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Dia Mundial da Água

Seriam os aquíferos a salvação para a escassez hídrica?

18/03/2015 | 16h19
Seriam os aquíferos a salvação para a escassez hídrica?
Divulgação / Professor Rodrigo Lilla Manzione Divulgação / Professor Rodrigo Lilla Manzione

Diante da proximidade do Dia Mundial da Água, a ser celebrado no dia 22/03, o professor Rodrigo Lilla Manzione, autor de "Águas Subterrâneas: princípios e práticas sob uma visão multidisciplinar”, da Paco Editorial, concedeu uma entrevista exclusiva à TN Petróleo para falar sobre sistemas aquíferos, reservatórios subterrâneos de água formados por rochas com características porosas e permeáveis que retém a água das chuvas, que se infiltra pelo solo.

TN - Desde 2010, o Aquífero Alter do Chão é considerado o maior aquífero do mundo em volume de água disponível com 86 mil km³. Em termos comparativos, a reserva tem quase o dobro do volume de água potável que o Aquífero Guarani - com 45 mil km³ de volume -, até então considerado o maior do país. Encontrada sob terreno arenoso, a água dessa reserva é potável, o que demanda menos tratamento químico. A população do norte do país já está se beneficiando do consumo dessa água? Essa riqueza poderá ser maior ainda do que foi estimada em termos de extensão?

Rodrigo Lilla Manzione - O Aquífero Alter do Chão é um aquífero poroso e livre, formado por arenitos e argilitos, com intercalações de termos granulométricos semelhantes, entretanto não consolidados, localizado na região hidrográfica Amazônica. Existem discussões sobre as reais dimensões do aquífero Alter do Chão, pois não se conhece ainda sua espessura em toda sua extensão. Há quem diga que esse pode ser o maior aquífero do mundo. Acredita-se que seja maior que o Sistema Aquífero Guarani justamente pela profundidade da formação (espessura máxima de 1.250 m), apesar do Guarani possuir uma maior área de distribuição espacial. Diversos estudos têm sido desenvolvidos na região para avaliação total das reservas, apesar de serem exploradas há muitas décadas. O Sistema Aquífero Alter do Chão é responsável pelo abastecimento urbano e industrial de Manaus (incluindo a zona franca que foi instalada também devido à sua presença), de Belém, Santarém, da Ilha de Marajó, entre outras. Sem dúvidas o futuro revelará novas importantes informações sobre esse sistema aquífero, o que contribuirá para uma melhor gestão do recurso.

É notório a contaminação do Aquífero Guarani nas áreas de recarga por uso de fertilizantes ou agrotóxicos. Qual seria o planejamento correto do ponto de vista da gestão ambiental para mitigar riscos e danos à essa riqueza incrustada no subterrâneo?

Casos de contaminação antrópica e natural acontecem, e para que isso seja detectado em tempo hábil para uma resposta técnica antes que ocorra algum tipo de dano à estratégia passaria pelo monitoramento contínuo dos aquíferos. Questões relativas à quantidade e qualidade das águas subterrâneas poderiam se valer dessas informações para potencializar o planejamento da exploração de modo que não comprometesse outros poços, a perenização de cursos d’água e ecossistemas dependentes. Um planejamento do uso e ocupação do território, principalmente nas áreas de afloramento do Sistema Aquífero Guarani onde ocorrem os processos de recarga e descarga das águas subterrâneas, que evitasse atividades potencialmente perigosas, seria uma forma de controle das fontes de poluição pontuais. Já o controle das fontes de poluição difusa, vindas da agricultura, por exemplo, são mais difíceis de controlar, precisando passar pela regulação de produtos químicos, registro para determinadas culturas, meia vida de moléculas químicas no solo e avaliação da vulnerabilidade do aquífero a poluição. Apesar de iniciada, essa discussão ainda precisa ser mais profunda, difundida e envolver os diversos órgãos responsáveis pela gestão do solo e da água.

Países como a Líbia exploram a chamada 'água fóssil'. O sr. poderia falar sobre a importância da extração das águas subterrâneas no futuro, já que a demanda por água doce irá aumentar com a crescente população e produção mundial de alimentos?

A água fóssil é aquela retida nos poros e fissuras da rocha desde a sua formação sedimentar ou vulcano-sedimentar. Estas águas são mais comuns em rochas sedimentares que formam aquíferos confinados. A caracterização como água fóssil e o seu estudo químico e isotópico é muito importante para definir aspectos geoquímicos primordiais do ambiente de transporte e de deposição dos sedimentos que contém a água, justamente porque ela não se renovará. Sua exploração ocorre da mesma forma que a mineração que qualquer outro depósito mineral no solo, ou seja, quando as reservas se esgotam acabam-se os estoques e encerram-se as atividades. Na maioria dos casos as águas subterrâneas são utilizadas principalmente pelos setores agrícola, na produção de alimentos, e doméstico, no abastecimento urbano, duas finalidades nobres para tão valioso recurso. 

Seriam os aquíferos subterrâneos a salvação para a escassez das águas superficiais nos reservatórios do Sudeste?

Em épocas de escassez, corre-se o risco desse recurso estratégico ser utilizado de forma desordenada e levar a uma diminuição dos estoques de água subterrânea. De forma prática, isso resulta em poços com maior tempo de recuperação após bombeamento ou mesmo poços secos quando os níveis freáticos são muito sensíveis a efeitos sazonais da recarga direta via chuva.



Fonte: Redação TN Petróleo
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