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Novas energias

Texas, capital do petróleo nos EUA, aposta em energia eólica e solar

30/08/2016 | 10h17

Numa noite de ventos fortes em fevereiro, o mercado de energia elétrica do Texas atingiu um marco histórico. Cerca de metade da energia que chegava à rede elétrica vinha de turbinas eólicas, um nível inimaginável dez anos atrás num lugar mais conhecido por sua longa ligação com os combustíveis fósseis.

O Estado americano ainda apoia seu setor de petróleo e gás, tendo liderado a revolução do fraturamento hidráulico, ou "fracking", uma técnica inovadora que permitiu a exploração de formações de xisto. Ainda assim, uma igualmente surpreendente bonança energética no Texas está passando quase despercebida: a ascensão das fontes renováveis.

O Texas adicionou mais capacidade de geração baseada na energia eólica do que qualquer outro Estado americano, com turbinas eólicas tendo respondido por 16% da sua capacidade de geração de energia em abril. O Estado agora prevê um enorme incremento da energia solar.

Num momento em que os políticos dos EUA travam um debate feroz sobre mudanças climáticas e os críticos dizem que a "energia verde" não passa de uma invenção do governo, o Texas vem seguindo uma abordagem que funciona dentro do sistema de energia do Estado, baseado no mercado livre. Autoridades locais dizem ser praticamente certo que a energia eólica e a solar vão ter um papel cada vez mais significativo no futuro do setor energético do Texas, mesmo com a diminuição dos subsídios do governo federal, nos próximos anos.

"Estamos no terceiro capítulo de um livro com 50 capítulos", diz Joel Mickey, diretor de projeto e desenvolvimento de mercado da Electric Reliability Council of Texas (Ercot), operadora da rede elétrica do Estado.

Fora do Texas, a maior parte do crescimento das energias renováveis está ocorrendo nos Estados tradicionalmente liderados pelo partido do governo, o Democrata. A Califórnia é líder em energia solar, com mais sistemas gerando energia hoje do que o Texas espera adicionar nos próximos cinco a dez anos.

Neste mês, Nova York concluiu um plano para chegar a 2030 com metade de sua energia vinda de fontes que não geram emissão de carbono, com grandes metas para turbinas eólicas em alto-mar. Parques eólicos forneceram quase 35% da energia consumida no Estado de Iowa no ano passado — o percentual mais alto entre todos os Estados americanos.

O Texas continua sendo um dos poucos Estados liderados pelo Partido Republicano, de oposição, a aderir a essa tendência. Mas sua transformação não se deu sem riscos. No começo, o governo estadual cobrou bilhões de dólares em impostos dos usuários do sistema elétrico para construir as linhas de transmissão necessárias para trazer a energia gerada no oeste do Estado, onde os ventos são abundantes, para as cidades carentes de energia. Também houve uma curva de aprendizado. A energia renovável só está disponível quando há vento e o sol brilha. Ela não pode simplesmente ser enviada quando é preciso, mas apenas quando está disponível, o que significa que as autoridades responsáveis pela rede de energia tiveram que desenvolver uma obsessão por previsões meteorológicas. Ainda não existem tecnologias eficientes para armazenagem em baterias.

E ainda há a questão dos subsídios. Projetos eólicos recebem generosas verbas federais quando geram eletricidade. Nos leilões, isso significa que, às vezes, eles podem pagar o Estado para que ele use a sua energia e ainda assim serem lucrativos, subvertendo o modelo de negócios dos fornecedores de energia gerada por combustíveis fósseis.

Alguns críticos receiam que isso possa fazer com que companhias desativem prematuramente suas unidades que exploram combustíveis fósseis — apesar de algumas fontes, como o gás natural e o carvão, serem hoje claramente mais baratas.

Como manteremos grandes operações de combustíveis fósseis funcionando se as energias eólica e solar comprometeram sua viabilidade econômica a ponto de as empresas quererem encerrá-las?, pergunta Travis Fisher, economista do Instituto para Pesquisa de Energia, centro de estudos de viés conservador.

Uma pesquisa recente realizada pela Coalizão do Texas pela Energia Limpa, um grupo apartidário que apoia o crescimento do uso do gás e da energia renovável, verificou que, apesar da forte aversão às regulações ambientais federais que visam reduzir o consumo de carvão, 85% dos texanos são favoráveis à expansão das energias renováveis e 9% são contrários.

Os moradores de Houston, por exemplo, podem atualmente escolher entre 107 planos diferentes que oferecem energia com um percentual entre 5% e 100% de fontes renováveis. Em geral, eles aceitam pagar um pouco mais pela energia verde.

Um cronograma que prevê a redução dos subsídios federais nos próximos anos já foi definido. Uma outra questão vital que tem incentivado a adoção das fontes renováveis é a queda nos custos das tecnologias eólica e solar. No caso da solar, os custos recuaram 48% desde 2010, sendo que no ano passado a queda foi de 6%, segundo a Associação das Indústrias de Energia Solar, um grupo setorial. Eles devem continuar diminuindo à medida que os painéis solares passarem a ser produzidos em maior escala e se tornarem mais eficientes.

"[O Texas] quer ter uma diversidade de recursos porque ninguém sabe qual será o preço do gás no futuro", diz Joel Cohn, da consultoria CohnReznick, de Nova York. A Ercot estima que haverá um crescimento explosivo da energia solar. Uma análise indicou que uma recente extensão de um crédito tributário federal para incentivar a adoção desse tipo de energia pode levar à adição de até 19 mil megawatts de capacidade de energia solar dentro de 15 anos, ante 500 megawatts disponíveis hoje.

O Texas está prestes a saltar da décima para a segunda posição entre os Estados americanos com mais capacidade de geração de energia solar dentro de cinco anos, atrás apenas da Califórnia, segundo a Associação das Indústrias de Energia Solar.

O Estado tem hoje mais de 100 mil pessoas trabalhando no setor de energia renovável, segundo a Comissão de Força de Trabalho do Texas, entidade voltada para a criação de empregos.

Em San Antonio, a concessionária municipal de energia, CPS Energy, substituiu uma usina movida a carvão por uma instalação de energia solar. "É limpa. É silenciosa. As pessoas a querem aqui", diz Randy Jenks, que desenvolve projetos de energia solar para a OCI Solar Power, que pertence à sul-coreana OCI Company.

Quando todas as fases do empreendimento estiverem concluídas, o projeto Alamo deve gerar mais de 450 megawatts, uma capacidade que supera a que existia em todo o Texas há dois anos.

A CPS começou a pensar em enegia solar em 2010 e, dois anos depois, contratou a OCI Solar para pôr o projeto em prática. Fontes renováveis ainda são uma pequena parcela dos negócios da CPS, mas a companhia espera que elas cresçam rapidamente. "Os custos caíram a um patamar em que as pessoas podem, de fato, ver o valor" delas, diz Cris Eugster, o diretor operacional.

 



Fonte: The Wall Street Journal - 30/08/2016
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