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Manguinhos / Petrobras

Sob nova direção, Manguinhos sobe 382% na bolsa

25/06/2010 | 09h42

 

 A possibilidade de a Petrobras vir a se tornar sócia da Refinaria de Petróleo Manguinhos (RPM) foi vista com estranheza por uma parte dos especialistas do mercado de combustíveis. No mercado de capitais, no entanto, seus acionistas não poderiam estar mais contentes: a empresa foi disparado o melhor investimento da bolsa nos últimos doze meses.

O papel com direito a voto (ON) subiu nada menos que 382% desde junho de 2009. A ação preferencial (PN, sem voto), com 326%, só perde para outra estrela recente, a renascida Telebrás.
 
 

As duas companhias circulam na categoria que os investidores chamam de "micos", ações de alta instabilidade cujo combustível principal é a especulação.

A surpresa no mercado deve-se ao fato de que a estatal nunca ter aceito um acordo operacional com a RPM no tempo que ela era controlada pelo tradicional grupo carioca Peixoto de Castro, sozinho ou em parceria com a Repsol/YPF (Espanha) e agora estar disposta a estudar parcerias com a refinaria sob o controle do grupo paulista Andrade Magro, pouco conhecido, de histórico marcado por controvérsias e que chegou ao Rio de Janeiro comandado pelo ex-Secretário de Comunicação do governo federal Marcelo Sereno.

Na gestão anterior, a RPM sofreu várias vezes, sempre que o preço internacional do petróleo subia, com a política de preços dos combustíveis da Petrobras. A estatal mantinha os preços dos derivados defasados do mercado internacional, mas Manguinhos tinha que comprar petróleo para refinar com base naquele preço internacional. Por várias vezes a RPM tentou, sem sucesso, que a estatal aceitasse lhe vender petróleo com base nos preços dos derivados por ela praticados.

As controvérsias quanto ao grupo controlador de Manguinhos estão relacionadas com as suspeitas de que ele tenha ligações com distribuidoras de combustíveis que usavam de expedientes jurídicos (liminares) para não pagar ICMS e vender combustíveis mais barato. Ricardo Magro, representante do grupo acionista na direção da RPM, admite apenas ter sido advogado da Inca, uma das mais conhecidas daquelas distribuidoras.

Quando comprou a RPM por R$ 7 milhões, em dezembro de 2008, o grupo Andrade Magro utilizou como veículo a Grandiflorum Participações. O petista Marcelo Sereno era seu presidente. Ele é considerado braço direito do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu que deixou o governo em 2005 sob suspeita de chefiar o chamado Mensalão, esquema de pagamento de propinas a parlamentares.

Segundo a empresa, Sereno foi contratado por sua experiência sindical (foi dirigente da CUT), o que poderia ser útil nas negociações com trabalhadores da refinaria. Ainda segundo a empresa, ele deixou o cargo no fim do ano passado, quando a Grandiflorum passou a chamar-se Manguinhos Participações, detentora de 73% do capital ordinário e de 65% do capital total da RPM.

Até a tarde de ontem, no entanto, o blog de Sereno informava que ele continuava presidindo a Grandiflorum. Questionada, a direção da RPM, por intermédio de sua assessoria de imprensa, disse que o texto estava defasado e apresentou a ata da assembleia que sacramentou a saída de Sereno, datada de 23 de novembro de 2009. O texto do blog foi corrigido. No site da Grandiflorum ainda consta Sereno como executivo principal, "profissional com reconhecida capacidade administrativa, já tendo ocupado com sucesso cargos de grande relevância em empresas privadas e órgãos públicos".

Sobre a valorização das ações, no período que antecedeu o anúncio do acordo com a Petrobras, feito anteontem, a direção da RPM disse que ela tem entre suas explicações, em primeiro lugar o fato de o controlador ter comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no dia 15 uma subscrição de capital de R$ 20 milhões, tendo sido acompanhada pelo mercado, como é normal em casos semelhantes.

Outra explicação seria a percepção por parte do mercado das mudanças já feitas e da consistência dos projetos. As receitas de aproximadamente R$ 320 milhões em 2009 devem chegar a R$ 700 milhões este ano, segundo estimam os dirigentes da refinaria. A base de comparação muito baixa (o valor da ação no ano passado) seria outra razão para a forte valorização do papel.

Nos fóruns de acionistas na internet não se fala muito na "consistência dos projetos". O grande assunto nos últimos meses vinha sendo uma esperada compra da empresa pelo empresário Eike Baptista, do grupo EBX.

Questionada sobre o movimento recente das ações da RPM, a CVM disse que "acompanha e analisa as informações de companhias, adotando as medidas cabíveis, se necessário".
 

 



Fonte: Valor Econômico
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