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Etanol

Usineiros temem estoque nas mãos da Petrobras

05/03/2007 | 00h00

Ao sugerir que um estoque regulador de etanol seja administrado pela Petrobras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levantou um tema delicado para o setor privado. Os usineiros vêem com receio a iniciativa, porque temem ficar reféns da estatal, e preferem administrar os próprios estoques. Mas essa possibilidade deixa de sobreaviso os consumidores de álcool combustível, que consideram "delicado" uma das partes do mercado deter esse poder de barganha. 

"O álcool é estratégico e o governo não pode ficar a margem do processo", diz o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que hoje coordena a Comissão Interamericana do Etanol junto com o ex-governador da Flórida, Jeb Bush, irmão do presidente George W. Bush. "Mas não existe álcool sem cana, nem biodiesel sem oleaginosa. O etanol é uma questão de segurança energética, mas passa pela agricultura. A Petrobras hoje é uma empresa agrícola?", questiona. 

Segundo o diretor do departamento de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti da Fonseca, Lula está certo ao defender que o Brasil se organize melhor para cumprir os contratos de etanol no exterior, mas não necessariamente esse papel seria da Petrobras. "É preciso que alguém garanta o suprimento, a logística e faça a negociação de preço", diz o executivo, que também preside a Ethanol Trading, que exporta álcool. Ele acrescenta que o setor é muito pulverizado com mais de 300 produtores em 14 Estados. 

Gianetti da Fonseca desenha três cenários para a comercialização de álcool no país: tradings multinacionais que já atuam no mercado de açúcar, Petrobras, ou uma trading dos usineiros. "Delegar para a Petrobras pode criar uma situação desconfortável para os produtores", diz. "O melhor seria a Petrobras e a trading dos produtores trabalhando juntas". 

Marcos Sawaya Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociação Internacionais (Icone), que é financiado por grandes entidades agrícolas, acredita que estoques reguladores só farão sentido se o mercado realmente existir. "O problema não é de estoque, é de produção", diz. Ele acredita que a saída para desenvolver o mercado de etanol é convencer os países a aumentar a mistura do combustível na gasolina e reduzir as tarifas ao redor do mundo. Jank diz que o Japão é o único país do mundo que precisa de 100% de garantia de fornecimento por conta de sua geografia, enquanto os outros podem ter alguma produção agrícola própria. 

Para o presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, "o estoque regulador é básico e muito importante". Ele diz que o estoque traria "estabilidade de preço e previsibilidade de oferta", já que o etanol é produzido em alguns meses, mas consumido o ano todo. A União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), procurada, não quis comentar a proposta do presidente sem conhecer seus detalhes. 

É provável que a discussão sobre um estoque regulador não esteja no centro das conversas entre Bush e Lula na sexta-feira. Os presidentes focarão os esforços na padronização, na tecnologia e na colaboração em terceiros mercados, como América Central e Caribe. "Isso vai permitir a commoditização do etanol como combustível", diz Carlos Cavalcanti, diretor-adjunto de comércio exterior da Fiesp, que esteve em Washington discutindo o assunto com autoridades americanas. "Do ponto de vista econômico, ainda é difícil dimensionar o impacto no futuro". 

Jank diz que as conversas Lula-Bush serão "um começo importante", mas que ainda se trata de uma "agenda fácil". Ele acredita que os presidentes não devem chegar na "alma" da questão, que é a logística para exportação e o acesso a terceiros mercados. 

Os americanos também já descartaram negociar a tarifa cobrada para importação do etanol brasileiro. Rodrigues afirma que a questão não é preocupante no curto prazo, porque o Brasil ainda precisa garantir o abastecimento interno. Mas que o país já deve começar a marcar posição. "A tarifa ainda não é importante comercialmente, mas é importantíssima politicamente", diz. 

A agenda de Bush no Brasil não está confirmada, mas alguns empresários ligados ao setor energético foram sondados para a possibilidade dese reunirem com o mandatário americano na sexta-feira pela manhã. 



Fonte: Valor Econômico
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