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Nordeste

Uma cidade à espera do óleo

09/02/2006 | 00h00

Sousa, no interior da Paraíba, já vive onda de otimismo desde que foi achado petróleo.

Sob o sol inclemente do sertão paraibano, o agricultor Crisogomio Estrela, 40 anos, dono do sítio Sagüi, a 15 quilômetros da cidade de Souza, decidiu tomar a única providência que lhe restava para minorar os efeitos da prolongada estiagem. Fez o que faz a maioria dos pequenos proprietários que, como ele, passa a vida lutando contra as adversidades climáticas nos 1,4 mil metros quadrados da região da Bacia do Rio Peixe, em pleno semi-árido paraibano. Contratou um trabalhador autônomo para cavar um poço em busca da água que precisava para manter o pequeno rebanho de caprinos e ovinos. Concluído o serviço, Crisogomio notou que os bodes se aproximavam da água mas não bebiam. Ficou tão contrariado que não quis pagar o valor do serviço pensando que havia sido enganado. Insistente, fez com que a perfuração fosse alongada até 36 metros. Mas, aí teve uma surpresa. Em vez de água, achou petróleo.
A história percorreu rapidamente a região e foi parar em gabinetes dos técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do governo da Paraíba. O agricultor recebeu a visita da comitiva do governador da Paraíba, que se deslocou 430 km desde João Pessoa. Estrela disse às autoridades que, na verdade, precisava mais de um trator do que de petróleo. Foi alvo de comentários divertidos, mas ficou com as duas alternativas porque ganhou um trator financiado por cooperativas e continua com as terras cheias de petróleo. Enquanto aguarda a decisão da ANP, o popular “Gangão”, seu antigo apelido, é alvo da curiosidade da mídia.

O diretor de Operações da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba, Marcelo Borges, conta que entre os anos de 2002 e 2003 a área passou a ser pesquisada por uma comitiva de técnicos da ANP e do estado. Enquanto percorriam a região, percebiam que dezenas de agricultores, em 10 municípios na bacia sedimentar da Paraíba, apostavam que nas suas terras também havia petróleo. Foram feitas duas coletas de amostras por quilômetro quadrado. Todas elas apresentaram resultados positivos indicando a presença de petróleo.

O prefeito de Sousa, Salomão Gadelha, comemora a perspectiva da cidade, que já possui 70 mil habitantes. Ele lembra que o Vale do Rio do Peixe é uma zona de aluvião onde se encontram fósseis de 60 milhões de anos, da época dos dinossauros. Ele comemora ainda que o petróleo encontrado em Sousa é do tipo leve, mais valorizado do que o pesado, mais comum no país.

A onda de otimismo gerada com o petróleo vem sendo confirmada pelo comportamento do mercado de imóveis. As terras do município de Souza estão sendo valorizadas e ninguém consegue mais adquirir terrenos, enquanto florescem investimentos em projetos de agricultura irrigada no perímetro do rio Piranhas. Gadelha fala com entusiasmo ao exibir os números do orçamento da prefeitura, que pulou de R$ 15 milhões em 2002 para R$ 40 milhões previstos para 2006. A cidade é famosa por produzir a melhor água de coco do país e única a possuir selos de qualidade conferidos oficialmente a esse produto. Os números do turismo receptivo também reforçam a onda de otimismo que varre a cidade, haja vista que em sua última edição o Festival do Coco atraiu a presença de 80 mil pessoas em seu conjunto de eventos agendados pela prefeitura local.



Fonte: Jornal do Brasil
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