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Bush

Revisão de acordo de desarmamento nuclear com Rússia

29/08/2008 | 05h04

O governo dos EUA elevou o tom de sua resposta às ações da Rússia na Geórgia ontem ao pôr "sob revisão" negociações bilaterais voltadas ao desarmamento de mísseis de defesa e armas nucleares, lançando a sombra da incerteza num histórico tratado da guerra fria, segundo autoridades americanas. 


Um adiamento criaria incerteza sobre o Tratado de Redução de Armas Estratégias, conhecido como Start, que começou durante o governo de Ronald Reagan (1981-89) e vence no fim de 2009. O tratado restringe o número de armas nucleares de longo alcance que cada lado está autorizado a ter. 


A mudança na atitude dos EUA acontece em meio a uma guerra verbal entre a Rússia e o Ocidente sobre a incursão do Kremlin na Geórgia e sua decisão de reconhecer duas regiões separatistas da Geórgia. Numa entrevista à CNN, o premiê russo, Vladimir Putin, disse que o governo americano poderia ter incentivado a Geórgia a entrar em guerra para desviar a atenção de seus próprios problemas econômicos e ajudar um candidato a presidente, presumivelmente o republicano John McCain. 


"Surge a suspeita de que alguém nos EUA criou este conflito deliberadamente para criar tensão e ajudar um dos candidatos na campanha presidencial", disse. Putin também disse que a conseqüente "onda de patriotismo" iria "unificar a nação ao redor de certas forças políticas", e acrescentou: "Me surpreende que o que eu disse o tenha espantado. É tudo tão óbvio". 


A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, chamou as alegações de Putin de "patentemente falsas" e disse que ele deve estar recebendo "assessoria realmente ruim" de suas autoridades de defesa. 


Washington e Moscou planejavam uma rodada de negociações, inicialmente previstas para meados de setembro, para discutir o Start e tratar de preocupações russas quanto a um sistema de mísseis de defesa apoiado pelos EUA que está sendo instalado na Europa. 


"Todas essas reuniões agora podem ser congeladas" pelo resto da gestão Bush, disse uma autoridade americana que está a par das planejadas negociações de desarmamento. "O que (a secretária de Estado Condoleezza) Rice disse é que tudo mudou, e ela falou sério." 


Separadamente, líderes do governo e do Congresso indicaram que estavam pondo em suspenso um acordo entre os EUA e a Rússia que tem como objetivo combater a proliferação nuclear. A Casa Branca confirmou ontem que pode retirar seu apoio ao acordo, que abriria a crescente indústria nuclear americana a empresas russas. 


Outras autoridades americanas disseram que estavam mais otimistas com a perspectiva de que as negociações de desarmamento evoluiriam antes de Bush deixar o governo, dada a importância que a atual administração pôs em questões de não-proliferação. 


O governo do presidente Dmitry Medvedev expressou preocupação com a possibilidade de atraso nas negociações sobre o desarmamento com os EUA, observando que são essenciais para os interesses de segurança nacional dos dois países. Um porta-voz do Chancelaria da Rússia também disse que um fracasso na substituição do tratado Start I, assinado em 1991, pode criar um perigoso precedente para o desarmamento nuclear mundial. 


"Nós, como antes, estamos prontos para um diálogo concreto com o lado americano", afirmou Andrei Nesterenko, em resposta escrita a perguntas do "Wall Street Journal". "Seria inaceitável deixar um vácuo legal numa área tão crucial como a redução de armas nucleares estratégicas." 


Nesterenko afirmou também que há mais de um ano que os EUA não fornecem a Moscou um rascunho do futuro tratado Start. "Sem isso, a próxima rodada de consultas dificilmente será substancial." 


As discussões, que envolvem autoridades do alto escalão do Departamento de Estado dos EUA e seus colegas russos, integram um diálogo estratégico mais amplo entre Washington e Moscou, incentivado pelo governo Bush, com objetivo de criar laços de cooperação mais estreitos entre os antigos adversários da Guerra Fria. 


Mas, como resultado do conflito na Geórgia, nos últimos dias Bush tem defendido uma revisão de todas as ligações dos EUA com a Rússia, disseram autoridades americanas. "Estamos no processo de reavaliar nosso relacionamento com a Rússia", disse Perino. "Estamos fazendo isso em acordo com nossos parceiros internacionais." 


Autoridades do governo Bush disseram que estão considerando juntar-se à Europa e pôr em prática sanções econômicas contra Moscou por sua recusa em retirar suas tropas da Geórgia. 


Esperava-se que as negociações de setembro fossem conduzidas pelo subsecretário do Departamento de Estado dos EUA para Segurança Internacional e Controle de Armas, John Rood, e pelo vice-ministro russo de Relações Internacionais, Sergei Kislyak. 


Os EUA e a Rússia ainda são vistos como estando longe de um acordo sobre novas linhas gerais para o Start. O Kremlin tem desejado números específicos e um cronograma para a redução dos estoques de armas nucleares dos EUA. O governo Bush tem buscado um acordo mais genérico, baseado em construção de confiança mútua. 


Ambos os políticos americanos que estão concorrendo para substituir Bush, os senadores Barack Obama e John McCain, têm manifestado apoio a acordos de controle de armamentos com a Rússia. Mas ex-membros do governo americano dizem que seria difícil para um novo líder dos EUA pôr as negociações de volta nos trilhos nas atuais circunstâncias. 


"Há o risco de que as coisas possam chegar a um estágio tão venenoso que o próximo governo não terá nenhuma opção e enfrente dificuldades para traçar um caminho produtivo", diz Robert Einhorn, que integrou o alto escalão do departamento de desarmamento durante o governo do ex-presidente Clinton (1993 a 2001). 


Analistas de segurança nacional temem que a interrupção do diálogo sobre o sistema de defesa antimísseis dos EUA para a Europa pode ser especialmente desestabilizador para as relações entre Rússia e EUA. A Casa Branca já afirmou nos últimos dias que pretende expandir seu sistema de defesa para conquistar mais afiliados à Otan. Atualmente os radares e interceptadores de mísseis devem ser instalados na Polônia, República Tcheca, Dinamarca e Reino Unido. 


Os EUA já afirmaram várias vezes que o programa é centrado apenas na proteção à possível ameaça de ataque de Estados inimigos, como o Irã. Mas o acordo dos EUA com a Polônia, assinado este mês, para instalar baterias de mísseis em solo polonês alimentou as acusações russas de que Moscou é o verdadeiro alvo. 


O Kremlin informou em dezembro aos EUA e seus aliados da Otan que suspenderia a implementação do Tratado de Forças Armadas Convencionais na Europa, que limita a quantidade de equipamento bélico que os países podem manter na Europa. Moscou também indicou nos últimos meses que pode abandonar o Tratado de Armas Nucleares de Média Distância, criado para coibir a instalação de mísseis intermediários. 



Fonte: Valor Online
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