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Negócios

Vale vai dar prioridade ao ferro de Carajás e ao carvão de Moçambique

17/07/2013 | 12h08

 

Dois projetos de grande porte, com investimentos totais estimados em US$ 26 bilhões, vão permanecer no topo das prioridades da Vale nos próximos anos. No Brasil, após garantir a licença ambiental, a Vale vai se concentrar na implantação do projeto de minério de ferro batizado de S11D, em Carajás (PA), o maior da história da companhia, com investimentos de US$ 19,5 bilhões. No exterior, o foco é a expansão do negócio de carvão de Moatize, em Moçambique, com US$ 6,5 bilhões.
"Não podemos ter distração, estamos focados nesses dois projetos de classe mundial", disse ao 'Valor' o presidente da Vale, Murilo Ferreira. Ao mesmo tempo que prioriza essas duas áreas, a Vale continua com a venda de ativos não estratégicos, processo que começou há cerca de dois anos. "Existe um portfólio que aguarda o momento mais adequado para desinvestimentos", disse. Na lista de ativos à venda, estão desde blocos de exploração de petróleo e gás até negócios no setor de alumínio. Mais um ativo engordou essa lista.
A Vale planeja vender também participação de 40% na Mineração Rio do Norte (MRN), a maior produtora de bauxita do Brasil. Com essa operação, ainda em fase de estudos, a Vale sairá de vez do negócio de alumínio. Há alguns anos, a empresa vendeu a maioria de suas operações para a Norsk Hydro. O negócio envolveu empresas de mineração, refinaria de alumina (Alunorte) e fundição de alumínio (Albras). Na época, a Vale ficou com a MRN e com 22% do capital da Norsk Hidro. A MRN é um consórcio que tem como sócios Alcoa, Rio Tinto Alcan, BHP Billiton, Norsk e Votorantim, além da Vale. A MRN tem capacidade de produzir 16 milhões de toneladas por ano em Oriximiná (PA).
Outro desfecho importante para a companhia está previsto para o fim deste mês, quando o conselho de administração da Vale deverá aprovar a entrada de três novos sócios na Valor da Logística Integrada (VLI), empresa de serviços ferroviários e portuários voltada para carga geral. A Vale tem 100% do capital da VLI, mas está disposta a vender até 70%, segundo admitiu Ferreira. Entre os novos sócios, estão dois grupos estrangeiros. Para ele, essa é uma sinalização importante quando muita gente tem dúvidas em relação ao Brasil.
Entre os projetos prioritários, está a duplicação do projeto de carvão de Moatize, com investimentos de US$ 2 bilhões e previsão de entrada em operação no segundo semestre de 2015. Moatize é ligado à modernização e à construção de ferrovia, o corredor Nacala, que atravessa o Malawi e exigirá investimentos de US$ 4,4 bilhões. Ferreira disse que essa ferrovia, prevista para entrar em operação em 2014, pode ser um veículo de desenvolvimento ao longo do trajeto de quase 900 quilômetros.
No Brasil, o desafio está em desenvolver o S11D, na Serra Sul de Carajás. O objetivo é executar o projeto no prazo e custos aprovados. No início do mês, a Vale obteve do Ibama a licença de instalação que permite o início das obras de construção da usina que vai processar o minério. O projeto é fundamental na estratégia de crescimento da Vale no Norte do país, onde já produz minério de qualidade a baixo custo. O desenvolvimento do S11D, previsto para começar a operar no segundo semestre de 2016, coincide com a discussão de um novo marco regulatório para o setor mineral no país.
O executivo considerou positivo o fato de o governo não ter batido o martelo sobre a nova alíquota do royalty para o minério de ferro no projeto de lei enviado ao Congresso. "Acho que foi sábia a decisão de deixar a alíquota aberta", disse Ferreira. Afirmou que pequenas mineradoras podem ter uma condição de sobrevivência e de lucratividade com a incidência de 4% da Cfem sobre um preço do minério de ferro a US$ 200 por tonelada. "Mas 4% sobre um preço [do minério] a US$ 80 por tonelada muitas empresas não têm condições de pagar". E acrescentou: "Para nós, é importante ter toda a indústria mineral no Brasil, empresas de pequeno, médio e grande porte, pois, se tiver um mercado reprimido, com poucos players, será ruim".
O presidente da Vale mostrou-se tranquilo em relação às pendências enfrentadas pela empresa. Disse que a disputa dos royalties com o DNPM avançou muito e que continua confiante na discussão sobre tributação de controladas e coligadas no exterior, processo em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). "Continuamos crentes de que nossas teses prevalecerão".
Ferreira também falou sobre as negociações envolvendo a compra da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O executivo afirmou que houve muita especulação em relação à hipótese de a Vale fazer parte de um acordo em que cada sócio (Thyssen, CSN e a própria mineradora) ficaria com um terço da CSA. Ele confirmou que esse modelo foi objeto de estudos, mas observou: "De forma alguma isso prosperou". Segundo ele, a Vale deu sua contribuição para o projeto da CSA. Isso significa que não tem planos de aumentar sua fatia acionária na siderúrgica.

Dois projetos de grande porte, com investimentos totais estimados em US$ 26 bilhões, vão permanecer no topo das prioridades da Vale nos próximos anos. No Brasil, após garantir a licença ambiental, a Vale vai se concentrar na implantação do projeto de minério de ferro batizado de S11D, em Carajás (PA), o maior da história da companhia, com investimentos de US$ 19,5 bilhões. No exterior, o foco é a expansão do negócio de carvão de Moatize, em Moçambique, com US$ 6,5 bilhões.


"Não podemos ter distração, estamos focados nesses dois projetos de classe mundial", disse ao 'Valor' o presidente da Vale, Murilo Ferreira. Ao mesmo tempo que prioriza essas duas áreas, a Vale continua com a venda de ativos não estratégicos, processo que começou há cerca de dois anos. "Existe um portfólio que aguarda o momento mais adequado para desinvestimentos", disse. Na lista de ativos à venda, estão desde blocos de exploração de petróleo e gás até negócios no setor de alumínio. Mais um ativo engordou essa lista.


A Vale planeja vender também participação de 40% na Mineração Rio do Norte (MRN), a maior produtora de bauxita do Brasil. Com essa operação, ainda em fase de estudos, a Vale sairá de vez do negócio de alumínio. Há alguns anos, a empresa vendeu a maioria de suas operações para a Norsk Hydro. O negócio envolveu empresas de mineração, refinaria de alumina (Alunorte) e fundição de alumínio (Albras). Na época, a Vale ficou com a MRN e com 22% do capital da Norsk Hidro. A MRN é um consórcio que tem como sócios Alcoa, Rio Tinto Alcan, BHP Billiton, Norsk e Votorantim, além da Vale. A MRN tem capacidade de produzir 16 milhões de toneladas por ano em Oriximiná (PA).


Outro desfecho importante para a companhia está previsto para o fim deste mês, quando o conselho de administração da Vale deverá aprovar a entrada de três novos sócios na Valor da Logística Integrada (VLI), empresa de serviços ferroviários e portuários voltada para carga geral. A Vale tem 100% do capital da VLI, mas está disposta a vender até 70%, segundo admitiu Ferreira. Entre os novos sócios, estão dois grupos estrangeiros. Para ele, essa é uma sinalização importante quando muita gente tem dúvidas em relação ao Brasil.


Entre os projetos prioritários, está a duplicação do projeto de carvão de Moatize, com investimentos de US$ 2 bilhões e previsão de entrada em operação no segundo semestre de 2015. Moatize é ligado à modernização e à construção de ferrovia, o corredor Nacala, que atravessa o Malawi e exigirá investimentos de US$ 4,4 bilhões. Ferreira disse que essa ferrovia, prevista para entrar em operação em 2014, pode ser um veículo de desenvolvimento ao longo do trajeto de quase 900 quilômetros.


No Brasil, o desafio está em desenvolver o S11D, na Serra Sul de Carajás. O objetivo é executar o projeto no prazo e custos aprovados. No início do mês, a Vale obteve do Ibama a licença de instalação que permite o início das obras de construção da usina que vai processar o minério. O projeto é fundamental na estratégia de crescimento da Vale no Norte do país, onde já produz minério de qualidade a baixo custo. O desenvolvimento do S11D, previsto para começar a operar no segundo semestre de 2016, coincide com a discussão de um novo marco regulatório para o setor mineral no país.


O executivo considerou positivo o fato de o governo não ter batido o martelo sobre a nova alíquota do royalty para o minério de ferro no projeto de lei enviado ao Congresso. "Acho que foi sábia a decisão de deixar a alíquota aberta", disse Ferreira. Afirmou que pequenas mineradoras podem ter uma condição de sobrevivência e de lucratividade com a incidência de 4% da Cfem sobre um preço do minério de ferro a US$ 200 por tonelada. "Mas 4% sobre um preço [do minério] a US$ 80 por tonelada muitas empresas não têm condições de pagar". E acrescentou: "Para nós, é importante ter toda a indústria mineral no Brasil, empresas de pequeno, médio e grande porte, pois, se tiver um mercado reprimido, com poucos players, será ruim".


O presidente da Vale mostrou-se tranquilo em relação às pendências enfrentadas pela empresa. Disse que a disputa dos royalties com o DNPM avançou muito e que continua confiante na discussão sobre tributação de controladas e coligadas no exterior, processo em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). "Continuamos crentes de que nossas teses prevalecerão".


Ferreira também falou sobre as negociações envolvendo a compra da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O executivo afirmou que houve muita especulação em relação à hipótese de a Vale fazer parte de um acordo em que cada sócio (Thyssen, CSN e a própria mineradora) ficaria com um terço da CSA. Ele confirmou que esse modelo foi objeto de estudos, mas observou: "De forma alguma isso prosperou". Segundo ele, a Vale deu sua contribuição para o projeto da CSA. Isso significa que não tem planos de aumentar sua fatia acionária na siderúrgica.

 



Fonte: Valor Econômico
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