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Energia atrasada

Usina atrasa entrega de energia, mas ainda aposta em cogeração

24/05/2010 | 10h38

Mais da metade das usinas sucroalcooleiras que contrataram energia no leilão de reserva de 2008 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estão com a entrega de 2010 atrasada. Segundo a agência reguladora, são projetos de 15 indústrias com problemas nas próprias obras ou que aguardam pela conclusão das linhas de transmissão e distribuição.

Apesar do atraso, o setor mantém a projeção de avançar nos investimentos em cogeração. No próximo leilão de reserva de biomassa, por exemplo, que deve ocorrer em agosto, 55 projetos de usinas estão cadastrados a participar, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Essa adesão inicial é 56% maior do que os 31 empreendimentos que participaram da primeira oferta pública do gênero, em 2008.

O mercado estima que esses projetos cadastrados devem absorver investimentos de R$ 8,5 bilhões até serem concluídos. A estimativa é de que eles gerem juntos 3.518 megawatts (MW), ou seja, uma oferta de energia 50% maior do que a contratada no leilão para entrega neste ano, por exemplo.


 
 

Mas, paralelamente, o setor corre contra o tempo para realizar as entregas de energia de 2010, que começaram a vencer em abril. Frederico Rodrigues, superintendente de estudos de mercado da Aneel, esclarece que o problema que causou o adiamento não está somente nas usinas.

Também houve atraso no cronograma da construção de linhas de transmissão e distribuição que farão essa energia sair da usina e transitar no sistema elétrico nacional. "Há linhas construídas especialmente para receber a energia de usinas, e ficarão prontas apenas em outubro", diz Rodrigues.

Em despacho do dia 3 de maio, a Aneel determinou a retenção do depósito das parcelas referentes ao pagamento desta energia cuja entrega está atrasada. O despacho tem como base relatório de fiscalização da agência que verifica, projeto a projeto, as condições de conclusão do empreendimento. Estão acordadas para este ano a entrada de 2.130 MW, mas projetos que somam 1.230 MW, ou seja, 57,7% do total, já estão atrasados e tiveram retidos pagamentos que somam R$ 20 milhões, segundo a Aneel.

Os contratempos dos empreendedores, ou seja, das usinas, deveram-se, em grande parte, às dificuldades de crédito trazidas pela crise mundial a partir de meados de 2008. Postergações atingiram toda a cadeia, inclusive as empresas que fornecem equipamentos de cogeração, segundo o assessor de bioeletricidade da Unica, Zilmar José de Souza.

Especialista em projetos de cogeração e sócio da FG Agro, Marcelo Nishida, acrescenta que outro obstáculo é que a maioria das unidades industriais desperta muito tardiamente para a necessidade de adequar o empreendimento de cogeração ao marco regulatório e à interligação ao sistema nacional.

A despeito desses reveses, a perspectiva da Unica é de que a entrega de energia cogerada a partir do bagaço de cana salte dos 5.869 gigawatts/hora (GW/h) em 2009 para 9.198 GW/h até o fim deste ano. Se cumprida a meta, o volume equivalerá a quase 10% da energia gerada em 2009 pela usina Itaipu, segundo compara o assessor da Unica.

Das 437 usinas sucroalcooleiras em funcionamento no Centro-Sul, apenas 22% exportam energia elétrica para o sistema nacional, o que mostra, na avaliação de Souza, o potencial de expansão desse segmento. As 100 unidades industriais que venderam energia no ano passado exportaram 670 MW médios, cerca de 7% da geração de Itaipu.

O aumento do interesse por projetos de cogeração se deve, em parte, segundo o assessor da Unica, às garantias de mercado e remuneração trazidas pelos leilões governamentais de reserva de energia de biomassa. "O setor saiu da crise e vai agora manter esse ciclo de investimentos", acredita. Também pesa a favor a nada desprezível receita trazida pela venda desse insumo. Segundo cálculo da FG Agro, a cogeração é responsável por um terço da geração de caixa das usinas.

 

 

Por Fabiana Batista, de São Paulo



Fonte: Valor Econômico
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