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Negócios

Queiroz Galvão investe pesado em petróleo

08/08/2006 | 00h00

Como outras grandes empreiteiras nacionais, a Queiroz Galvão, agora um grupo diversificado de empresas com mais de 50 anos de existência, decidiu investir num novo foco de negócios. A estratégia do conglomerado está direcionada agora para o crescimento de sua área de petróleo e gás. Até o final de 2008, o grupo pernambucano, nascido em Recife, pretende aplicar US$ 1,7 bilhão em projetos de produção e exploração de óleo e gás e na prestação de serviços à Petrobras, incluindo montagem e construção de plataformas.

Recentemente, a construtora ganhou licitação para construir a P-53 e entrou de sócia da Camargo Corrêa, Samsung e Aker-Promar num novo empreendimento, um futuro estaleiro a ser construído no porto de Suape (PE), que já tem em seu portfólio encomendas para produzir 10 navios para a Transpetro. O novo negócio do grupo vai reforçar sua presença nas transações da Petrobras, da qual já é parceira em campos de exploração de petróleo na Bacia de Santos e na Bahia.

"Estamos trabalhando para esta área ser a nossa segunda maior receita, depois da construtora", diz Ricardo Queiroz Galvão, diretor geral do grupo ao Valor. O executivo, um dos futuros herdeiros do conglomerado, é o único filho homem de João Queiroz Galvão, um dos fundadores do grupo.

No ano passado, o grupo Queiroz Galvão faturou R$ 3 bilhões e projeta crescer em 2006 de 12% a 15% em cima desse desempenho. Constituído de uma holding, a Queiroz Galvão S/A, e seis sub-holdings, o grupo ainda tem na construtora a maior fonte de receita - responde por quase 60% do faturamento total do conglomerado. A área de siderurgia vem em segundo lugar, com 20% e a Queiroz Galvão Perfurações S/A, que abriga as atividades de petróleo e gás , em terceiro, com 18%.

Ricardo Queiroz Galvão acredita que o grupo está no caminho certo, ao apostar nesse último segmento. "O mundo inteiro está preocupado com o preço do petróleo e falta de gás. É uma atividade na qual sempre vai ter alguém querendo comprar óleo ou gás", ressalta o executivo. Na história da companhia, a atuação na área de petróleo começou em 1980, na grande crise do petróleo, quando foi criada a Queiroz Galvão Perfurações. A empresa trabalhava como prestadora de serviços para a Petrobras, arrendando sondas terrestres e marítimas para perfuração de poços.

Há três anos, entrou na exploração e produção de petróleo, onde atua sozinha ou em parcerias nas bacias de Camamu-Almada, do Jequitinhonha, do Recôncavo, todas na Bahia, e na de Santos.

"Estamos crescendo bastante nessa área. Quando o monopólio da Petrobras foi quebrado entramos em licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em parceria com a estatal. Estamos juntos nos campos de Coral e de Estrela do Mar, na bacia de Santos. O campo de Coral já tem produção média de 6,5 mil barris ao dia", revela o diretor-geral. Ele adianta que a partir de setembro começará a produzir gás em Manati, um campo grande na Bahia, na bacia de Camamu, ao sul de Salvador, que promete um volume bem expressivo, de 6 milhões de metros cúbicos de gás ao dia, cerca de 25% do que o Brasil importa da Bolívia. "Manati poderá ser uma alternativa ao gás boliviano", diz o executivo da Queiroz Galvão Perfurações S/A e do grupo Queiroz Galvão.

Pela sua previsão, a entrada em operação plena da produção de gás em Manati vai suprir Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco. E o gás que hoje a Petrobras explora no Rio Grande do Norte e leva para o pólo de Camaçari (BA), será revertido para o Ceará, onde a estatal tem uma termelétrica (a TermoCeará, comprada de Eike Batista) e onde está também prevista a instalação de uma siderúrgica, a Ceará Steel. "A Petrobras vai direcionar este gás para lá e, com isto vai conseguir equilibrar o problema de consumo no Nordeste", calcula.

Os investimentos na área de petróleo e gás são pesados. Só no campo de Manati, serão aplicados US$ 800 milhões, pelos acionistas do negócio, a Queiroz Galvão Perfurações, que detém 55% do campo, a Petrobras, 35% e a norueguesa Norse Energy, com 10%, que entrou no empreendimento no lugar da PetroService. Além de Manati, o grupo arrematou em leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) outros campos para explorar. "Temos duas áreas, uma no Recôncavo Baiano onde vamos furar os primeiros poços de prospecção neste segundo semestre, e outro campo adjacente a Manati. A tendência é que ele produza mais gás, mas pode ter óleo também, pois é no mar. Estamos aguardando a licença ambiental para começar a perfurar o segundo campo".

A prestação de serviços à Petrobras envolve construção de plataformas e navios para a Transpetro. O executivo do grupo pernambucano contou que a Queiroz Galvão Perfurações perdeu as licitações para as plataformas P-51, P-52 e P-54. Finalmente, venceu o leilão para construir os módulos da P-53 em parceria com a Ultratec e a Iesa.

Os três sócios formaram uma Sociedade de Propósito Específico (SPC), denominada Quip, responsável pela construção, integração e comissionamento dos módulos de produção, em um casco de antigo petroleiro adquirido pela Petrobras. O casco está sendo construído por um estaleiro de Cingapura.

Os serviços de fabricação dos módulos da P-53 estão sendo realizados em canteiro de obras na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde tem um porto. Lá, como esclareceu o diretor-geral, não existe estaleiro algum, apenas a área onde estão sendo feitas as obras. A Queiroz Galvão Perfurações tinha projeto de fazer parceria para construir um estaleiro no Rio Grande do Sul. Sua sócia seria a Aker-Promar. O plano foi abortado, porque a Acker optou por outros negócios.

Nos planos da Queiroz Galvão grupo, para 2007, está a criação de uma área voltada exclusivamente para meio-ambiente, que tem tudo a ver com seu novo foco de expansão.



Fonte: Valor Econômico
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