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Indicadores Industriais

Produção industrial frustra expectativa e volta a recuar

12/11/2014 | 10h39

Depois de dois meses seguidos de recuperação, a produção industrial voltou a recuar em setembro, reduzindo as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre e as expectativas para o ano, até porque a alta dos juros não favorece a retomada do setor.

O recuo de 0,2% da produção da indústria em setembro em comparação com agosto, feitos os ajustes sazonais, surpreendeu o mercado. Pesquisa realizada pelo Valor com 17 instituições financeiras no fim de outubro indicava expectativa de expansão de 0,1% a 1,5%; apenas quatro delas contavam com um recuo. Na média, a previsão era de crescimento de 0,2%, depois do aumento de 0,7% em agosto e de 0,7% também em julho, que interromperam uma sequência de cinco meses seguidos de queda.

A expectativa era que a recuperação continuasse agora, alimentada sobretudo pela expansão da produção de automóveis, já detectada pela associação de fabricantes do setor. Outros indicadores, é verdade, não eram tão favoráveis, como o consumo de papelão ondulado, o de energia elétrica e o de gás industrial. Mas a confiança dos empresários havia aumentado, embalada pela expectativa de expansão das encomendas de fim de ano.

A produção de automóveis correspondeu realmente às expectativas e cresceu 10,1% – a maior variação mensal desde fevereiro de 2012 -, puxando o avanço do segmento de bens de consumo duráveis de 8% de setembro sobre agosto. Os bens de capital surpreenderam com aumento de 1,9%; e os bens de consumo semi e não-duráveis, registraram 0,8%. Das 24 atividades acompanhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para avaliar a produção industrial, 15 registraram expansão.

O que os analistas não contavam era com a queda de 1,6% do setor de bens intermediários, que representa cerca de 60% da produção industrial e é composto por segmentos como a fabricação de açúcar, que foi afetada pela seca. Houve recuo também nas indústrias extrativas, de celulose e de produtos de metal.

O resultado de setembro levou o trimestre a fechar com queda de 0,2%. Foi o quinto trimestre seguido no negativo, contribuindo para reforçar as previsões de estabilidade do PIB no terceiro trimestre e do nível de atividade nos próximos meses, apesar da desoneração da folha de salários e de alguns impostos garantida pelo governo a vários setores.

Compõem o clima menos otimista para os próximos meses a desaceleração da massa salarial; enfraquecimento do mercado de trabalho; o desaquecimento da demanda; o acúmulo de estoques e as incertezas em relação ao próximo governo. A perspectiva é que a produção industrial seguirá moderada no quarto trimestre e feche o ano com queda ao redor de 2%. No período de 12 meses terminado em setembro, a queda acumulada é de 2,2%.

Os números explicam em parte porque a desoneração da folha não evitou o fechamento de postos de trabalho em alguns dos setores beneficiados, como mostrou o Valor (10/11). Neste ano, houve demissões em 21 setores que, beneficiados pela política de desoneração da folha, deixaram de recolher R$ 2,6 bilhões. No ano passado, houve dispensas em 13 setores que foram poupados em R$ 1,93 bilhão pelas desonerações. Os casos mais agudos estão na produção de veículos e de artefatos de couro.

A desvalorização do real nas últimas semanas vem dando novo alento para a indústria (Valor 11/11). No entanto, será difícil reverter em menos de dois meses que faltam para acabar o ano os resultados ruins apresentados até agora. Até a primeira semana de novembro, a balança comercial acumula déficit de US$ 2,6 bilhões, causado exatamente pela queda dos produtos básicos, semimanufaturados e manufaturados.

Mas a expectativa dos empresários é que o câmbio mais favorável abra novos mercados no exterior nos próximos meses, melhorando o quadro para 2015, apesar da queda dos negócios com os tradicionais importadores da Argentina e Venezuela. Sabe-se, porém, que o trabalho de conquista do mercado internacional não produz resultados imediatos; e que há uma defasagem de tempo entre a mudança do patamar de câmbio e seu impacto nas vendas externas.

O cenário não forma um ponto de partida favorável para a indústria no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff nem permite previsões otimistas para o crescimento econômico para o próximo ano. Ao contrário, ressalta a necessidade de reforma da política econômica.



Fonte: Valor Econômico
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