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Perfil - José Fantine

"Temos uma indústria de excelência"

01/04/2005 | 00h00

Quem afirma isso é o engenheiro químico e de processamento de petróleo José Fantine, 66 anos, que enfatiza: a indústria petrolífera brasileira evoluiu e se tornou ainda mais competitiva nos últimos anos. Indicado pelo presidente Lula para comandar a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ele agora vai se submeter ao crivo do Congresso Nacional para ser confirmado no comando do órgão regulador do setor.
Levará aos nossos parlamentares as suas credenciais: nada menos que 33 anos de atividades na indústria petrolífera brasileira, pois foram mais de três décadas na Petrobras, que se constitui, ainda hoje, na força motriz do setor de óleo e gás no País. Lá, Fantine atuou como técnico, gerente e diretor, em praticamente todas as áreas: do refino à distribuição, passando pelo meio ambiente, planejamento corporativo e desenvolvimento de outras atividades - como o Gasoduto Bolívia-Brasil e o pólo petroquímico do Rio -, além de articular importantes parcerias na área de downstream. "Acredito que essa experiência técnica e de gestão, e o meu trabalho em dezenas de projetos de interesse nacional, como o do Gasbol, levaram à indicação do meu nome para a direção da ANP", diz Fantine.

Perfil multidisciplinar - Aposentado na Petrobras em 1996, nos últimos oito anos ele vem se dedicando a um projeto que abraçou ainda na petroleira: a criação de empreendimentos de vanguarda na área de geração de conhecimentos e de tecnologia. Esse é o seu papel como Coordenador Executivo de Centros e Redes de Excelência da COPPE/UFRJ, que já assessorou a Petrobras e outras organizações na formação de mais de dez centros de excelência, além de desenvolver trabalhos junto a grupos de estudos da área de energia da COPPE/UFRJ e da IUPERJ/Cândido Mendes.
Este perfil, composto por experiência técnica e visão estratégica - tanto em relação ao suprimento de energias quanto à gestão do conhecimento e de grandes estruturas de produção -, é  um trunfo para alguém que, à frente da ANP, poderá vir a ser o artífice da maior integração entre os propósitos das companhias petrolíferas e dos produtores de energias renováveis e os interesses nacionais - "e os dos consumidores em especial". Atento a estes aspectos, Fantine defende a intensificação dos estudos e de trabalhos de pesquisa para identificação da verdadeira potencialidade das nossas bacias sedimentares. "Esse é um ponto crucial para definição do nosso modelo produtor futuro".

Modelo de excelência - Ele enfatiza que o modelo brasileiro na área de petróleo e gás está se consolidando como um dos mais ricos e bem sucedidos do mundo. O País caminha para a auto-suficiência de petróleo e gás, tem uma estrutura de distribuição e refino em expansão - e investe no permanente aperfeiçoamento tecnológico e operacional deste setor. Além disso, está desenvolvendo um dos maiores programas do mundo de massificação do uso do gás - ao mesmo tempo em que implanta uma extensa malha de gasodutos -, e vai cada vez mais longe na produção de hidrocarbonetos - com destaque em águas profundas. E, muito importante, aprofunda e amplia a produção de energia das biomassas.
"E faz tudo isso gerando tecnologias e estabelecendo modelos inéditos de parcerias e de atração de investidores estrangeiros, dentro de um marco regulatório que vem se aprimorando continuamente", salienta José Fantine. Segundo ele, nenhuma outra experiência internacional, em países em desenvolvimento, tem a dimensão do que ocorreu e ocorre no Brasil. "Todas essas conquistas vieram com a realização de pesquisa científica e desenvolvimento de tecnologia, no contexto de um dos mais bem sucedidos programas de gestão do conhecimento e integração entre empresas e universidades e de parcerias com a iniciativa privada".
A prova concreta deste sucesso, segundo Fantine, é que o Brasil atualmente tem tecnologia para projetar refinarias, os mais complexos sistemas de exploração e produção em águas profundas (é líder mundial neste segmento), dutos, gasodutos e polidutos, petroleiros, plataformas e navios de apoio. "E ainda conta, sem sobressaltos de espécie alguma, com uma indústria avançada em todos os segmentos, que atravessou uma abertura de mercado de forma brilhante", afirma.

Capacitação e geração de tecnologia - Fantine considera que uma das prioridades nesta etapa do desenvolvimento deste setor é o gerenciamento do conhecimento para o maior benefício da sociedade brasileira. "O setor de energia, como um indutor de investimentos, promove a elevação tecnológica de uma extensa cadeia de fornecedores, que desta forma ganha mais fôlego para promover a inovação e um salto de qualidade na indústria de bens e serviços. Essa capacitação aumenta a inserção do País no mercado internacional, criando riquezas e empregos qualificados".
Ele afirma que o País atravessa uma fase muito positiva, sem rico de gargalos no seu suprimento energético no curto e no médio prazos, além de ter no Programa de Mobilização da Industria Nacional de Petróleo e do Gás (Prominp) um instrumento para criar a riqueza nacional nas industrias de suporte ao negócio dos combustíveis".
Atender as demandas de energia com derivados de petróleo e gás não é mais o desafio primeiro, no momento. "Essa já é a nossa realidade, nossa conquista. O novo desafio é manter o modelo brasileiro em aperfeiçoamento, aumentando sua produtividade e competitividade, a qualidade dos derivados e, principalmente, cuidando sempre da questão ambiental. As exigências da sociedade e dos consumidores mudam e a função da ANP será de assegurar que esses anseios encontrem a melhor resposta técnica possível por parte da entidade reguladora e de todo o setor".

Bandeiras - O petroleiro que foi "acusado" de vestir a camisa do monopólio, tem uma resposta curta e simples: "Eu trabalhei durante metade de minha vida em uma empresa, que exercia o monopólio - que era do Estado -, por força de Lei Federal. Nela, como profissional, defendi, isso sim, os interesses da companhia para bem cumprir sua missão legal e, acima de tudo, do Brasil, que lutava para consolidar a sua indústria de óleo e gás. E o fez, como poucos países no mundo." Fantine salienta que hoje, a sua bandeira é semelhante: a excelência da indústria brasileira". O engenheiro químico lembra ainda que "somente o Brasil, a França, a Itália, a Inglaterra, a Noruega, o Canadá e os EUA dominaram inteiramente o ciclo tecnológico do petróleo e do gás e constituíram  poderosas e complexas indústrias em toda a sua cadeia produtiva e de marketing."
Por isso mesmo, ele não se assusta com a perspectiva de assumir o comando do órgão regulador do setor de óleo e gás e dos biocombustíveis. "Há uma nova realidade no País, um novo arcabouço legal para reger todo este setor produtivo. Não vejo e nem almejo nenhuma possibilidade de retorno a modelos do passado, até mesmo porque o Brasil, assim como a Petrobras, consolidou muitos avanços nestes últimos anos", salienta José Fantine. "As oportunidades abertas no mundo favorecem também ao Brasil, que está se posicionando muito bem no exterior, garantindo com isso o seu suprimento futuro e a geração de excelentes retornos empresariais para suas operações externas. O Brasil vai multiplicar sua demanda e sua produção e haverá lugar para todos nessa escalada". 

Novas fronteiras - No caso da Petrobras, ele ressalta que a expansão de suas fronteiras é uma realidade, pois a empresa, sem ter a obrigação de "arcar" com toda a produção e o abastecimento interno, pode ir mais longe e incrementar suas atividades no exterior. "Essa é a nossa realidade e ninguém quer voltar ao passado. A sociedade está satisfeita, tranqüila em relação ao abastecimento. E, certamente, quer uma agência moderna, evolucionária e independente", enfatiza Fantine.
"A ANP existe, como preceitua seu estatuto, para garantir que se cumpra a legislação do País e seu marco regulatório no campo dos combustíveis e também para, dentro de sua competência legal, promover ações que impulsionem ao evolução deste setor de forma a garantir o suprimento presente e futuro do Pais", reitera. Outra atribuição prioritária da agência, segundo José Fantine, é equacionar os problemas de sonegação e de adulteração de combustíveis, assim como contribuir para sanar o desconhecimento da realidade geológica brasileira. "Estas seriam grandes tarefas da agência", diz ele, acrescentando que produzir óleo, gás e biocombustíveis e ampliar refino e outras atividades são, logicamente, funções dos agentes do mercado, das suas empresas. "E o meu papel será, em sendo aprovado pelo Senado, manter a ANP alinhada nesse esforço, com independência e elevada qualificação."



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