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PD&I

Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas da Fapesp completa 20 anos

29/06/2017 | 09h10

Um universo de 1.100 pequenas empresas de base tecnológica – startups –, situadas em 127 cidades no Estado de São Paulo, realizou ao longo das últimas duas décadas 1.788 projetos de pesquisa, que resultaram no desenvolvimento de uma série de produtos, processos e serviços inovadores, além da criação de milhares de empregos e na dinamização da economia dos municípios onde estão localizadas. Elas foram apoiadas pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.

O programa, que completou 20 anos de existência no último dia 18 de junho, apoiou ao longo desse período 1.668 projetos desse conjunto de empresas nas fases 1 e 2 – voltadas, respectivamente, à demonstração da viabilidade e ao desenvolvimento do produto, processo ou serviço inovador – e 120 no âmbito de um acordo da FAPESP com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para apoiar a inserção da inovação no mercado, por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresa (PAPPE). No total, a FAPESP destinou R$ 360 milhões ao Programa nas duas primeiras fases.

Para marcar o início das comemorações dos 20 anos do Programa, a FAPESP realiza cerimônia nesta quinta-feira (29/06), no auditório da Fundação. Na ocasião, serão anunciados os 48 projetos de pesquisa selecionados no 4º ciclo de 2016 do programa.

“Em 1997, [com o PIPE], a FAPESP deu início a um novo tipo de atividade, que foi a de apoiar diretamente pequenas empresas empreendedoras, em colaboração com as universidades e institutos de pesquisa – uma área que até então atraía pouco apoio do setor privado”, disse José Goldemberg, presidente da FAPESP, em uma publicação que conta a história dos 20 anos do PIPE, que será lançada durante o evento.

“O PIPE é hoje o maior programa de apoio de startups do país e teve um impacto transformador na área de inovação tecnológica no Brasil”, avaliou.

O programa marcou a iniciativa pioneira de uma agência brasileira de fomento à pesquisa científica conceder recursos não reembolsáveis diretamente para a pequena empresa realizar pesquisa internamente.

A inspiração para a criação do PIPE foi o programa Small Business Innovation Research (SBIR), lançado em 1982 por força de uma lei do Congresso dos Estados Unidos, com o objetivo de fortalecer a inovação nos projetos de pesquisa e desenvolvimento de pequenas empresas financiados pelo governo federal norte-americano.

Em 1996, o pesquisador e professor da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Alcir José Monticelli viajou aos Estados Unidos como assessor da National Science Foundation (NSF) – agência governamental de apoio à pesquisa dos EUA – para participar da seleção de projetos de pequenas empresas no Programa SBIR. O pesquisador vislumbrou a importância do programa no Brasil como indutor de inovação e de transferência de conhecimento do ambiente acadêmico para o ambiente empresarial.

De volta ao Brasil, Monticelli apresentou a proposta a José Fernando Perez, então diretor científico da FAPESP, que a recebeu com entusiasmo. A proposta se tornou um programa e foi aprovado naquele mesmo ano pelo Conselho Superior, do qual Monticelli também era membro.

Primeiros projetos

O anuncio dos 30 primeiros projetos de pesquisa selecionados na primeira chamada do PIPE, foi feito em dezembro de 1997.

Entre as 30 empresas contempladas, boa parte se concentrava em investigações relacionadas a fibras ópticas e sistemas computacionais, seguidos da área de Biologia e, mais especificamente, genética.

Uma dessas empresas foi a Equatorial Sistemas, de São José dos Campos, fundada em 1996 para atuar no setor aeroespacial.

Na época, a empresa desenvolvia um imageador de amplo campo de visada (WFI), mais tarde incorporado aos satélites sino-brasileiros de recursos terrestres (CBERS, na sigla em inglês) 1, 2 e 2B – o primeiro deles lançado em 14 de outubro de 1999.

Na primeira chamada do PIPE, a empresa obteve recursos da FAPESP para desenvolver minirrefrigeradores criogênicos termoacústicos. E, atualmente, tem o apoio do PIPE/PAPPE para desenvolver equipamentos para o novo síncrotron brasileiro, Sirius, em construção no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), além de imageadores de sensoriamento remoto para aplicações espaciais.

“Em 1997, com o apoio do PIPE, desenvolvemos tecnologia de refrigeradores utilizando fenomenologia termoacústica, o que nos possibilitou atuar em engenharia térmica com software proprietário, tornando a empresa referência para projetos térmicos de sistemas e equipamentos nas áreas aeroespacial, de defesa e industrial”, disse Cesar Celeste Ghizoni, presidente da Equatorial Sistemas, em depoimento à publicação sobre os 20 anos do PIPE.

“Agora, com a aprovação dos projetos para o acelerador Sirius, esperamos abrir para a empresa a área de equipamentos científicos, que tem mercado internacional, e nos qualificar para ingressar também na área de medicina, com o desenvolvimento de um detector de raios X. Na área aeroespacial, onde já atuamos, queremos avançar e dominar a tecnologia de compressão de dados e de integração de sistemas espaciais”, afirmou. (Leia mais sobre a Equatorial em http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/01/12/um-satelite-brasileiro/).

Outra empresa selecionada na primeira chamada do PIPE foi a Opto Eletrônica, de São Carlos.

A empresa de tecnologia atuante no ramo de optoeletrônica nasceu em 1985 por iniciativa de pesquisadores e ex-alunos do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

Em 1997, com o apoio do PIPE, a empresa iniciou o desenvolvimento pioneiro de um laser para a área médica. Tendo dominado a tecnologia, ingressou nos mercados de equipamentos médicos oftálmicos, desenvolvendo microscópio cirúrgico, retinógrafo digital, entre outros, e aeroespacial, com os prismas de alta precisão para sistemas de imageamento.

Depois de uma fase difícil, em função da instabilidade dos orçamentos do programa espacial, as divisões aeroespacial e de defesa da Opto Eletrônica foram recentemente adquiridas pela Akaer Engenharia, que constituiu a Opto Tecnologia Optrônica Ltda.

Em 2016, esta empresa teve três projetos aprovados na chamada pública para apoiar pesquisas voltadas para o desenvolvimento de tecnologias e produtos para aplicações espaciais, no âmbito do Programa PIPE/PAPPE. Todos os projetos estão relacionados à melhoria de câmeras embarcadas em satélites brasileiros e incluem sistema de ajuste de foco por controle de temperatura e desenvolvimento de sistemas ópticos reflexivos para instrumentos imageadores orbitais (Leia mais sobre a Opto Eletrônica em http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/03/13/leque-de-inovacoes/).

Exemplos de inovações

Os projetos apoiados pelo PIPE ao longo dos 20 anos de existência do Programa resultaram em centenas de produtos inovadores, que trazem retornos econômicos e sociais à sociedade.

Entre as inovações geradas por projetos apoiados pelo Programa estão parasitoides, como vespas, para combater larvas e percevejos que ameaçam lavouras de cana-de-açúcar e de soja, produzidas em massa pela empresa Bug Agentes Biológicos, de Piracicaba.

No final de 2011, a empresa foi incluída no ranking da revista norte-americana Fast Company como uma das 50 companhias mais inovadoras do mundo e a mais inovadora do Brasil.

“A Bug foi criada para o PIPE, porque não tínhamos dinheiro na época para iniciar a empresa. O apoio do PIPE possibilitou criar a empresa, desenvolver as tecnologias e pesquisas que faltavam e chegar ao sucesso que hoje temos. Nosso primeiro PIPE foi um projeto para desenvolver um parasitoide de ovos de lagartas de grandes culturas, chamado Trichogramma pretiosum. Pegamos a pesquisa sobre o parasitoide para transformá-lo em produto comercial e daí numa produção massiva de inseto”, disse Diogo Rodrigues Carvalho, diretor da Bug Agentes Biológicos (Lei mais sobre a Bug em agencia.fapesp.br/15209/).

É também com apoio do PIPE que a empresa XMobots, de São Carlos, tem desenvolvido sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (RPAS, na sigla em inglês), utilizadas no mapeamento e quantificação de desmatamento e agricultura de precisão, entre outras aplicações.

A empresa, no momento, finaliza o processo de certificação do Supi – seu primeiro modelo para sobrevoar áreas urbanas –, junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA) e à Agência Nacional de Aviação Comercial (Anac).

“A empresa já recebeu, entre 2010 e 2015, cerca de R$ 11 milhões em investimentos para pesquisa e desenvolvimento de seus produtos de órgãos de fomento como a FAPESP, Finep e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Se considerado o retorno em impostos em 2017 todo o valor investido na XMobots já terá retornado para a sociedade”, diz Giovani Amianti, CEO da XMobots (Lei mais sobre a Xmobots em pesquisaparainovacao.fapesp.br/11).

Perspectivas

O efeito multiplicador dos investimentos feitos pelo PIPE em pequenas empresas inovadoras paulistas foi atestado em uma primeira avaliação, feita em 2007 e 2008, quando o Programa completava 10 anos.

Os autores do estudo estimaram que, para cada R$ 1 investido pela FAPESP, somando-se a contrapartida financeira das empresas, obtinha-se um retorno de R$ 6.

Levando em conta os resultados, os responsáveis pela avaliação sugeriam, na época, a ampliação do PIPE, apontando que as expectativas de retorno eram positivas e crescentes.

“A perspectiva de contribuição para o aumento da densidade tecnológica da indústria é igualmente positiva e, como se viu, para que o impacto se amplie três medidas são necessárias: ampliação do apoio para a fase pré-comercial, vinculado à busca de apoio de outras fontes; refinamento contínuo do processo seletivo; e ampliação da massa de projetos financiados para a emergência de mais casos de sucesso”, recomendaram.

De acordo com Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, o que a Fundação espera nos próximos anos é que as empresas apoiadas pelo PIPE tenham objetivos de impacto mundial como resultado das suas pesquisas de tal maneira que se consiga ter no Estado de São Paulo um conjunto de empresas que sejam atraentes para investidores mundiais.

“Para isso é preciso ter produtos mundiais. Este é o principal desafio para os próximos 10 anos”, avaliou Brito Cruz.

Ele destacou ainda a necessidade de as pequenas empresas se envolverem de forma mais determinada e efetiva nas questões relacionadas com a propriedade intelectual. “Numa pequena empresa de base tecnológica, o principal ativo é a propriedade intelectual. Isso é fundamental inclusive para aumentar o interesse de investidores”, apontou.

Para Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, “o PIPE se transformou no maior programa brasileiro de apoio às pequenas empresas inovadoras e no maior programa de apoio às startups no Brasil”. A perspectiva para o futuro, segundo ele, é de que o PIPE continue sendo isso e muito mais, com a adoção de algumas iniciativas que já estão sendo estudadas pela Fundação.

A primeira, na direção antecipada por Brito Cruz, é a criação pela FAPESP de um programa de inovação em pequenas empresas voltado a apoiar inovações disruptivas globais. “Sabemos quão baixas são as taxas brasileiras de inovação para o mundo. Queremos pôr o dedo nessa ferida”, assinalou Pacheco.

A segunda iniciativa é a internacionalização do PIPE, ou seja, abrir a possibilidade para empresas passarem períodos incubadas ou abrirem empresas em outros países. “Vamos prospectar com outros parceiros no mundo para abrir possibilidades para que empresas possam galgar degraus no exterior”, disse.

A terceira iniciativa está relacionada à maior inserção do Programa PIPE no ambiente de capital de risco (venture capital, investimento anjo, aceleradoras e incubadoras no Estado de São Paulo. “Ainda trabalhamos muito isolados, tanto das grandes empresas, que têm fundos de investimento, quanto de todo esse networking de inovação. Essa aproximação favorece o PIPE, mas também toda essa rede, esse ecoambiente”, disse Pacheco.

O livro sobre os 20 anos do PIPE pode ser baixado em www.fapesp.br/publicacoes/2017/pipe20anos.pdf.

 

 



Fonte: Redação/Assessoria Fapesp
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