsten, pioneira no uso do gás natural em 2000 no Vale do Itajaí, recuou dois anos depois, quando sentiu fortes aumentos do preço do combustível. Decidiu então retornar aos processos de queima usados nos anos 90 e fugir da pressão nos custos. "Hoje, pensamos em substituir o que resta de gás natural, mas isso pode demorar a acontecer porque exige elevados investimentos", diz o presidente da empresa, Carlos Odebrecht.

A Karsten não revela investimentos feitos, mas nos dois últimos anos comprou duas grandes áreas para plantio de eucalipto na região do Alto Vale, no norte catarinense. A cada ano tem aumentado a sua auto-suficiência em lenha em cerca de 20%. Atualmente, produz 60% do que utiliza na sua indústria e compra o restante de terceiros. As operações com gás natural acontecem apenas em áreas relacionadas ao beneficiamento.

O consumo médio mensal que em 2000 era de 850 mil metros cúbicos de gás natural, hoje fica em torno de 300 mil metros cúbicos.

O benefício da lenha está principalmente nos custos. "A lenha é extremamente mais barata", destaca o executivo. No ano passado, nos cálculos da empresa, foi 57% mais econômica do que o custo do gás (os dois combustíveis apresentaram aumentos de preços).

Empresas de agronegócios como Cargill e Bunge também estão ampliando seus investimentos na auto-suficiência energética principalmente por meio da queima da lenha. Mas o bagaço de cana e a casca de arroz também fazem parte da matriz energética da Bunge Alimentos.

Para a indústria de vidros, porém, as mudanças de fonte combustível é mais complicada. Os fornos de vidro passam pela sua primeira reforma entre 8 anos e 15 anos após o início das operações. "Uma mudança do gás para o óleo combustível, por exemplo, teria que ser feita durante um processo de reforma. E as novas instalações para acomodar depósito de óleo e outras tubulações custariam aproximadamente US$ 1,5 milhão. Não é possível no nosso segmento uma mudança dessa da noite para o dia", diz Lucien Belmonte, superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro).

Para Belmonte, há espaço para um aumento ainda maior do gás natural neste ano, já que os preços no ano passado foram calculados com um dólar mais alto, a R$ 2,80. "Como a moeda americana está cotada muito abaixo disso, em R$ 2,11 em média, houve uma gordura que pôde ser queimada. Mas, se o dólar subir neste ano, os reajustes serão ainda mais violentos".

Até o ano passado, os reajustes do preço do gás natural eram feitos uma vez por ano. Em 2006, os aumentos serão trimestrais. Além disso, os gastos da Petrobras na Bolívia para trazer o gás serão 114% maiores neste ano do que em relação ao ano anterior - de US$ 700 milhões para US$ 1,5 bilhão. Os royalties pagos pela brasileira ao governo boliviano terão aumento de 900%. E todos esses aumentos serão repassados ao consumidor.

Além disso, não haverá oferta do insumo suficiente para todos.

Levantamento feito pela Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) mostra que há projetos no papel que demandarão 18 milhões de metros cúbicos de gás diariamente, cerca de 70% da quantidade do insumo que hoje é importado da Bolívia. Dificilmente haverá disponibilidade para tudo isso no médio prazo, diz o vice-presidente da entidade, José Roberto Gianotti.



Fonte: Valor Econômico
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