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Refinaria

Refino de gasolina em Abreu e Lima divide Petrobras

18/10/2013 | 14h58

 

A possibilidade de que a refinaria Abreu e Lima (PE) inclua gasolina em seu portfólio está no centro de um embate entre técnicos e políticos da Petrobras. O Valor apurou que estão em andamento estudos para adaptar a unidade para refino de gasolina, porém a eventual ampliação do investimento no reduto do agora adversário Eduardo Campos (PSB) - possível candidato à Presidência da República em 2014 - estaria incomodando a ala "política" da companhia.
O crescimento da frota nacional nos últimos anos não foi acompanhado pela capacidade de refino de combustíveis, o que elevou as importações da Petrobras, sobretudo de diesel e gasolina. A operação tem impacto importante sobre o desempenho financeiro da estatal, já que a importação de combustíveis tem peso próximo de 30% nos gastos da estatal. Pelo projeto original, a refinaria produziria óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), coque, nafta e enxofre
Para fabricar gasolina em Pernambuco, a companhia teria de viabilizar, por exemplo, o abastecimento local de nafta craqueada, item que compõe a fórmula do combustível, mas que não será produzido em Abreu e Lima. Neste sentido, engenheiros estudam atualmente a possibilidade de que a nafta chegue de navio ao Complexo Portuário de Suape, onde está sendo erguida a refinaria, orçada em US$ 17,1 bilhões.
Apesar da necessidade de adaptação, a operação seria economicamente vantajosa para a Petrobras se comparada à construção de outra refinaria, avaliou, sob a condição de anonimato, fonte envolvida nas discussões. O governo e o comando da petrolífera, entretanto, estariam resistindo à ideia de colocar mais dinheiro federal em Pernambuco, cujo governador se confirmou como potencial adversário nas eleições presidenciais de 2014.
Em entrevista recente ao 'Valor', a presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que foram retomados os projetos das refinarias Premium I (Maranhão) e Premium II (Ceará), que tinham sido retiradas do plano de investimentos da companhia. Na quarta-feira, ela reafirmou o compromisso: "A Petrobras precisa de refinarias. Não é algo que a Petrobras não queira. É algo que ela precisa. Gostaríamos de ter todas as refinarias operando".
A avaliação de alguns técnicos, contudo, é de que a estatal não estaria no melhor momento financeiro para arcar com as duas novas refinarias, motivo pelo qual a Petrobras prospecta, especialmente na China e na Coreia do Sul, potenciais sócios privados para esses empreendimentos. Os projetos originais das refinarias Premium I e II somam mais de US$ 30 bilhões.
Orçada atualmente em US$ 17,1 bilhões, Abreu e Lima é considerada pela própria presidente da Petrobras como exemplo a não ser seguido. Problemas de planejamento, questionamentos do Tribunal de Contas da União e greves de trabalhadores atrasaram e encareceram o projeto, estimado inicialmente em pouco mais de US$ 2 bilhões. Apesar do esforço em colocar a obra nos trilhos, a entrega da refinaria deverá sofrer novo atraso.
Pessoas que acompanham o dia a dia do empreendimento dizem ser "muito difícil" que a entrada em operação da primeira fase de refino aconteça em novembro de 2014, data com a qual a direção da companhia trabalha. Já estaria sendo avaliada uma inauguração pró-forma da refinaria, pela qual somente as últimas etapas do processo de refino seriam realizadas na unidade dentro do prazo estipulado. "O ciclo todo é praticamente impossível que esteja funcionando", informou uma fonte.
Apesar da forte pressão exercida pela direção da Petrobras, engenheiros que trabalham em Abreu e Lima concordam que a operação em novembro de 2014 está longe da realidade. Um dos principais problemas apontados é o grande atraso na construção dos dutos que levarão o óleo até a unidade de refino, que terá capacidade para 230 mil barris diários. Procurada, a assessoria de imprensa da Petrobras informou que a companhia não iria se pronunciar.

A possibilidade de que a refinaria Abreu e Lima (PE) inclua gasolina em seu portfólio está no centro de um embate entre técnicos e políticos da Petrobras. O 'Valor' apurou que estão em andamento estudos para adaptar a unidade para refino de gasolina, porém a eventual ampliação do investimento no reduto do agora adversário Eduardo Campos (PSB) - possível candidato à Presidência da República em 2014 - estaria incomodando a ala "política" da companhia.

O crescimento da frota nacional nos últimos anos não foi acompanhado pela capacidade de refino de combustíveis, o que elevou as importações da Petrobras, sobretudo de diesel e gasolina. A operação tem impacto importante sobre o desempenho financeiro da estatal, já que a importação de combustíveis tem peso próximo de 30% nos gastos da estatal. Pelo projeto original, a refinaria produziria óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), coque, nafta e enxofre.

Para fabricar gasolina em Pernambuco, a companhia teria de viabilizar, por exemplo, o abastecimento local de nafta craqueada, item que compõe a fórmula do combustível, mas que não será produzido em Abreu e Lima. Neste sentido, engenheiros estudam atualmente a possibilidade de que a nafta chegue de navio ao Complexo Portuário de Suape, onde está sendo erguida a refinaria, orçada em US$ 17,1 bilhões.

Apesar da necessidade de adaptação, a operação seria economicamente vantajosa para a Petrobras se comparada à construção de outra refinaria, avaliou, sob a condição de anonimato, fonte envolvida nas discussões. O governo e o comando da petrolífera, entretanto, estariam resistindo à ideia de colocar mais dinheiro federal em Pernambuco, cujo governador se confirmou como potencial adversário nas eleições presidenciais de 2014.

Em entrevista recente ao 'Valor', a presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que foram retomados os projetos das refinarias Premium I (Maranhão) e Premium II (Ceará), que tinham sido retiradas do plano de investimentos da companhia. Na quarta-feira, ela reafirmou o compromisso: "A Petrobras precisa de refinarias. Não é algo que a Petrobras não queira. É algo que ela precisa. Gostaríamos de ter todas as refinarias operando".

A avaliação de alguns técnicos, contudo, é de que a estatal não estaria no melhor momento financeiro para arcar com as duas novas refinarias, motivo pelo qual a Petrobras prospecta, especialmente na China e na Coreia do Sul, potenciais sócios privados para esses empreendimentos. Os projetos originais das refinarias Premium I e II somam mais de US$ 30 bilhões.

Orçada atualmente em US$ 17,1 bilhões, Abreu e Lima é considerada pela própria presidente da Petrobras como exemplo a não ser seguido. Problemas de planejamento, questionamentos do Tribunal de Contas da União e greves de trabalhadores atrasaram e encareceram o projeto, estimado inicialmente em pouco mais de US$ 2 bilhões. Apesar do esforço em colocar a obra nos trilhos, a entrega da refinaria deverá sofrer novo atraso.

Pessoas que acompanham o dia a dia do empreendimento dizem ser "muito difícil" que a entrada em operação da primeira fase de refino aconteça em novembro de 2014, data com a qual a direção da companhia trabalha. Já estaria sendo avaliada uma inauguração pró-forma da refinaria, pela qual somente as últimas etapas do processo de refino seriam realizadas na unidade dentro do prazo estipulado. "O ciclo todo é praticamente impossível que esteja funcionando", informou uma fonte.

Apesar da forte pressão exercida pela direção da Petrobras, engenheiros que trabalham em Abreu e Lima concordam que a operação em novembro de 2014 está longe da realidade. Um dos principais problemas apontados é o grande atraso na construção dos dutos que levarão o óleo até a unidade de refino, que terá capacidade para 230 mil barris diários. Procurada, a assessoria de imprensa da Petrobras informou que a companhia não iria se pronunciar.

 



Fonte: Valor Econômico
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