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Internacional

TBP fecha poço e agora passa a enfrentar os desafios legais

20/09/2010 | 09h48
A BP PLC finalmente conseguiu fechar seu poço rebelde, e o governo americano o declarou oficialmente selado. Mas para a petrolífera britânica navegar agora a onda crescente de processos e investigações pode ser tão difícil quanto tampar o vazamento.


O término do poço secundário encerra oficialmente um dos capítulos mais traumáticos nos 102 anos de história da BP, mas a empresa ainda enfrentará meses de limpeza e uma série de investigações que podem atrapalhá-la por anos.


A BP também corre o risco de multas bilionárias por poluir o Golfo do México, processos de petroleiros e pescadores e reclamações de seus próprios acionistas, que ficaram enfurecidos com o forte declínio de sua ação.

Talvez o mais prejudicial seja a incerteza em torno do passivo da BP. A petrolífera pode enfrentar multas de até US$ 1.100 para cada barril derramado, ou US$ 4.300 se for determinado que houve negligência da empresa - o que significa que a empresa pode ter que pagar quase US$ 18 bilhões pelos 4,1 milhões de barris que se acredita terem vazado no Golfo do México.


O veredicto de negligência também absolveria os outros sócios do poço da BP, a Anadarko Petroleum Corp. e a japonesa Mitsui & Co., de qualquer responsabilidade pelo acidente e suas consequências.


"A questão mais importante agora é se a investigação vai incriminar ou exonerar a BP", diz Fadel Gheit, analista de petróleo da Oppenheimer & Co. "Se for a primeira opção, ela terá de arcar com 100% do custo."


A BP já aceitou parte da responsabilidade pelo desastre, mas também atribuiu boa parte da culpa às empreiteiras envolvidas: a Halliburton Co., que instalou o cimento no poço, e a Transocean Ltd., que era a dona e operadora da plataforma de perfuração. O relatório divulgado este mês após a conclusão de uma investigação interna da BP identificou oito erros cruciais que, juntos, causaram o acidente. O relatório afirmou que apenas um dos oito erros foi de responsabilidade direta da BP, e mesmo essa falha seria também da Transocean.


Mas segue a incerteza sobre o papel da BP e isso, dizem analistas, é um dos motivos pelos quais a reação do mercado ao fato de a BP ter conseguido tapar o poço tem sido tão frígida. Desde 15 de julho, quando o petróleo parou de vazar, a ação da empresa ficou praticamente estagnada.


A BP é alvo de críticas desde a explosão que rompeu seu poço na costa do Estado americano de Louisiana cinco meses atrás, matando 11 pessoas e causando o pior vazamento marítimo de petróleo da história.


Quando suas tentativas de estancar o vazamento fracassaram, a BP passou por uma das maiores crises já enfrentadas por uma blue chip da Bolsa de Londres. Seus maiores executivos foram criticados publicamente pelo presidente americano Barack Obama e passaram pelo moedor de carne dos depoimentos ao Congresso dos Estados Unidos. A ação da empresa caiu mais que pela metade entre 20 de abril e 25 de junho, ela teve de suspender seu dividendo pela primeira vez em 18 anos e divulgou prejuízo de US$ 17 bilhões no segundo trimestre, um dos maiores já registrados por uma empresa britânica.


A BP adotou medidas drásticas para salvar o que às vezes parecia um barco naufragando. Para diminuir um pouco a pressão política, aceitou reservar US$ 20 bilhões numa conta especial para indenizar as vítimas do derramamento. A BP afirmou também que venderia US$ 30 bilhões em ativos e contabilizaria uma despesa de US$ 32 bilhões antes de impostos para pagar os custos do vazamento. Ela se livrou do diretor-presidente, Tony Hayward, que se tornara alvo de indignação do público por causa do desastre, e o substituiu por um americano de fala mansa chamado Bob Dudley.


A ação da BP se recuperou um pouco e subiu mais de 30% desde que atingiu o menor valor dos últimos 14 anos no fim de junho.


Mas a empresa ainda enfrenta dificuldades com a total incerteza sobre seu futuro nos EUA.


Uma proposta aprovada na Câmara dos Deputados dos EUA impediria a BP de obter novos contratos para exploração marítima devido ao seu histórico de segurança. Qualquer ameaça aos negócios americanos da BP certamente causaria apreensão nos investidores. A BP é a maior produtora nas águas profundas do Golfo do México e quase dobrou o volume de barris extraídos na região nos últimos três anos, para cerca de 450.000 barris diários de óleo equivalente. Os EUA respondem por 26,6% da produção mundial de petróleo e gás da BP, e qualquer impedimento às suas atividades no país pode prejudicar o crescimento da empresa.


A BP também é alvo de várias investigações sobre a explosão da plataforma Deepwater Horizon, em abril, que causou o vazamento. Esses inquéritos devem manter a tragédia viva na memória e garantir que a BP continue a ser um foco negativo de atenção do público e das autoridades.


O Departamento de Justiça está realizando paralelamente uma investigação civil e outra criminal, enquanto a Guarda Costeira e a Agência de Administração do Petróleo Marítimo realizam uma investigação conjunta sobre as causas da explosão. A Comissão e Petróleo e Comércio da Câmara está realizando seu próprio inquérito sobre a explosão. Uma comissão presidencial sobre o assunto começou a se reunir mês passado e o Conselho de Segurança Petroquímica, que estuda acidentes industriais, também iniciou sua própria investigação formal.


Apesar de todas as nuvens cinzas no céu da BP, poucos acham que ela será forçada a abandonar totalmente os EUA. É considerada altamente improvável a aprovação da proposta para barrar a petrolífera de perfurar no país.


"Os EUA têm que aceitar que a BP continuará com um papel importante na perfuração em águas profundas, porque há muito poucas empresas que sabem fazer isso", diz Jason Kenney, analista do ING Bank. "Até que os EUA parem de consumir petróleo, é assim que vai ser."


Fonte: Valor Econômico
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