Golfo do México

Vazamento de petróleo ameaça fauna e flora do Golfo do México

O maior desastre ecológico da história americana já dura 43 dias. A plataforma de petróleo que explodiu no Golfo do México e matou 11 trabalhadores libera 2,5 milhões de litros de óleo diariamente no oceano. Professores da Universidade de Brasília alertam que a fauna e a flora marítimas nã

UnB Agência
02/06/2010 09:26
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O maior desastre ecológico da história americana já dura 43 dias. A plataforma de petróleo que explodiu no Golfo do México e matou 11 trabalhadores libera 2,5 milhões de litros de óleo diariamente no oceano. Professores da Universidade de Brasília alertam que a fauna e a flora marítimas não vão sobreviver e algumas espécies nativas da região podem até ser extintas. De acordo com o Departamento de Vida Silvestre e Pesca da Lousiana, nos Estados Unidos, estão ameaçadas 445 espécies de peixes, 134 de pássaros, 45 de mamíferos e 32 de répteis e anfíbios.

 

 

Entre as espécies que mais preocupam os especialistas está a tartaruga marinha Kemp Ridley. Em risco de extinção antes mesmo do acidente, esse anfíbio terá sua migração interrompida na época da desova por causa do vazamento. Outros anfíbios ameaçados são os caimãs, as rãs e serpentes do mar. Até mesmo espécies recém descobertas, como peixes morcego que vivem há 48 quilômetros da plataforma, podem ser extintas antes mesmo de terem sido estudadas. "É possivelmente o maior desastre marítimo envolvendo petróleo nos Estados Unidos", afirma o professor João Corrêa Rosa, do Instituto de Geofísica da UnB.

 

A professora Isabel Zaneti, coordenadora do Núcleo da Agenda Ambiental da UnB explica que o animais morrem asfixiados quando são encobertos pelo óleo. "Até mesmo as aves podem morrer porque se alimentam na superfície”, sustenta a professora.

 

As espécies de pássaros ameaçadas que mais inquietam os pesquisadores são o pelicano marrom e as andorinhas reais. Também estão em perigo mamíferos marinhos, como o golfinho nariz de garrafa, o peixe-boi e as baleias, e animais terrestres, entre os quais coiotes e raposas. Não deverão sobreviver, ainda, numerosas espécies de peixes e crustáceos da região, que contam com importante indústria pesqueira, como o atum e o pargo vermelhos, caranguejos, camarões e ostras.

O professor João Corrêa Rosa explica que a cadeia alimentar marítima funciona de cima para baixo. O óleo que vaza há 1,5 mil metros de profundidade não se mistura com a água e sobe até a superfície, onde fica flutuando. É quando a base da cadeia alimentar, que fica na parte superior do oceano, é atingida. “Começa pelos microorganismos, depois os peixes e algas. Por fim, todo o resto será impactado”, explica.

 

PRESSÃO - O acidente na plataforma da petroleira BP aconteceu no dia 20 de abril, quando uma explosão danificou a tubulação na saída do poço principal. Engenheiros estimam que, desde então, 75 milhões de litros de óleo já tenham vazado.

 

Segundo informações divulgadas pelo porta-voz da petroleira BP, John Currie, a estratégia mais recente adotada pela empresa para estancar o derramamento de óleo é tentar cortar a tubulação e tampar o local do vazamento com uma cúpula. Ele ressalta, entretanto, que as chances de sucesso são pequenas e que outras alternativas devem ser adotadas, como abrir poços em diagonal até atingir o poço principal. A medida, segundo ele, aliviaria a pressão de saída do óleo.

O professor João Corrêa Rosa acha difícil que a situação seja controlada antes de uma catástrofe ambiental. "Como o problema tomou proporções nunca previstas, as soluções se tornam tentativas de acerto. E não sabe quando os técnicos conseguirão de fato impedir o vazamento", comenta. Ele lembra que os mergulhadores chegam somente a uma profundidade de 300 metros. "A única forma de alcançar o local é usando robôs ou veículos remotos”.

 

MARÉ NEGRA - Além do impacto ambiental, os professores enumeram outras conseqüências do desastre, como a diminuição do turismo e até o fim da pesca local. A temida maré negra poderá chegar à costa e espantar os turistas que movimentam as praias americanas. “A pesca é o efeito mais óbvio e que pode ocasionar problemas nas grandes indústrias de frutos do mar”, disse a professora Maria Júlia Martins Silva, do Departamento de Zoologia da UnB.

 

 

UnB Agência 

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