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Combustíveis

Usinas devem 'molhar' anidro para reduzir excesso de oferta

09/12/2011 | 16h30
As usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul do país devem adicionar água ao etanol anidro para transformá-lo em etanol hidratado. O mercado estima que mais de 500 milhões de litros de anidro serão 'molhados' em toda a região Centro-Sul durante a entressafra, que vai até março de 2012. O ajuste deve ocorrer, segundo especialistas, porque vai sobrar anidro. A produção e a importação foram grandes este ano, enquanto a demanda foi reprimida por causa da redução do percentual de mistura na gasolina de 25% para 20%.

A operação não é necessariamente uma novidade. Ao fim de toda safra, é comum algumas usinas, pontualmente, fazerem ajustes nos estoques colocando água no anidro. Mas, segundo especialistas, são volumes muito pequenos, sequer estimados, diferentemente do que deve ocorrer nesta entressafra.

A Copersucar, a maior comercializadora de açúcar e etanol do país, calcula que entre 500 milhões e 600 milhões de litros de etanol anidro devem ser transformados em hidratado. O presidente da empresa, Paulo Roberto de Souza, não acredita que o efeito será a queda dos preços. "O que deve ocorrer é uma contenção da alta das cotações esperada para a entressafra", diz.

Mas especialistas acreditam que adicionar 500 milhões de litros ao mercado de hidratado pode gerar alguma pressão. "Trata-se de 100 milhões de litros por mês, o equivalente a 10% das vendas mensais", afirma um trader.

Pode haver, também, alguma reação no consumo do hidratado, que tem sido fraco este ano por causa dos preços, pelo menos, 20% mais altos que em igual período de 2010. Somente em outubro, último dado do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), a queda no consumo foi de 36,5% na comparação com igual mês de 2010.

No acumulado entre janeiro e outubro, a retração é de 16,47%. "Não temos ainda os dados consolidados de novembro. Mas as informações preliminares indicam nova queda", antecipa o presidente-executivo do Sindicom, Alísio Mendes Vaz.

Justamente para evitar falta de anidro - e uma consequente redução da mistura na gasolina pelo governo -, as usinas do Centro-Sul redobraram o esforço para produzir mais esse tipo de biocombustível e também garantir contratos de importação.

Assim, mesmo em tempos de forte quebra nos canaviais, a produção do anidro foi a única a crescer entre os três produtos sucroalcooleiros (açúcar, anidro e hidratado). Os últimos dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), acumulados até 16 de novembro, mostram que a fabricação desse produto subiu 12,75%, enquanto a de hidratado recuou 28% e a de açúcar caiu 4,7%.

As importações avançaram de cerca de 250 milhões de litros no ciclo passado para mais de 600 milhões de litros no acumulado desta safra. Segundo estimativas da Copersucar, outros 250 milhões de litros de anidro devem ser desembarcados no Centro-Sul até o fim da safra, em março.

Na contramão, a demanda recuou 1 bilhão de litros com a redução da mistura do etanol na gasolina, de 25% para 20%, vigente desde 1º de outubro. Por outro lado, o consumo - e a importação - de gasolina estão batendo recorde este ano.

Transformar anidro em hidratado é, basicamente, um processo simples: consiste na adição de 5% de água ao anidro. A estimativa é que represente um custo adicional de 3% às usinas. Isso porque o custo de produção de anidro já é 8% maior do que o do hidratado. "No final das contas, se ganha em volume, mas se perde em custo", explica o presidente da Copersucar.

A previsão é que o reprocessamento do anidro comece em fevereiro, com a proximidade do fim da entressafra. No entanto, até lá, algumas definições ainda virão. Isso porque uma parte do volume contratado de importação tem cláusula que permite novo acordo para cancelamento (washout). Segundo fontes, o volume pode ser maior ou menor que 500 milhões de litros. Tudo vai depender da rentabilidade da importação trará no momento de liquidação do contrato.


Fonte: Valor Econômico
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