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Estudo

Turismo costeiro e pesca rendem 4x mais do que petróleo nos EUA

12/11/2010 | 09h26
Um grupo ambientalista americano afirma que o turismo e a pesca nos EUA rendem anualmente US$ 204 bilhões para as economias das regiões costeiras do Pacífico, Atlântico e das margens do Golfo na Flórida. O valor é quatro vezes mais do que o montante anual estimado para o petróleo e para o gás, obtidos de perfurações em alto mar.


Realizado pela Environment America, o estudo reduz a intensidade emocional dos discursos ambientalistas contra as prospecçôes em alto mar, através de uma análise com base econômica.


"Os números mostram que os recursos potenciais da prospecção não valem o risco" afirma Michael Gravitz, o autor do relatório, referindo-se à possibilidade de outro vazamento, que poderia contaminar recifes de corais próximos da Flórida e as águas do Pacífico, ricas em salmão.


"Nossa pesquisa torna claro que praias e oceanos limpos valem muito mais do que a procura pelas últimas gotas de óleo de nossas costas", complementou Gravitz.


A análise foi feita, em grande parte, com dados do governo federal sobre o comércio pesqueiro, a renda anual do turismo em áreas costeiras e a pesca recreativa nestas regiões, para posteriormente calcular o impacto econômico de um vazamento de óleo nas redondezas.


Depois do acidente da BP em abril deste ano, em que um poço de prospecção explodiu e deixou escapar 200 milhões de barris de petróleo no Golfo do México, o número de reservas em hotéis despencaram e os operadores de barcos fretados para navegar pela costa do Golfo sofreram cancelamento dos serviços em grande escala.


O resultado, de acordo com um estudo da Associação de Turismo dos EUA, será um prejuízo de pelo menos US$ 7,6 bilhões para o setor.


Algumas semanas antes do vazamento da BP, o presidente americano Barack Obama havia anunciado planos de expansão das prospecções em regiões da costa do Atlântico, do Pacífico e na parte leste do Golfo do México.


Líderes da indústria de petróleo e gás argumentam que o valor das commodities só mostram parte do panorama: a análise neglicenciaria os gastos atrelados à atividade de prospecção, dos salários dos trabalhadores do setor em Louisiana e no Texas às tubulações construídas.


Outra controvérsia com relação às estimativas governamentais para o petróleo e para o gás também diz respeito aos avanços nas técnicas de prospecção e nos testes geológicos, que podem identificar novos reservatórios subterrâneos.


Jack Gerard, presidente do Instituto Americano do Petróleo, afirmou que "explorar e desenvolver as reservas de petróleo nos mares dos EUA pode ajudar a gerar mais de um trilhão de dólares e somar milhares de novos empregos aos 9,2 milhões já existentes na indústria de petróleo e de gás".


Ativistas contrários às prospecções baseiam-se na renda do turismo e da recreação em seus argumentos contra a expansão da atividade industrial petroleira, especialmente após o acidente da BP. O senador de New Jersey, Robert Menendez, argumenta que, mesmo que as prospecções sejam barradas nas costas de seu estado, um vazamento no sul do Golfo pode migrar para o norte, ameaçando as praias de New Jersey.


Senadores da costa oeste se uniram neste ano para propor um veto à atividade nas águas do Pacífico sob jurisdição federal porque, segundo eles, o risco é muito grande.


A senadora Barbara Boxer, da Califórnia, que liderou a proposta, afirmou que 388 mil empregos são relacionados ao turismo californiano, à pesca e ao setor de recreação. "Nós simplesmente não podemos assumir o risco da atividade petroleira na nossa costa magnífica", defende.


Fonte: Estadão
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