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Álcool

Usineiros consideram alteração justa

22/02/2006 | 00h00

Os empresários do setor sucroalcooleiro acreditam que a alteração da mistura do álcool na gasolina, de 20% para 25%, faz sentido neste momento de oferta justa do combustível durante a entressafra da cana. Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), não encara a redução da mistura como um problema para o setor.

Segundo Carvalho, a alteração da mistura está prevista em lei, o que permite essa flexibilização. Para ele, seria problema para o setor se o governo federal decidisse impor tarifas para exportação do álcool.

Carvalho admite que a imposição dessa tarifa poderia inibir os investimentos do setor no combustível.

Ontem, os empresários sucroalcooleiros se reuniram, em São Paulo, para discutir a antecipação da safra 2006/07 de maio para março no Centro-Sul do país. A expectativa é que as usinas processem em torno de 20 milhões de toneladas de cana entre março e abril, com 60% da produção da cana destinada para o álcool. Esses volumes seriam suficientes para a produzir 850 milhões de litros, segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

A Unica ainda não divulgou suas estimativas de produção de cana para o Centro-Sul em 2006/07, mas os volumes deverão superar os 338 milhões de toneladas da safra 2005/06 por conta do bom regime de chuvas e com a expansão de área plantada. No dia 1º de março, a usina Cocamar, instalada em São Tomé (PR), será a primeira usina do país a dar início à moagem de cana da safra 2006/07.

Padua lembrou que a oferta escassa de álcool nesta entressafra reflete um incremento da demanda pelo combustível na safra 2005/06. A demanda aumentou cerca de 800 milhões de litros, para 13,4 bilhões de litros, por conta da maior circulação de veículos bicombustíveis no país. Padua também atribui a menor oferta de álcool à queda da produção de cana em alguns Estados, como Paraná e Mato Grosso. A projeção inicial era de que o Centro-Sul produzisse 15 bilhões de litros, mas a oferta ficou em 14,4 bilhões de litros. "O clima seco prejudicou o desenvolvimento da cana em alguns Estados."

Carvalho voltou a reiterar que o rompimento do compromisso de preços do álcool combustível em até R$ 1,05 (posto usina) reflete as atuais condições de mercado, de estoques apertados.



Fonte: Valor Econômico
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