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Internacional

Rússia vê `reestatização` do petróleo

13/12/2004 | 00h00

Só se fala nisso em Moscou. O evento vem sendo visto como o momento de definição na história do livre mercado russo. A venda da Yuganskneftegaz, principal produtora de petróleo e subsidiária da Yukos, está marcada para o dia 19, próximo domingo. Isso marcará a destruição final da Yukos, empresa que está sendo triturada pelos implausíveis US$ 26 bilhões cobrados pelo governo a título de impostos e multas. E a venda marcará ainda a maior estatização de propriedade privada desde o fim do comunismo, já que a Yugansk deve quase que com certeza ser comprada pela Gazprom, gigante russa dominada pelo Estado.
"A Gazprom recebeu ordens do Kremlin para comprar", afirma Christopher Weafer, chefe de pesquisa do banco russo Alfa. A compra era uma coisa que, até 30 de novembro passado, os executivos da Gazprom diziam que jamais fariam. Mudaram logo de opinião.
O preço está em US$ 8,6 bilhões. A Gazprom vai tomar posse de reservas estimadas em 11,6 bilhões de barris, ou seja, 17% do total das reservas russas. A receita da Gazprom, atualmente de cerca de US$ 34 bilhões, vai ganhar, com o negócio, um adicional de US$ 7,5 bilhões. E isso vem logo depois da anunciada fusão da Gazprom com a Rosneft, estatal de petróleo. A Gazprom vai ficar com quase um quarto das reservas russas - quase um quinto da produção - após a fusão com a Rosneft e a compra da Yugansk. E podem vir mais negócios. A Gazpromneft, ramo de petróleo da Gazprom, confirmou ter recebido uma recomendação do Deutsche Bank "para comprar grandes empresas como a Sibneft, a Surgutneftegaz e a Yuganskneftegaz". Se no final das contas ela comprar todas, a Gazprom vai ficar não só com quase todas as reservas de gás da Rússia, como também com 40% das reservas de petróleo.
O que este conglomerado significaria para a economia russa? Provavelmente marcaria o fim de uma série de reformas feitas pelo presidente Vladimir Putin - reformas que o país necessita mais do que nunca. Apesar dos preços recordes de petróleo, o crescimento russo vem desacelerando. A economia cresceu 4,5% (anualizados) em novembro, comparando-se com o mesmo mês do ano passado. É muito abaixo dos 7,6% de crescimento se compararmos novembro de 2003 e novembro de 2002.
Os investimentos domésticos vêm caindo, principalmente no setor de petróleo - em grande parte por causa do ataque à Yukos. Desde que a venda da Yugansk foi anunciada, no dia 19 de novembro, o mercado de ações local registrou uma queda de 15%.
Os reformistas dentro do governo Putin estão agora prevendo impactos negros na economia advindos do negócio Yugansk-Gazprom. O conselheiro econômico da Presidência, Andrey N. Illarionov, vem repetidamente falando contra a destruição da Yukos. Agora o ministro do Comércio e do Desenvolvimento Econômico, German Gref, que é o arquiteto-chefe do programa de reformas de Putin, entrou na contenda. No dia 1º de dezembro ele condenou a eventual venda de Yugansk para a Gazprom. "Onde há competição, a participação do Estado é inapropriada", disse Gref no Parlamento.
Ele diz isso apoiado em números que demonstram que, enquanto as empresas de petróleo da Rússia - a maior parte delas privada - conseguiu aumentar a produção em cerca de 50% desde 1998, a da Gazprom caiu 1,6% no mesmo período. Auxiliada pelos preços do petróleo em escalada, as receitas da Gazprom cresceram 70% desde 2001, quando Putin nomeou como presidente da empresa um aliado, Alexei B. Miller.
Ainda há alguns otimistas que acham que o impacto da expansão da Gazprom vai ser limitado. Na visão deles, o maior objetivo de Putin era colocar limites no excessivo poder de oligarcas como Mikhail Khodorkovsky, o maior acionista da Yukos - Khodorkovsky amealhou sua vasta fortuna por meios pouco transparentes nos anos 90.



Fonte: Valor Econômico / B
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