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América do Sul

Protestos na Bolívia já prejudicam produção de gás para exportação

08/06/2005 | 00h00

A crise institucional da Bolívia pode começar a prejudicar as exportações de gás para o Brasil mais cedo do que supunham as autoridades brasileiras. As manifestações no país vizinho já começaram a impedir o transporte de líquido de gás natural (LGN) pelos gasodutos da Transportadora de Hidrocarbonetos (Transredes), empresa que é controlada pela Shell e Enron, que têm como sócios fundos de pensão bolivianos.
Até agora, os bloqueios de estradas e instalações junto aos campos de produção estão afetando somente os dutos de transporte de líquidos que deveriam ser enviados para as refinarias da Petrobras, sem afetar os gasodutos e nem as exportações de aproximadamente 24 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia para o Brasil.
Mas, se a produção de LGN continuar não sendo descarregada, haverá uma ocupação de todas as tubulações, depósitos e caminhões disponíveis. E, quando não houver mais espaço para armazenamento, será preciso parar a produção de gás, que na Bolívia é associado ao LGN.
"Se os dutos da Transredes ficarem lotados e não puderem mais receber óleo, isso vai impactar a produção de gás, que vem junto com o condensado. E se a restrição de escoamento de líquidos se prolongar por mais tempo, será preciso reduzir a produção de gás", explicou uma fonte ouvida pelo Valor com o compromisso de não ser identificada.
Nenhum executivo da indústria admite oficialmente o problema, já que existe a preocupação de não alarmar a população, mas o fato é que a situação está sendo visto com preocupação. Isso porque, como lembrou um executivo que trabalha em uma multinacional do setor, o problema se torna mais grave devido à inexistência de uma autoridade que possa impedir as invasões.
"A Bolívia está sem polícia, sem Exército e sem presidente da República. O país caminha para a anarquia e nem mesmo a oposição parece controlar mais os movimentos sociais", pondera a fonte, que vê risco crescente nos próximos dias. De fato, o presidente Carlos Mesa renunciou, mas continua no cargo até sua renúncia ser aceita pelo Congresso. Mas isso parece não estar evitando uma situação de vácuo de poder no país.
Além dos problemas com o gás, houve invasões de alguns campos de produção de petróleo, que estariam paralisados.
Se o problema preocupa as empresas, o mesmo não ocorre com o Ministério de Minas e Energia. Segundo o ex-secretário executivo do MME e atual presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim, o governo não trabalha com a hipótese de faltar gás boliviano no país.
"Não temos nenhuma indicação de que possa ocorrer uma coisa desse tipo [paralisação do fornecimento]. O cenário não indica nada dramático, já que isso não atenderia nem aos interesses do povo boliviano", disse Tolmasquim, quando questionado sobre uma eventual interrupção do fornecimento de gás para o Brasil, seja por ataque às instalações ou outro motivo qualquer. "Essa hipótese no momento não é cabível. Não trabalhamos com um cenário de ruptura."
Mesmo descartando a possibilidade de faltar gás boliviano no Brasil, Tolmasquim disse que no setor automobilístico o problema "tem solução", lembrando que os carros movidos a gás natural veicular (GNV) são bicombustíveis e as refinarias da Petrobras, também grandes consumidoras de gás, podem usar óleo. Mas o problema pode ter grandes dimensões, pois 70% do gás natural distribuído pela Comgás vem da Bolívia. Se São Paulo é o maior consumidor, o insumo também vai para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso. A avaliação de fontes da Petrobras é de que no momento o gás não faria falta para as térmicas do Sudeste, que podem ser desligadas. Mas o fornecimento para o Nordeste seria um problema.
A possibilidade de a crise afetar o Nordeste preocupa o ex-ministro de Minas e Energia e hoje senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA). "A crise boliviana agrava o problema do setor elétrico. O gás que já era caro vai ficar mais caro ainda. É um fator agravante, não há dúvida nenhuma." Ele lembrou que o Nordeste não tem alternativa ao gás.



Fonte: Valor Econômico
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